Novo longa-metragem de Kleber Mendonça Filho, ‘O Agente Secreto’ estreia nesta quinta (6), em cinemas de todo o Brasil. O filme, protagonizado por Wagner Moura, foi o escolhido da Academia Brasileira de Cinema para representar o país na corrida pelo Oscar de 2026.
Aposta na sétima arte, ‘O Agente Secreto’, foi aplaudido de pé por 13 minutos no Festival de Cannes, na França. Para chegar, de fato, ao Oscar, o novo projeto ainda tem que disputar a vaga na lista dos cinco indicados como Melhor Filme Internacional para a premiação, com produções de outros países. A cerimônia está prevista para acontecer no dia 15 de março de 2026.
Cinemas das redes Cineart, Cinemark, Cinépolis e Cinesercla, em toda Belo Horizonte, estão com o filme em cartaz.
O Agente Secreto
Ambientada em pleno carnaval do Recife, em 1977, a obra acompanha Marcelo (Wagner Moura), um professor universitário, que se muda de São Paulo para a capital de Pernambuco, em busca de paz. Alocado em um condomínio de moradores peculiares, que são, em maioria, refugiados políticos, o homem passa então a perceber que a nova cidade pode não ser o esconderijo ideal para o caos que tentou abandonar.
Profundo, ‘O Agente Secreto’ mantém o DNA dos filmes de Kleber Mendonça, que são críticos, reflexivos, exploram as nuances da sociedade brasileira e, agora, nos lançam para todo mundo. O projeto audiovisual foge da visão forjada sobre um cinema norte-americano, e dá valor às transformações das nossas próprias perspectivas, em iniciativas originais da nossa terra, que transcendem o achismo do que deve ser um filme.
O longa passeia por momentos de thriller e tem seu suspense bem construído, mas não consegue, efetivamente, firmar-se em um gênero cinematográfico específico, o que causa uma certa confusão no espectador.
Nesta mesma linha, quanto ao gênero que o filme se enquadra, a surpresa vem logo no primeiro ato: a obra é, também, muito engraçada. Em meio ao caos, o clima fica tão leve, que é possível ver nos olhos dos personagens o ímpeto da risada dos atores.
Sendo assim, há de ser dito que, mesmo que tente ser muitas coisas e às vezes falhe na missão, ‘O Agente Secreto’ vale a pena ser assistido e corre contra o imaginário coletivo e comum de um filme que se ambienta em tempos de ditadura militar no Brasil— não menos importantes, claro. O longa de Mendonça é uma história de pessoas comuns, para pessoas comuns. É, em sua cerne, um filme sobre família e uma tentativa de dar significado a um passado que muitos nem sabem que existiu.
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