Os acusados de espancar e matar Alice Martins participam, nesta terça-feira (10), da primeira audiência do caso. Ao todo, 14 testemunhas devem prestar depoimento, sendo oito de acusação e seis de defesa. Devem ser ouvidos pela Justiça o pai de Alice, o motoqueiro que prestou socorro à vítima, os policiais que atuaram na investigação, além dos réus Arthur Caique Benjamin de Souza, de 27 anos, por videoconferência, e William Gustavo de Jesus do Carmo, de 20 anos, presencialmente.
Tiago Lenoir, advogado da família da vítima, afirmou que “espera que tudo seja confirmado hoje e que, em breve, eles sejam levados a júri popular”. Ele também ressalta que há “no mínimo, um recurso que torna impossível a defesa da vítima, uma mulher que foi espancada por motivos transfóbicos e por motivos ridículos, oriundos de uma briga relacionada a 22 reais”, afirma.
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Alice foi agredida no dia 23 de outubro do ano passado e morreu no dia 9 de novembro, em decorrência das agressões. Para a Polícia Civil, a investigação mostrou que há uma ligação clara entre as agressões sofridas pela vítima e o que provocou sua morte. Os dois homens, de 20 e 27 anos, eram funcionários da lanchonete Rei do Pastel. O crime teria origem numa dívida da vítima com o estabelecimento, mas foi a transfobia que levou à agressão brutal.
Após o crime
Segundo a família, após a agressão, Alice foi atendida em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e, depois, foi para casa. O pai a encontrou no quarto já com várias lesões pelo corpo e sentindo muitas dores. Devido à gravidade do quadro, ela foi a um hospital particular. O espancamento causou fraturas nas costelas, perfuração intestinal e uma úlcera no estômago da vítima.
A vítima registrou um boletim de ocorrência, no dia 5 de novembro. Nele, informou que não conhecia os agressores. Alice morreu no último domingo (9), 17 dias após a sessão de espancamento.
“Nesse boletim de ocorrência, ela descreve os autores de certa maneira porque tem medo deles. Ela demorou a relatar para o pai que foi agredida porque ficou com vergonha. Ela sabia que foi agredida por ser uma mulher trans. Diante da vergonha e do medo de não ser acolhida pelas instituições, ela não descreve exatamente como são os funcionários. Também temos que lembrar que ela estava sob efeito de álcool e desmaiou rápido devido às agressões intensas. Chegou a quebrar as costelas dela”, comentou a delegada responsável pelo caso.
Com as informações apuradas pela investigação, para Lenoir, “está bem clara a autoria e a materialização” do crime. Ele espera que a audiência confirme o que a investigação demonstrou. “A gente espera que encerre hoje esse procedimento, essa fase com juiz sumariante. Mesmo porque, nós temos um dos réus que está preso, então, o processo de réu preso, ele tem que ser acelerado. Não tem motivos nenhum pra delonga desse processo”, concluiu o advogado de acusação.
A audiência de hoje é realizada no 1º Tribunal do Júri Sumariante do Fórum Lafayette, localizado no Barro Preto, região Centro-Sul da capital.










