Exames não descartam coronavírus em mineira; paciente está isolada em hospital de BH

Hospital Eduardo de Menezes é referencia em infectologia na capital (@e_luosi/Twitter/Reprodução + Google Street View/Reprodução)

A suspeita de coronavírus ainda não está descartada em uma paciente mineira internada no Hospital Eduardo de Menezes, na região do Barreiro, em Belo Horizonte. Caso a doença se confirme, o “índice de alerta” tende a aumentar na capital, segundo um especialista. O Ministério da Saúde investiga a possibilidade da enfermidade em outros oito pacientes no país.

Exames feitos pela Funed (Fundação Ezequiel Dias) descartaram nove doenças na jovem de 22 anos. São elas:

  • Infuenza A
  • Influenza B
  • Adenovírus
  • Bocavírus
  • Metapneumovírus
  • Parainfluenza 1
  • Parainfluenza 2
  • Parainfluenza 3
  • Vírus sincicial respiratório

Procurada pelo BHAZ, a SES-MG (Secretaria de Estado de Saúde) informou que o resultado do exame específico para o coronavírus será divulgado pelo Ministério da Saúde e Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). Essas instituições têm a tecnologia necessária para confirmar ou não a doença. A expectativa é de que isso aconteça nesta sexta-feira (31).

+ OMS declara estado de emergência global em razão do coronavírus

A jovem segue internada e isolada no Hospital Eduardo de Menezes há cinco dias. A mineira fez intercâmbio estudantil em Wuhan (China) e apresentou os sintomas em 20 de janeiro.

Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) foram confirmados 8.235 casos do novo coronavírus (2019-nCoV) no mundo. Destes, 8.124, o que corresponde a 98,7% do total de casos, foram notificados pela China.

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Aumento no índice de alerta

Caso a enfermidade se confirme na paciente o que será preciso fazer? O infectologista Carlos Starling esclarece ao BHAZ, que o “índice de alerta” deverá aumentar em BH.

“O que modifica é o acompanhamento com as pessoas que ela teve contato no ambiente domiciliar, mas isso já vem acontecendo. Claro que vamos ficar mais atentos para a possibilidade de casos secundários, tendo como base o que vem acontecendo nos EUA, de transmissão domiciliar, mas a situação não muda tanto. Basicamente, vai aumentar o nível do índice de alerta”, afirmou.

Os principais sintomas do coronavírus são tosse, febre e dificuldade de respirar. “Se alguma pessoa apresentar esses sinais, o recomendado é procurar o médico imediatamente e ter a consciência de usar máscara ao sair na rua”, disse Starling.

Evitar circular em locais com grande número de pessoas e lavar as mãos, com frequência, são medidas importantes de serem tomadas.

Histórico

Os coronavírus são conhecidos desde meados dos anos 1960 e já estiveram associados a outros episódios de alerta internacional nos últimos anos. Em 2002, uma variante gerou um surto de síndrome respiratória aguda grave (Sars) que também teve início na China e atingiu mais de 8 mil pessoas. Em 2012, um novo coronavírus causou uma síndrome respiratória no Oriente Médio que foi chamada de Mers.

A atual transmissão foi identificada em 7 de janeiro. O escritório da OMS na China buscava respostas para casos de uma pneumonia de etiologia até então desconhecida que afetava moradores na cidade de Wuhan. No dia 11 de janeiro foi apontado um mercado de frutos do mar como o local de origem da transmissão. O espaço foi fechado pelo governo chinês.

Emergência no mundo

A OMS declarou nessa quinta-feira (30) estado de emergência global em razão da disseminação do coronavírus. A entidade fez o anúncio à imprensa em sua sede, em Genebra, na Suíça, após uma reunião com especialistas.

Vitor Fórneasvitor.forneas@bhaz.com.br

Repórter do BHAZ de maio de 2017 a dezembro de 2021. Jornalista graduado pelo UniBH (Centro Universitário de Belo Horizonte) e com atuação focada nas editorias de Cidades e Política. Teve reportagens agraciadas nos prêmios CDL (2018, 2019 e 2020), Sebrae (2021) e Claudio Weber Abramo de Jornalismo de Dados (2021).