Ravi Oliveira, de 1 ano e 9 meses, morto nesta quarta-feira (27), não é a primeira vítima de linha com cerol na Grande BH neste ano. De acordo com a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), oito acidentes envolvendo o material foram registrados no Hospital João XXIII entre janeiro e abril de 2026.
Segundo a Fhemig, o hospital atende, por ano, uma média de 27 pacientes com algum corte provocado por linha com cerol. Conforme a fundação, o João XXIII recebe apenas os casos mais graves.
Veja o levantamento:
- 2026 (janeiro a abril): 08 casos
- 2025 – 24 casos
- 2024 – 32 casos
- 2023 – 28 casos
- 2022 – 26 casos
- 2021 – 26 casos
Ainda de acordo com a Fhemig, “a maioria dos casos é atendida nas UPAs”, esclareceu. Em nota enviada ao BHAZ, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) informou que o Serviço Móvel de Atendimento de Urgência (Samu) da capital já atendeu 5 ocorrências com linhas cortantes neste ano. Em 2025, o número registrado foi 16 e, em 2024, 12 casos.
Cerol e linha chilena
O uso, fabricação e venda de linhas com cerol são crimes no Brasil. O material é feito artesanalmente misturando cola e vidro moído, sendo aplicado em linhas utilizadas para soltar pipa. Depois de secar, o vidro adere ao fio e se transforma em uma espécie de serra ou lixa cortante.
Também é comum o uso da chamada “linha chilena”, que é um fio revestido com uma mistura altamente abrasiva, como pó de quartzo, óxido de alumínio e cola. O material é mais forte que o cerol tradicional e pode cortar objetos com facilidade.
Entenda
Ravi Oliveira, de 1 ano e 9 meses, morreu nesta quarta-feira (27) atingido por uma linha com cerol na rua 13, no bairro Arvoredo, na regional Ressaca, em Contagem, na Grande BH.
Segundo informações apuradas pelo BHAZ, uma pessoa não identificada estava soltando pipa com cerol na região e parte do fio teria ficado preso na parte de baixo de uma motocicleta.
O motociclista transitava pela rua 13 quando a linha esticou e o material cortante acabou atingindo a criança. O bebê estava brincando na calçada em um carrinho velotrol, sob responsabilidade da irmã, que viu todo o acidente.
De acordo com a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), ele foi socorrido pelo motociclista e levado por uma vizinha até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Santa Terezinha, na Pampulha, em BH. No local, a equipe ainda tentou reanimar Ravi por 20 minutos. No entanto, ele perdeu muito sangue em decorrência de um corte profundo no pescoço e morreu no local.












