Bar do Cabral resiste! Conversamos com a dona do point queridinho entre alunos da UFMG

Bar do Cabral UFMG
O Bar do Cabral está fechado desde o início da pandemia, em 2020 (Sofia Leão/BHAZ)

Quem é estudante da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) ou mora nas proximidades do campus Pampulha, com certeza conhece o Cabral’s Bar, ou Bar do Cabral, como é popularmente chamado. Com a retomada das atividades presenciais na universidade, o estabelecimento também anunciou, ao BHAZ, seu retorno. Boatos nas redes sociais diziam que o local, fechado desde o início da pandemia, teria encerrado as atividade em definitivo. Os rumores foram desmentidos por Silvânia Ferreira Cabral, proprietária do bar, em conversa com a reportagem.

A volta gradativa às atividades presenciais foi anunciada para o dia 13 de outubro. Com isso, Silvânia diz que deverá esperar uma semana antes de reabrir o bar. “Está tudo tranquilo. Não fechamos em definitivo, e estou disposta a retornar no dia 19 de outubro, logo após a volta dos alunos”, explica ao BHAZ.

O bar está presente no local há mais de 40 anos, e tem uma relação de carinho com os estudantes. “A gente acaba aprendendo muita coisa com eles. Já virei até ‘psicóloga’ de alguns”, conta a proprietária bem-humorada. “Eles são muito compreensivos, na hora que falo que vou fechar, todo mundo vai embora e ajuda”, continua.

Frequentado principalmente às quintas-feiras, o Cabral era conhecido por reunir centenas de estudantes da UFMG todas as semanas, na calçada da avenida Presidente Antônio Carlos. Com a pandemia de Covid-19, o isolamento social e o ensino remoto adotado pela universidade, o bar faz falta na rotina dos alunos.

Boatos desmentidos

Mensagens compartilhadas pelo WhatsApp e publicações no Twitter feitas por estudantes da UFMG sinalizavam que o Cabral teria fechado definitivamente. Além disso, um cartaz de “aluga-se” colado no bar teria feito quem passava pelo local pensar que o estabelecimento estaria disponível para aluguel.

Internautas ainda comentaram que os donos do estabelecimento teriam se mudado de BH, impulsionando ainda mais os boatos de que o Cabral não voltaria a brir. “O bar fica em cima de uma casa, aí o cartaz é somente para o aluguel desse imóvel, não tem relação com a gente. E eu realmente me mudei para Lagoa Santa [na Grande BH], mas o bar segue firme e forte”, explica Silvânia.

“Eu vou lá [no bar] de 15 em 15 dias para lavar e deixar tudo organizado, limpinho, enquanto aguardamos o retorno. O Bar do Cabral é uma lenda, não pode acabar nunca”, comenta ela em tom alegre. “No retorno vai ter cervejinha gelada, e com preço justo, como sempre foi”, continua.

Bar do Cabral volta a funcionar em outubro (Sofia Leão/BHAZ)

Resistência

O BHAZ esteve na região e constatou que, ao redor do Cabral, outros bares que reuniam alunos da UFMG acabaram fechando definitivamente durante o período de restrições imposto pela pandemia. Quem trabalha no local comenta que, com a suspensão das aulas presenciais na universidade e sem os estudantes frequentando o Cabral, o movimento na avenida caiu drasticamente.

Com isso, Silvânia Cabral ainda faz um apelo aos estudantes, para que o movimento retorne ao normal quando for possível: “Meus amores, não me abandonem, conto com vocês!”.

Cabral faz falta

Para os estudantes da UFMG, a experiência universitária não é completa sem a socialização com os colegas, e os encontros no Cabral fazem parte disso. Durante a pandemia, várias publicações nas redes sociais mostram a saudade que os alunos sentem de frequentar o bar.

“O Cabral era basicamente o refúgio de todos os estudantes da UFMG. Todo dia tinha gente lá, mas quinta-feira era o dia mais intenso, e você tinha contato com todo mundo, de todos os cursos e semestres possíveis. Era realmente um ponto de união dos estudantes”, conta Mariana Marques, que cursa publicidade e propaganda, ao BHAZ.

“O Cabral era uma representação social de encontro, de ver as pessoas, se comunicar, se conhecer. Sem ele, isso se perderia ainda mais depois que o ritmo normal da faculdade voltar. Seria uma grande perda para todos os alunos da UFMG”, completa a estudante de 23 anos.

Para quem nunca pisou no campus Pampulha, então, a vontade de conhecer o Cabral é ainda maior. Vários estudantes que passaram a estudar na UFMG durante a pandemia nem chegaram a conhecer pessoalmente seus colegas de sala, os professores e o ambiente da universidade.

O estudante de direito Miguel Leão, de 19 anos, já estuda na UFMG há quase um ano mas continua morando em Goiânia, enquanto as aulas presenciais não voltam. Para ele, a socialização com os colegas faz falta e tira parte da experiência universitária completa.

“Não poder sair para um bar para socializar e sair desse ambiente didático é muito ruim, não tem como falar que estou realmente aproveitando a faculdade. Meus pais, amigos, meu irmão, todo mundo que já fez faculdade comenta que você conhece muita gente nova, e é algo que não estou vivendo”, relata.

Edição: Roberth Costa
Vitor Fernandes
Vitor Fernandesvitor.fernandes@bhaz.com.br

Editor e repórter do BHAZ desde fevereiro de 2017. Jornalista graduado pela PUC Minas, com experiência em redações de veículos de comunicação. Trabalhou na gestão de redes do interior da Rede Minas e na parte esportiva do Portal UOL. Com reportagens vencedoras nos prêmios CDL (2018, 2019 e 2020), Sindibel (2019) e Sebrae (2021).

Sofia Leão
Sofia Leãosofia.leao@bhaz.com.br

Repórter do BHAZ desde 2019 e graduanda em jornalismo pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Participou de reportagem premiada pela CDL/BH e pelo Prêmio Sebrae de Jornalismo em 2021, além de figurar entre os finalistas do Prêmio Cláudio Weber Abramo de Jornalismo de Dados.

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