Renê da Silva Nogueira Júnior, de 47 anos, autor confesso da morte do gari Laudemir Fernandes em Belo Horizonte, afirmou que o homicídio “foi um acidente”. A declaração consta em carta de próprio punho escrita na tarde desta segunda-feira (25), na qual o suspeito confirmou que manterá o advogado criminalista Dracon Luiz Calvacante Lima em sua defesa. Durante a manhã de ontem, a Justiça de Minas Gerais recebeu uma procuração que nomeia Bruno Silva Rodrigues como novo defensor de Renê.
A carta foi escrita a pedido de Dracon, que, ao perceber que havia sido retirado do processo, foi ao Presídio de Caeté, na Região Metropolitana de BH, para conversar com o autor confesso do crime.
No documento, com erros de português, o suspeito declarou que deseja que o advogado e Bruno atuem juntos em sua defesa. “Gostaria de reforçar que acredito no trabalho do mesmo [Dracon Luiz] e reforço a necessidade que meus advogados trabalhem em parceria. O que aconteceu foi um acidente com a vítima e me sinto bem representado tanto pelo Dr. Dracon como pelo Dr. Bruno Rodrigues”, disse em trecho do documento.
Segundo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), Renê Júnior revogou, no último sábado (23), a procuração concedida a Dracon Luiz e, em seguida, nomeou Bruno como novo advogado. Esta seria a terceira mudança de defesa do suspeito desde a prisão. Em entrevista ao BHAZ, Dracon alegou que que a situação não passou de um “mal-entendido”.
Leia a carta de Renê na íntegra
Eu, Renê da Silva Nogueira Júnior, tinha dado autorização para o Dr. Dracon via procuração para me defender no meu nome. Gostaria de reforçar que acredito no trabalho do mesmo e reforço a necessidade que meus advogados trabalhem em parceria. O que aconteceu foi um acidente com a vítima e me sinto bem representado tanto pelo Dr. Dracon como pelo Dr. Bruno Rodrigues. Tenho certeza que resolveremos esse mal entendido. Pedi ao mesmo para não sair do meu caso. Que Deus abençoe.
A: Renê S. N. Júnior
25 de agosto de 2025
O crime
Conforme a ocorrência policial, o crime aconteceu na rua Modestina de Souza, no bairro Vista Alegre, região Oeste da capital, na manhã do dia 11 de agosto deste ano. Conforme testemunhas, um caminhão de lixo estava parado na rua, durante a coleta de resíduos, quando o gestor comercial Renê Junior exigiu para que fosse liberado espaço na via para passar com o veículo que dirigia, um BYD cinza.
Irritado, ele ameaçou a motorista do caminhão com uma arma. Os garis tentaram intervir e pediram que ele se acalmasse. Foi nesse momento que ele saiu do veículo e disparou contra os funcionários, acertando Laudemir, que não estava envolvido na confusão. “E aí ele entrou do carro e foi embora. Não prestou socorro, nem olhou para trás, ele seguiu o caminho dele”, relatou ao BHAZ a motorista do caminhão, Eledias Aparecida.
Renê Junior é marido da delegada Ana Paula Balbino, da Polícia Civil de Minas Gerais. A PCMG confirmou que a arma usada no homicídio está registra em nome da delegada Ana Paula Balbino, sendo de uso pessoal da policial. Renê alegou que pegou a pistola sem o consentimento da companheira e afirmou que ela não soube do crime. Mesmo assim, a servidora é alvo de uma investigação da Corregedoria-Geral da Polícia Civil.










