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‘Bater a laje no céu da boca’: Autora explica significado de frase provocativa em BH

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bater a laje no ceu da boca

Bater a laje no céu da boca? A Festa da Luz começa a iluminar as ruas de Belo Horizonte na noite de hoje (23) em sua terceira e maior edição. Uma das instalações já é bastante conhecida do público e está de volta em 2024.

O letreiro “bater a laje no céu da boca dos nossos sonhos” foi lançado na segunda edição da Festa da Luz e levantou debates. Mas, afinal, o que quer dizer a frase? O BHAZ conversou com Nivea Sabino, autora da obra, para entender.

Em conversa com o BHAZ, Nívea revela que a obra foi pensada exclusivamente para a Festa da Luz. A artista conta que a frase polêmica fez parte de um conjunto com seis opções apresentadas à curadoria do evento. Mas no fim das contas, “bater a laje no céu da boca dos nossos sonhos” foi a escolhida.

E não poderia mesmo ser outra: “A minha intenção era isso aí. A arte vem para provocar e fazer essa reflexão”, afirma Nívea, que é poetisa há mais de dez anos.

Ela explica que a expressão “bater laje” é bastante utilizada entre os membros do coletivo de teatro Segunda Preta, do qual faz parte. “Bater laje é uma expressão antiga que diz desse mutirão, dessa coletividade para reerguer. Essa expressão fala desse convite para a coletividade, para a gente se juntar”.

Já o céu da boca representa algum tipo de objetivo, algo distante. “O céu da boca é o que eu quero alcançar”, diz ela entre risadas. Nesse sentido, a obra fala sobre um trabalho coletivo para alcançar sonhos no contexto do Brasil atual.

“O que eu desejo é que nossos sonhos se concretizem literalmente. Então é uma provocação que eu deixo também sobre nós que fazemos arte no Brasil. Eu enquanto poeta independente sou resultado do movimento social de Belo Horizonte. De gente que ocupou as ruas da cidade”, finaliza. Neste ano, o letreiro está na porta do edifício Sula.

Repercussão nas redes

Nas redes sociais, a frase acabou virando pauta de discussões de internautas que tentavam desvendar o significado das palavras. Algumas publicações sobre a frase foram, inclusive, compartilhadas pela autora no Instagram. “A revolução será DE.BO.CHA.DA”, escreveu ela.

Para Nívea, a variedade de interpretações é algo inerente do fazer artístico. “A arte está aí para fazer provocação. A interpretação é bem livre e é massa esse movimento. A minha frase pode levar para um pensamento ou às vezes a pessoa só quer tirar uma foto e ficar de boa”, brinca.

“Através dessa reverberação a gente pode trocar uma ideia. A gente vai abrir um leque enorme de interpretações, que é o que está acontecendo, que eu acho lindo. A poesia mora onde a subjetividade quer”, finaliza.

Isabella Guasti

Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e repórter do BHAZ desde 2021. Participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022 e também de reportagem premiada pelo Sebrae Minas em 2023.

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