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Grupo Giramundo celebra 55 anos de história e expõe 600 bonecos no Palácio das Artes a partir deste sábado

10/10/2025 às 14h51 - Atualizado em 10/10/2025 às 15h44
grupo Giramundo
Bonecos do grupo Giramundo. Crédito: Tol Ramos/BHAZ

No clima lúdico e divertido do Dia das Crianças, o Grupo Giramundo comemora 55 anos de história com uma exposição especial no Palácio das Artes, no Centro de Belo Horizonte. Centenas de bonecos emblemáticos fazem parte da mostra, que integra a ‘Ocupação Giramundo’, com apresentações artísticas, mostra de cinema e exercícios educativos em sua programação.

Para divertir a criançada, neste domingo (12), acontece ainda uma sessão especial do espetáculo ‘Alice no País das Maravilhas’. No palco, os artistas interpretam o clássico e investigam a fusão de bonecos tradicionais com novas tecnologias, como animações digitais e stop motion.

A produção tem direção musical de John Ulhoa e participação de Fernanda Takai, que assina a composição musical e empresta a sua voz para  Alice. A apresentação ocupa o Grande Teatro do Palácio das Artes e tem ingressos pagos, que devem ser adquiridos pela plataforma Eventim.

600 bonecos Giramundo

O Giramundo foi criado em 1970 pelos artistas plásticos Álvaro Apocalypse, Tereza Veloso e Madu. Atualmente, é dirigido por Bia Apocalypse, Marcos Malafaia e Ulisses Tavares. Em sua trajetória, a companhia montou mais de 40 espetáculos teatrais, entre produções próprias e coproduções.

O destaque da mostra é a exposição ‘Bonecos Giramundo’, que reúne 600 peças, entre marionetes, máscaras e elementos cenográficos que fazem parte da história da companhia. Dentre as figuras emblemáticas, o público poderá ver de perto os personagens da série animada Dango Balango, do álbum ‘Música de Brinquedo’, da banda Pato Fu, e da dupla de canções infantis Palavra Cantada.

Marcos Malafaia explica que, ao traçar a cronologia do grupo, as coleções de marionetes representam a transição de um estilo arcaico e teatral para a presença no mundo digital. “Buscamos abranger vários Giramundos. O fundamental, nas diversas fases em que ele existiu sob a batuta de Álvaro Apocalypse, e o novo, que é ligado ao cinema e vem brotando nas diversas interfaces do teatro com outras artes”.

Como capítulos de um livro, a exposição passeia por memórias do Giramundo na cidade de Lagoa Santa, em seus primeiros anos, quando ainda não existiam muitas referências de teatro de bonecos no país. Em outro momento, o público confere a passagem do grupo pela Universidade Federal de Minas Gerais, nas décadas de 1980 e 1990, com trabalhos desenvolvidos durante o festival de inverno da instituição. Já nos anos 2000, com a perda de Álvaro, o Giramundo se viu diante do desafio de se adaptar às novas tecnologias, o que resultou em produções audiovisuais.

“Começamos com cabeças espetadas em cabos de vassoura nos anos 1970, algo muito simples, e chegamos aos dias atuais com bonecos gigantes para a TV e uma cena em que misturamos cinema e bonecos de animação”, afirma Marcos.

O grande acervo

Detentor da maior coleção de teatro de bonecos do país, o Giramundo enfrenta o desafio de preservar um acervo de milhares de figuras, além dos esboços originais dos mestres bonequeiros que já passaram pela companhia. “O maior inimigo do Giramundo são os cupins. Vamos até transformá-los em personagens, porque eles são os grandes vilões. O cupim destrói a forma, corrói o boneco, transforma-o em pó”, diz o diretor.

giramundo
Crédito: Tol Ramos/BHAZ

A diversidade característica das marionetes não se limita somente às técnicas utilizadas em sua feitura. Quem visitar o Palácio das Artes poderá conferir um pedaço da história do Brasil representada por meio dessas criações.

“Esses acervos retratam quem a gente é. O acervo do Giramundo é gigante, precisa de cuidado, de apoio. Ele não é nosso; a carga é muito pesada para a diretoria atual tentar preservar um acervo tão grande. Com a vivência normal de venda de espetáculos e um patrocínio de montagem aqui ou ali, é difícil cuidar de 1.500 peças. Esse acervo é de Minas Gerais”.

“O Giramundo nasceu da brincadeira, e isso é muito poderoso. A arte nasce da diversão, do bom humor e do aspecto leve. O boneco traz uma espécie de humanidade. Para ele existir ou funcionar, é preciso que a pessoa que o observa e o manipula acredite em uma fantasia. O que eu acho que permanece é essa sensação ilusória e um pouco poética de que a vida é um sopro, é efêmera, tem uma parcela real, concreta e prática, mas ela é uma fantasia. O Giramundo traz essa ideia de que a vida é um sonho”, afirma Malafaia.

A exposição da ‘Ocupação Giramundo’ e a maior parte de suas atividades são gratuitas e ficam em cartaz até 22 de fevereiro de 2026, em BH.

Anota aí!

Palácio das Artes

Classificação etária: Livre

Data: 12/10/2025

Local: Av. Afonso Pena, 1537 – Centro, Belo Horizonte

Entrada: Exposição gratuita; espetáculos pagos.

Anota aí!

Classificação etária: Livre
Entrada: Gratuita

Tol Ramos

Estudante de jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais. Foi estagiária do caderno de cultura do Jornal Estado de Minas e do programa Agenda da Rede Minas. Repórter do BHAZ desde setembro de 2025.
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