Confundida com jovem de episódio racista, jornalista de MG se pronuncia após ataques

Mariana Spinelli
As duas têm o mesmo nome e os perfis de Spinelli nas redes estão se enchendo de ataques (Reprodução/@marianaspinelli/Twitter)

A jornalista mineira Mariana Spinelli, da ESPN, tem sofrido ataques nas redes sociais por ser confundida com a mulher que acusou um jovem negro de roubar uma bicicleta no Rio de Janeiro, no último sábado (12). As duas têm o mesmo nome, e, com a repercussão do caso, internautas acabaram xingando a pessoa errada ao encontrar o perfil da jornalista nas redes.

No Twitter e no Instagram, Spinelli, que apresenta o SportsCenter, publicou uma nota esclarecendo que não tem envolvimento algum com o episódio de racismo no Rio de Janeiro, além de expressar apoio à vítima. “Infelizmente, a menina tem o mesmo nome que o meu. Algumas pessoas estão confundindo os nomes.
Obviamente, não fui eu. Responsabilidade nesse momento é importante. Abraço e minha solidariedade ao rapaz no RJ que é a real vítima na história”, escreveu a jornalista.

Em outras publicações, Mariana Spinelli comentou que, além de sofrer com os ataques, ela também sai prejudicada quando associam a atitude racista da outra jovem ao seu trabalho como jornalista. “Fiquei e estou muito chateada com toda confusão, mas vocês me ‘conhecem’ e sabem que ficar pra baixo não combina comigo. O trabalho segue e preparada pro que vier. Coração leve, sorriso no rosto e muito trabalho!”, publicou ela no Twitter.

Ao UOL, a apresentadora contou que está assustada com a situação e que vem recebendo mensagens e comentários muito pesados, mas que prefere bloquear e apagar. Na publicação do Instagram em que ela esclarece a situação, vários usuários comentaram que entraram no perfil para xingá-la, mas perceberam que não se tratava da mesma pessoa. “Já vinha esculhambar e vi que não era ela”, escreveu uma internauta. “Vim aqui pra xingar a pessoa errada…Obrigado por avisar”, escreveu outro.

“Não é nem só pelo ataque. As pessoas estão ficando com isso no imaginário. As outras pessoas pelo menos tiveram a decência de ler a nota e tomaram cuidado. Imagina o tanto de gente que nem se deu ao trabalho?”, disse Mariana Spinelli ao portal.

Relembre o caso

Matheus Ribeiro, um jovem negro, usou as redes sociais para denunciar mais um episódio de discriminação, que aconteceu na tarde do último sábado (12), no Leblon. Ele conta que estava esperando a namorada em frente a um shopping para comemorar o Dia dos Namorados, quando foi abordado pelo casal, que o acusou de ter roubado a bicicleta motorizada em que ele estava.

O rapaz contou que, após ser confrontado pela dupla, chegou a mostrar fotos antigas da bicicleta para se defender. No entanto, Matheus só conseguiu se provar inocente quando o rapaz que o abordou, sem autorização, tentou abrir o cadeado da bike, sem sucesso.

Ao perceber as acusações infundadas, Matheus gravou a reação do casal, que tentou se justificar após a chave não abrir o cadeado da bicicleta. No vídeo, eles explicam que acabaram de ter uma bicicleta semelhante à do surfista furtada e, por isso, decidiram questionar se ele a havia furtado. Ao perceberem que estão sendo filmados, os dois se afastam.

Junto com o vídeo, o jovem publicou um desabafo. “Eles não conseguem entender como você está ali sem ter roubado dele, não importa o quanto você prove”, disse. “Isso não foi um desespero de quem foi furtado, isso é o desespero do racista quando vê a gente perto. Ela não tem ideia de quem levou sua bicicleta, mas a primeira coisa que vem a sua cabeça é que algum neguinho levou”, continuou Matheus.

Demitidos

O casal que acusou Matheus de roubar a bicicleta foi demitido das empresas para as quais trabalhavam. A Espaço Vibre, escola de dança, comunicou ontem (15) que a jovem envolvida no episódio de racismo e que trabalhava como professora no local foi demitida da empresa. “Estamos consternados com o que tomamos conhecimento e tratando o assunto com toda gravidade que ele merece. Racismo é crime e não vamos compactuar com isso”, diz nota divulgada nas redes sociais.

Já de acordo com o jornal O Globo, a Papel Craft, onde o rapaz que acusou o jovem trabalhava como designer, também o demitiu. A empresa não chegou a se posicionar publicamente, mas a gerente da loja da marca na Gávea confirmou ao jornal que ele não faz mais parte do quadro de funcionários. Nas redes sociais, os internautas ainda cobram um posicionamento oficial da loja de papelaria e decoração.

Edição: Roberth Costa
Sofia Leão
Sofia Leãosofia.leao@bhaz.com.br

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Escreve com foco na editoria de Esportes no BHAZ.

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