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Lamparina entra em era pop com lançamento de novo álbum, ‘Original Brasil’

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Grupo mineiro Lamparina lança novo álbum com referências pop brasileiras (Divulgação/Sarah Leal)

A sensação de estar ouvindo a trilha sonora de alguma novela dos anos 2000 que se repete no Vale à Pena Ver de Novo, da TV Globo, é nítida nos primeiros segundos de “Original Brasil”, novo álbum do grupo mineiro Lamparina. Neste projeto, lançado em 13 de outubro, o coletivo abraça o pop e se apronta para uma nova fase artística.

As brasilidades presentes nas referências de Original Brasil é o que convida à viagem pelos anos 2000, proposta clara do Lamparina para este álbum. Em um bate-papo com o Guia BHAZ, Marina Miglio (vocalista) e Cotô Delamarque (guitarra e vocal) abrem todo o processo criativo do novo projeto, a começar pelo título.

“A intenção [do título do álbum] é como se fosse um selo, um ‘selo original do Brasil’, feito aqui, igual tantas outras coisas que são feitas aqui; para quem está vendo de fora entender que nós somos parte de uma cultural muito plural, que isso é o que a gente faz”, explica Marina.

E não tem nada a ver com o grupo querendo dizer que as 10 músicas presentes em Original Brasil estariam ditando o que seria o verdadeiro da nossa musicalidade. Mais do que isso, é uma ode à música brasileira, “como se a gente estivesse contando uma história dessa pluralidade que tem aqui”, completa Cotô.

Imersão na juventude dos anos 2000

Para este projeto, Marina e Cotô fizeram uma imersão em uma casa na Serra do Cipó, região Central de Minas Gerais, onde ficaram cerca de uma semana pré-produzindo as músicas. A intenção era resgatar o timbre de bandas que fizeram sucesso à época, mesclando pop e MPB.

Dentre as canções presentes em Original Brasil, “Menina” abre o álbum com uma inspiração no estilo de Jorge Ben Jor, com elementos do samba e arranjos de metais. “To que to à toa” passa pelo reggae, e “Fez a Onda”, o single carro-chefe do disco, transita entre o pop e a MPB.

“A gente ficou muito nos anos em que a gente passou a juventude, tentamos resgatar isso e fomos tentar buscar as coisas que a gente gostava quando éramos adolescentes, sem deixar ter uma roupagem infantilizada”, diz Cotô.

Grupo Lamparina embarca em nova era com álbum ‘Original Brasil’ (Divulgação/Sarah Leal)

A imersão foi o ponto crucial para construir o conceito do álbum. Levando em consideração que o Lamparina tem seis integrantes, desta vez, Marina e Cotô contaram com a confiança do gruupo e se comprometeram a pré-produzir as canções e levá-las para a audição em BH.

“A gente arriscou uma proposta diferente dessa vez. Levamos para a banda as músicas já pré-produzidas, o que facilitou a percepção de todo mundo, ouvir já dentro de uma realidade”, relembra Cotô.

O guitarrista lembra que ele e Marina (eles são namorados) levaram os equipamentos para a casa na Serra do Cipó, e assim, conseguiram gravar boa parte do material. “Tinha um medo de não ser produtivo, ainda bem que a banda confiou porque a gente poeria chegar e trazer um monte de música ruim”, completa Cotô.

“Inclusive nenhuma música”, acrescenta Marina. Depois dessa imersão, foi a vez de fazer novas imersões com o restante da banda para gravar o álbum. O processo todo aconteceu em uma fazenda de uma conhecida, diferente dos outros discos, que foram gravados em estúdio.

Capa brasileirinha

É impossível a capa do álbum ser mais representativa de parte da cultura brasileira. Nela, está estampado um pé com marcas de chinelo, com as unhas pintadas de amarelo e uma tornozeleira. O anel em um dos dedos e a bandeirinha da marca de chinelos Havayanas são a cereja do bolo.

Marina conta que a ideia para a capa do álbum surgiu com a vontade de fazer algo que fosse a cara do Brasil. “Tinha que ser alguma coisa que remetesse. Aí pensamos num chinelo Havayanas, você vai nos cantos e ninguém usa esse chinelo, só nós. Aí depois a Sarah Leal teve a ideia de ser só a marca de sol”.

Capa do álbum ‘Original Brasil’, do grupo Lamparina (Reprodução/@lamparinaoficial_/Instagram)

Lamparina pop

Original Brasil vem para marcar uma nova fase artística do Lamparina, com uma pegada totalmente pop. Cotô explica que isso se deve ao fato de o grupo ter aprendido a fazer o tipo de som que sempre quis. Marina acrescenta que o motivo também passa por uma necessidade mercadológica.

“É um trabalho muito complexo tirar a música do campo do abstrato e levar ela para o fonograma, sabe? Saber o que você quer, isso é uma coisa difícil que a gente aprendeu só agora. Entendemos qual que é a nossa onda de verdade”, declara o guitarrista.

“Eu acho que também, além de ser uma necessidade por causa do mercado, uma coisa que aconteceu, pelo menos comigo, é que eu gosto muito de ser simples. E eu acho que o simples é muito popular, é algo que se torna mais pop. E eu gosto de compor sem dificultar o entendimento”, diz a vocalista.

Com este álbum, o grupo deseja entrar no mercado musical pop brasileiro, porém, sem pasteurizar o próprio estilo. “A gente gostaria muito que fosse aberta uma porta razoável para todo mundo que quer fazer esse tipo de som ser beneficiado, conseguir ter uma carreira estável”, desabafa Cotô.

Show Lamparina BH

Nós, enquanto consumidores e apreciadores de música e cientes das dificuldades que o mercado fonográfico apresenta, temos a responsabilidade de apoiar quem é da nossa cena. Uma das formas, para além dos streamings, é ir aos shows – para quem curte viver a experiência da música ao vivo.

No dia 14 de novembro, o Lamparina fará um show na Autêntica, a partir das 21h. Os ingressos estão à venda a partir de R$ 50 (acesse aqui).

Andreza Miranda

Graduada em Jornalismo pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e repórter do BHAZ desde 2020. Participou de duas reportagens premiadas pela CDL/BH (2021 e 2022); de reportagem do projeto MonitorA, vencedor do Prêmio Cláudio Weber Abramo (2021); e de duas reportagens premiadas pelo Sebrae Minas (2021 e 2023).

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