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Prefeitura de BH sabia de problemas em barragem da Lagoa do Nado há cinco anos, indica relatório

15/11/2024 às 14h02
Lagoa do Nado fica dentro do parque de mesmo nome, na região da Pampulha (Reprodução/PBH)

A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) sabia, há pelo menos cinco anos, de problemas e necessidade de adequações na barragem da Lagoa do Nado, rompida nessa quarta-feira (13). Dentre as possíveis obras aconselhadas ao município estava a construção de um novo muro de contenção para o espelho d’água.

O alerta foi feito à prefeitura em 2019, pela empresa Engesolo no “Diagnóstico Preliminar das Condições de Estabilidade da Barragem da Lagoa do Nado”.

Segundo documentos do próprio município, o relatório “identificou a necessidade de adequações no barramento para melhoria nos fatores de segurança quanto à estabilidade frente às normas técnicas vigentes atualmente, propondo, inclusive, sua substituição por novo barramento de terra a jusante”.

Arquivos revelados pelo vereador Bráulio Lara (Novo) mostram que em agosto de 2021, a empresa Strata fez parecer sobre as condições de estabilidade da Barragem do Nado 3 e o documento “pontuou as mesmas considerações levantadas pela ENGESOLO anteriormente”.

Elaborado em dezembro de 2021, o Plano de Segurança da Barragem Parque Lagoa do Nado pontuou que, dentre as medidas necessárias para o reservatório, estão:

  • Elaborar projeto de otimização da Barragem do Parque Lagoa do Nado, de modo que atenda aos critérios de projeto vigentes e fatores de segurança mínimos preconizados;
  • Elaborar e executar projeto de instrumentação em acordo com o projeto de estabilização da Barragem do Parque Lagoa do Nado, de forma que a posição da freática e percolações pelo maciço e fundação sejam monitorados;
  • Elaborar estudos em que sejam concebidas análises de impacto, viabilidade e projetos em níveis conceitual, básico e executivo, para avaliação de alternativas de ajuste do sistema extravasor.

Os apontamentos técnicos levaram a Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura de BH a iniciar, no fim de 2022, a contratação de uma empresa com o objetivo de oferecer “serviço técnico profissional especializado para elaboração de estudos e projetos executivos para adequações no barramento do Parque Municipal Fazenda Lagoa do Nado”.

A contratação foi homologada no dia 17 de outubro de 2023. O contrato tem vigência de 510 dias corridos a partir da assinatura, sendo o prazo de 360 dias para a execução dos serviços contratados. O valor estimado é de R$ 1,2 milhão.

A reportagem procurou a prefeitura para comentar sobre as adequações indicadas no relatório e aguarda retorno. Até então, o município estava alegando que a barragem estava dentro da normalidade. Técnicos do Executivo municipal acreditam que o excesso de água durante o temporal desta semana possa ter causado o rompimento. A suspeita é que a água tenha ultrapassado a crista da barragem, causado assoreamento e, em seguida, a ruptura.

Parque Lagoa do Nado

A lagoa rompida fica dentro do Parque Municipal Fazenda Lagoa do Nado, no bairro Itapoã, na região da Pampulha. Ele tem uma área de aproximadamente 311 mil metros quadrados e foi implantado em 1994, segundo dados da Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica de BH.

O local conta com uma infraestrutura composta por biblioteca, sala multimeios, teatro de bolso, teatro de arena, quadras poliesportivas, pista se skate, campo de futebol, pista para caminhadas e viveiro de mudas. Diversas atividades culturais são realizadas no parque.  

A vegetação do parque é composta por espécies do Cerrado e por uma Mata Ciliar que circunda a lagoa. Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais identificaram no local cerca de 130 espécies de árvores, sendo 75% nativas, com destaque para o ipê, aroeira branca, urucum, jatobá, barbatimão, quaresmeira e goiaba brava.

A fauna conta com aves como pica-pau, biguá, coruja, frango d’água, anu, alma de gato, trinca ferro e mamíferos, como mico-estrela, gambá, esquilo-caxinguelê, tatu, morcego, além de lagartos, cágados, anfíbios e peixes. 

Pablo Nascimento

Jornalista formado pela PUC Minas e pós-graduado em produção digital pelo Uni-BH. Focado na cobertura de cidades, passou por redações de TVs e portal de notícias. Como repórter, conquistou prêmios com reconhecimento estadual e nacional, em diferentes plataformas. Preza por unir precisão da informação à produção de conteúdo multiplataforma.
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