Minas que tatuam! Elas estão juntas para romper tabus no BH Tattoo Festival

Yuran Khan/Bhaz

Um estande de tattoo feito por elas e para elas. Essa é a pegada do projeto “Bela Tatuada” que reúne profissionais de todo o Brasil com um mesmo foco: valorizar a tatuagem feminina e o empoderamento em um setor ainda predominantemente masculino. A iniciativa é uma das novidades deste ano do BH Tattoo Festival, que começou nessa sexta-feira (7) e termina no domingo (9).

Tatuagem e feminismo? É isso mesmo! A tatuadora e bodypiercing Carol Vitter, de 34 anos, explica que oportunidades como essa acaba por inserir e abrir espaço para as mulheres profissionais da área. “É uma forma de fortalecer uma as outras”, conta.

Há 21 anos no mercado, Carol observa que, aos poucos, a realidade está mudando. “Antes víamos um estúdio com uma ‘mina’, trabalhando muitas vezes como ajudante. Hoje, algumas já estão à frente de estúdios”, comenta. Sua própria história reflete  essa visão do mercado de trabalho: “Num estúdio que trabalhei lembro que fiquei por um ano apenas lavando biqueiras das agulhas e preparando os utensílios para finalmente, depois desse tempo, começar a fazer algumas tattoos”, relembra Vitter.

Carol afirma que ainda existe preconceito, tanto explícito quanto implícito, com o fato da mulher ser a tatuadora ou estar à frente de um estúdio. “É comum até nas pequenas coisas. Como, por exemplo, se num estúdio trabalham um homem e uma mulher, ambos tatuadores, já é hábito do cliente chegar e perguntar: ‘Qual horário o tatuador está disponível?’. Ou seja, o homem é a referência”, comenta.

A tatuadora Nárrima Alcântara, do estúdio Cassiano, também concorda que esse cenário ainda existe no mundo das tatuagens. “Trabalho como profissional há quatro anos, mas tenho conhecimento de que essa já foi uma área muito difícil da mulher se inserir. Hoje, vejo que a tatuadora está em ascensão no meio”, explica.

BH Tattoo Festival
Nárrima Alcântara (Yuran Khan/Bhaz)

Projetos como o estande “Bela Tatuada” abrem oportunidades para mulheres e ainda incentivam as profissionais que estão no início da carreira. “Dar oportunidade para outras mulheres e fortalecer uma as outras, isso é feminismo. São nosso atos que nos tornam feminista”, afirma Carol. Nárrima diz que também busca esse caminho: “Sempre tento trazer o reconhecimento da mulher e o espaço dela pro meu trabalho”, comenta.

A mulher tatuada

No mundo da tatuagem, tanto no Brasil quanto em outros países, as mulheres adeptas às tattoos são objetificadas. Acabam sendo usadas em propagandas de produtos, estúdios e eventos.

Carol Vitter defende que o corpo da mulher tatuado não é restrito à isso. “É difícil desconstruir esse tipo conceito e de propaganda. A gente tenta mostrar que a mulher não é só uma propaganda, mas que está inserida na área artística e do trabalho profissional da tatuagem. Mais pra frente, eu acredito que a gente consiga quebrar essa barreira do machismo e da objetificação da mulher dentro do universo da tatuagem”, opina.

Durante o BH Tattoo Festival, acontece o concurso Miss Tattoo, que visa eleger a mulher tatuada mais bonita. A tatuadora espera que a disputa rompa com os velhos estereótipos. “Espero que além de ser um concurso de beleza, que ele quebre o padrão machista e inclua mulheres negras, gordas e trans”, comenta Carol.

A ideia

Ana Carvalho, 21 anos, é uma das idealizadoras do projeto do estande “Bela Tatuada”. Além de tatuadora, ela também é dona de um blog com o mesmo nome da iniciativa.

“A ideia do estande surgiu enquanto estava fazendo algumas coberturas em convenções de tattoo, procurando assuntos para colocar no blog. Comecei a perceber que tinham poucas mulheres nesses tipos de evento. E eram raras as vezes em que uma mulher era a tatuadora principal do estande”, conta Ana.

Essa observação gerou tamanho incômodo que, a partir do blog e de grupos no Facebook, ela passou a ressaltar a representatividade das mulheres como profissionais no mercado da tatuagem. Por isso, convidou as cinco meninas para trabalharem juntas nos três dias do BH Tattoo Festival.

BH Tattoo Festival
Carol Vitter e Ana Carvalho (Yuran Khan/Bhaz)

BH Tattoo Festival

Nesta edição, o evento reúne mais de 400 profissionais da área. Além de uma programação com shows, concurso de tattoo e “miss tattoo”, o festival oferece preços promocionais de tatuagens e produtos.

Ainda dá tempo de você conferir! Os ingressos estão à venda online. Os ingressos diários são R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia). A meia entrada se dá mediante à entrega de 1 kg de alimento não-perecível na portaria do evento ou à apresentação de carteirinha de estudante.

SERVIÇO

“7º BH Tattoo Festival” 

Quando? 7, 8 e 9 de abril

Onde? Serraria Souza Pinto (Av. Assis Chateaubriand, 809 – Centro)

Valor? Passaporte para os 3 dias – R$ 50 + 1 kg de alimento não perecível. Ingressos diários – R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia). Venda online

Informações? Evento no Facebook ou  no site