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Filho vira réu por decapitar a própria mãe em BH

15/07/2026 às 14h00 - Atualizado em 15/07/2026 às 14h08
Mãe morta pelo próprio filho em BH suplicou pela vida
(Foto: Reprodução/Google Street View)

A Justiça de Belo Horizonte recebeu a denúncia do Ministério Público contra Ritchie Glaycon Rodrigues Viana, acusado de matar e decapitar a própria mãe em um apartamento na capital mineira. Com a decisão, assinada pelo juiz Roberto Oliveira Araujo Silva, da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Belo Horizonte, o homem passa a responder a uma ação penal.

Segundo a decisão, a denúncia foi aceita porque, de acordo com o contexto investigatório, havia elementos que justificavam a abertura do processo. Ritchie foi preso em flagrante no dia 22 de junho de 2026 e teve a prisão preventiva mantida pela Justiça.

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O juiz destacou que a prisão deve continuar devido à gravidade da conduta atribuída ao acusado. Conforme a denúncia, ele teria desferido múltiplos golpes de faca contra a mãe e realizado a decapitação da vítima. A decisão também cita um laudo de insanidade mental que apontou que o acusado apresenta quadro psicótico (CID-10 F29 – Psicose não-orgânica não especificada) e indicou a existência de periculosidade relacionada à impulsividade, com recomendação de tratamento em regime de internação.

A defesa ainda será citada para apresentar resposta à acusação no prazo de 10 dias. A Justiça também determinou a atualização dos antecedentes criminais do denunciado e informou que o Ministério Público deverá comunicar aos sucessores da vítima sobre a abertura da ação penal.

Crime

De acordo com a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), a ocorrência foi atendida por volta das 9h de 22 de junho. Vizinhos acionaram os militares após sentirem falta da mulher há cerca de três dias.

Ao chegarem ao apartamento, os policiais encontraram a porta trancada e precisaram arrombá-la. Dentro do imóvel, o filho da vítima, de 27 anos, estava sentado na sala, sem camisa, e confessou o crime. O corpo da mulher foi encontrado em um dos quartos.

Segundo a PM, o homem teria utilizado uma faca para cometer o crime. A corporação informou que ele demonstrou frieza ao relatar o que havia feito. Uma vizinha teria ouvido a vítima pedir para que o filho não a machucasse: “Não faz isso não, filho, eu te amo!”. Essa teria sido a última frase dita pela mulher.

Ainda conforme a PM, o suspeito teria retornado de Portugal havia cerca de seis meses e vinha tentando obrigar a mãe a deixar o apartamento. Após a prisão, ele foi encaminhado ao Hospital Odilon Behrens, onde recebeu atendimento médico.

A perícia da Polícia Civil esteve no local. As circunstâncias e a causa do crime serão apuradas.

Novo pedido de laudo

Nesta segunda-feira (13), o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) solicitou uma nova avaliação psiquiátrica do homem acusado de matar e decapitar a própria mãe, de 54 anos, em Belo Horizonte. A Promotoria informou que discorda do laudo pericial que apontou que o suspeito era inimputável no momento do crime, por apresentar um quadro psicótico, e pediu a reavaliação do exame.

A denúncia apresentada pelo MPMG sustenta que o acusado deve responder por feminicídio qualificado, com agravantes de motivo torpe, uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima e por o crime ter sido cometido contra a própria mãe. O órgão também pediu a manutenção da prisão preventiva.

Segundo a denúncia, o homem matou a mãe por estrangulamento e golpes de faca no pescoço e no tórax. Após a morte, ele teria decapitado a vítima. O laudo de necropsia apontou que as lesões provocadas durante o ataque foram a causa da morte.

O Ministério Público também relatou que a relação entre mãe e filho era marcada por violência psicológica, ameaças e controle. Conforme a investigação, o homem havia retornado de Portugal e morava com a vítima. Ele se recusava a trabalhar, exigia que a mãe arcasse com as despesas da casa, afirmava ser dono do imóvel e já teria impedido a entrada dela no apartamento em outras ocasiões.

O laudo psiquiátrico elaborado pela Polícia Civil, ao qual o BHAZ teve acesso, concluiu que o acusado apresenta quadro psicótico (CID-10 F29) e que, no momento do crime, estava totalmente incapaz de compreender o caráter ilícito dos próprios atos ou de se autodeterminar. O documento também recomendou tratamento em regime de internação psiquiátrica para estabilização do quadro clínico.

Lavínia Fernandes

Jornalista formada pela PUC Minas. Publicou um artigo sobre alfabetização midiática pela Intercom. Foi estagiária de assessoria de comunicação na ALMG. Repórter no BHAZ desde novembro de 2024.
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