Durante uma operação, 63 trabalhadores rurais em situação análoga à escravidão foram resgatados em três fazendas de Santana do Manhuaçu e Matipó, na Zona da Mata de Minas Gerais. As vítimas trabalhavam na colheita do café e foram encontradas durante fiscalizações realizadas na última semana pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Os auditores constataram que os trabalhadores atuavam sem registro em carteira, enfrentavam jornadas exaustivas, sem folgas regulares, e não tinham acesso a água potável, instalações sanitárias, locais adequados para refeições ou equipamentos de proteção, como botas, luvas, chapéu ou equipamentos para executar a colheita. Os alojamentos também apresentavam condições precárias, com colchões no chão e sem roupas de cama.
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Entre os resgatados, seis são de Alagoas e foram levados às fazendas por intermediários conhecidos como “gatos”. A maioria das vítimas é formada por homens migrantes do Vale do Jequitinhonha e da Bahia. Durante uma das ações, um adolescente de 14 anos foi encontrado trabalhando e estava há cerca de um ano sem frequentar a escola.
Os empregadores terão de pagar as verbas trabalhistas devidas, devolver valores cobrados irregularmente por alimentação e transporte e responder por autos de infração por trabalho análogo à escravidão. Os trabalhadores também foram encaminhados para receber seguro-desemprego e assistência social.
Nomes dos suspeitos podem ser incluídos na lista suja do trabalho escravo
Caso as denúncias sejam julgadas procedentes, os trabalhadores acusados terão os nomes incluídos na Lista Suja do trabalho escravo. Minas Gerais continua liderando essa lista. Na última atualização, divulgada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em abril deste ano, 159 dos 745 casos do cadastro foram no estado mineiro — o que equivale a 21% do total. A lista é atualizada a cada seis meses.
Segundo o superintendente regional do Trabalho em Minas Gerais, Carlos Calazans, a exploração de trabalhadores, resgatados em condições degradantes de trabalho análogo à escravidão, é inaceitável. “Em pelo ano de 2026, pessoas trabalhando sem direito à água, sem alimentação, sem direito a um lugar decente para dormir e descansar” comentou o gestor.









