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É de BH! Casa do Kdu dos Anjos, na Serra, vence concurso internacional de arquitetura

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casa kdu dos anjos
A casa artista Kdu dos Anjos, no Aglomerado da Serra, venceu a categoria Casa do Ano no concurso internacional de arquitetura ArchDaily (Leonardo Finotti/Divulgação)

O Aglomerado da Serra, a maior favela de Minas Gerais, acordou com uma importante conquista nesta quinta-feira (23). A casa artista Kdu dos Anjos, localizada na comunidade Pomar do Cafezal, venceu a categoria Casa do Ano no concurso internacional de arquitetura ArchDaily.

Ao BHAZ, Kdu conta que ainda não “caiu a ficha” de que o trabalho empenhado em seu barraco tenha chegado tão longe. Para o artista, é muito simbólico e importante ver o “Serrão” ser reconhecido mundo a fora.

“Eu fiquei uns minutos sem acreditar, mas no fundo a gente já sabia que ia dar certo. Só por termos furado bolhas, já é um reconhecimento. Hoje eu não dormi direito, de manhã acordei com a notícia e agora tá uma loucura aqui”, brinca ele.

‘Quem constrói a cidade somos nós, favelados’

O concurso reuniu construções de diferentes países e recebeu mais de 150 mil votos. O projeto da casa do Kdu se utiliza de materiais próprios da periferia com atenção especial à iluminação e ventilação, resultando em um espaço aconchegante e ao mesmo tempo sofisticado.

“Eu acho que é muito significativo botar a favela no topo do mundo porque a nossa arquitetura sempre foi tida como ruim, como medíocre e mal feita. Mas, na verdade, quem constrói as cidades somos nós, os favelados”, destaca ele.

“É pela precariedade do material, pela falta de pessoas como as que fizeram a minha casa e pela falta estudos arquitetônicos é que as favelas caem. Mas a notícia de hoje é diferente: a favela conquistou o mundo”, comemora ele, bastante emocionado.

Proposta inovadora

O artista explica que a casa, de 66 metros quadrados, foi construída, propositalmente, com tijolos expostos, sem reboco e pintura. “Ela é uma casa que tem uma pegada industrial. A gente não tem energia elétrica ou cano dentro das paredes, é tudo externo”.

Ele destaca ainda a disposição dos tijolos na horizontal. “Além de ter uma estética rústica, ele consegue espantar o calor por ser deitadinho”, diz.

“O chão é de cimento queimado. Os pedreiros falavam que eu tinha que colocar porcelanato pela estrutura da obra, mas queria cimento queimado, que lembra casa de vó”.

Outro fator chave no projeto são as três principais janelas, que se comportam como portas. “É como se fosse uma folha que abre de fora a fora, então a casa fica totalmente escancarada para receber ventilação”.

“É uma casa pequena, mas ela sustenta todo o beco. É a última casa do beco e ela sustenta todo o beco, que deve ter umas quinze casas”, conta orgulhoso.

Veja algumas fotos da casa do Kdu dos Anjos

(Leonardo Finotti/Divulgação)
(Leonardo Finotti/Divulgação)
(Leonardo Finotti/Divulgação)
(Leonardo Finotti/Divulgação)
(Leonardo Finotti/Divulgação)

Larissa Reis

Graduada em jornalismo pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e repórter do BHAZ desde 2021. Vencedora do 13° Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão, idealizado pelo Instituto Vladimir Herzog. Também participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.

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