O jovem acusado de decapitar a própria mãe em Belo Horizonte ficou em silêncio durante o interrogatório realizado na audiência que finalizou a instrução do processo nessa quinta-feira (8). Conforme a ata da sessão, o momento reservado à fala de Ritchie Glaycon Rodrigues Viana durou cerca de um minuto e 23 segundos.
Ele está preso desde 22 de junho de 2026, quando foi pego em flagrante e teve a prisão preventiva mantida pela Justiça. No dia 15 de julho, virou réu pelo assassinato da mãe, após a Justiça de Minas Gerais aceitar a denúncia do Ministério Público.
A audiência foi realizada pelo Tribunal do Júri 1º Sumariante de Belo Horizonte, no Fórum Lafayette. O procedimento começou às 13h53 e contou com a participação da juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, do Ministério Público, da Defensoria Pública, de testemunhas e do acusado, que está preso na Penitenciária Professor Jason Soares de Albergaria.
Antes do interrogatório do acusado, foram ouvidas sete testemunhas, cinco presencialmente e duas de forma remota. A ata registra que cinco delas pediram para prestar depoimento reservadamente, sem a presença do réu na videoconferência. As partes também desistiram de ouvir uma testemunha.
Crime
De acordo com a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), a ocorrência foi atendida por volta das 9h de 22 de junho. Vizinhos acionaram os militares após sentirem falta da mulher há cerca de três dias.
Ao chegarem ao apartamento, os policiais encontraram a porta trancada e precisaram arrombá-la. Dentro do imóvel, o filho da vítima, de 27 anos, estava sentado na sala, sem camisa, e confessou o crime. O corpo da mulher foi encontrado em um dos quartos.
Segundo a PM, o homem teria utilizado uma faca para cometer o crime. A corporação informou que ele demonstrou frieza ao relatar o que havia feito. Uma vizinha teria ouvido a vítima pedir para que o filho não a machucasse: “Não faz isso não, filho, eu te amo!”. Essa teria sido a última frase dita pela mulher.
Ainda conforme a PM, o suspeito teria retornado de Portugal havia cerca de seis meses e vinha tentando obrigar a mãe a deixar o apartamento. Após a prisão, ele foi encaminhado ao Hospital Odilon Behrens, onde recebeu atendimento médico.
A perícia da Polícia Civil esteve no local. As circunstâncias e a causa do crime serão apuradas.
Pedido de laudo
No dia 13 de julho, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) solicitou uma nova avaliação psiquiátrica do homem acusado de matar e decapitar a própria mãe, de 54 anos, em Belo Horizonte. A Promotoria informou que discorda do laudo pericial que apontou que o suspeito era inimputável no momento do crime, por apresentar um quadro psicótico, e pediu a reavaliação do exame.
A denúncia apresentada pelo MPMG sustenta que o acusado deve responder por feminicídio qualificado, com agravantes de motivo torpe, uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima e por o crime ter sido cometido contra a própria mãe. O órgão também pediu a manutenção da prisão preventiva.
Segundo a denúncia, o homem matou a mãe por estrangulamento e golpes de faca no pescoço e no tórax. Após a morte, ele teria decapitado a vítima. O laudo de necropsia apontou que as lesões provocadas durante o ataque foram a causa da morte.
O Ministério Público também relatou que a relação entre mãe e filho era marcada por violência psicológica, ameaças e controle. Conforme a investigação, o homem havia retornado de Portugal e morava com a vítima. Ele se recusava a trabalhar, exigia que a mãe arcasse com as despesas da casa, afirmava ser dono do imóvel e já teria impedido a entrada dela no apartamento em outras ocasiões.
O laudo psiquiátrico elaborado pela Polícia Civil, ao qual o BHAZ teve acesso, concluiu que o acusado apresenta quadro psicótico (CID-10 F29) e que, no momento do crime, estava totalmente incapaz de compreender o caráter ilícito dos próprios atos ou de se autodeterminar. O documento também recomendou tratamento em regime de internação psiquiátrica para estabilização do quadro clínico.
Próximos passos
Na própria ata de audiência, a juíza determinou abertura de prazo de dois dias, consecutivos, para que Ministério Público e e defesa apresentem as alegações finais por escrito. Após esse período, a magustrada decide se pronuncia ou não o réu. Caso ele seja pronunciado e a defesa não recorra, será julgado por um júri popular.










