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Conceição Evaristo recebe Doutora Honoris Causa da UFMG e é 1ª mulher negra a receber honraria

30/09/2025 às 10h13
Conceição Evaristo
Foto: Raphaella Dias l UFMG

A poetisa, escritora, professora e ativista da cultura negra belo-horizontina Conceição Evaristo recebeu o título de Doutora Honoris Causa pelo Conselho Universitário da UFMG nessa segunda-feira (29). Ela se tornou a primeira mulher negra a receber o título.

A decisão para conceder a honraria à autora foi tomada pelo Conselho Universitário, em abril, e faz parte das ações celebrativas do centenário da UFMG, que ocorre entre setembro de 2026 a setembro de 2027.

Em coletiva, a escritora conta que saiu do estado para se realizar na carreira, mas que voltar é sempre uma honra. “Voltar é como fazer as pazes com Minas, é como Minas tivesse me devolvendo o que está em falta.”

A honraria traz a ela o reconhecimento da vida e obra. “Mais do que isso, me dá certeza de que o que me traz aqui é a Literatura.”

O título de Doutor Honoris Causa é concedido pelas universidades para pessoas que prestaram contribuições relevantes à ciência, à tecnologia ou à cultura. A honraria já foi entregue a nomes como Juscelino Kubitschek, ex-presidente do Brasil e o escritor José Saramago.

Conceição Evaristo foi a primeira mulher negra a ingressar na Academia Mineira Letras (AML), onde ocupa a Cadeira 40. A autora tem obras traduzidas para diversos idiomas, e estudas em universidades do Brasil e do exterior.

Sobre Conceição Evaristo

Nascida em 1946, Conceição é autora de romances, contos, poemas, e ensaios fundamentais da literatura contemporânea. Criadora do conceito ‘escrevivência’, em que a memória pessoal e experiência coletiva se entrelaçaram na escrita, se tornou referência mundial no debate da literatura, gênero e raça.

Ensaísta e docente universitária, Conceição Evaristo, antes de chegar na Academia Mineira de Letras, teve sua primeira publicação lançada em 1990 na série Cadernos Negros, antologia coordenada pelo grupo Quilombhoje, coletivo de escritores afro-brasileiros de São Paulo.

Sua primeira obra individual, “Ponciá Vicêncio” (2003), foi publicada quando a escritora já tinha 57 anos. Na sequência, veio “Becos da Memória” (2006), ambas publicadas pela Mazza Edições, sendo seguidas por “Poemas da Recordação e Outros Movimentos” (2008) e “Insubmissas Lágrimas de Mulheres” (2011), ambos pela Editora Nandyala.

Maria da Conceição Evaristo nasceu na favela do Pindura Saia, na região Centro-Sul da capital mineira, em 29 de novembro de 1946, e sintetiza em sua obra a vivência que carrega. Seus trabalhos abrangem uma variedade de gêneros, incluindo poesia, contos, romances e ensaios.

Seus trabalhos mais recentes são “Canção Para Ninar Menino Grande” (Pallas) e “Macabeá: Flor de Mulungu” (Oficina Raquel).

Mariana Brandão

É estudante de jornalismo pela PUC Minas e repórter do BHAZ desde setembro de 2025. Atuou na TV Horizonte e na comunicação interna da ALMG. Ganhou o prêmio na categoria de Assessoria de Imprensa do Expocom Sudeste com ações realizadas no Quilombo de Pinhões e o Prêmio Sebrae 2025 a categoria Jornalismo Universitário com a matéria “Empreendedores nas favelas: do Aglomerado ao Cabana”
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Mariana Brandão

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