‘Feijão tropeiro, ué’: Crianças dão show de mineiridade em chamada de escola e vídeo viraliza

chamada mineira
‘Doce de leite pra comer com queijinho’, ‘galinha caipira’ e até ‘tutu de feijão’ são lembrados pelos alunos (Reprodução/@fernandagtaveira/TikTok)

Alunos do ensino fundamental de uma escola de Ibirité, na Grande BH, deram uma aula de fofura na última semana e mostraram que não há idade para se apaixonar pela culinária mineira. Tudo começou depois que a professora, Fernanda Taveira, sugeriu uma chamada diferente, pedindo para que cada criança dissesse uma palavra com determinada inicial.

“Milena, me fala uma palavra com a letra Q”, pede a docente, que é surpreendida pela palavra “Queijinho”. A deixa da colega acaba inspirando o próximo aluno da chamada, Murilo, que responde “Cafézinho” quando Fernanda lhe pede uma palavra com a letra “C”.

“Doce de leite pra comer com queijinho”, “galinha caipira”, “feijão tropeiro” e até “tutu de feijão” são lembrados pelos próximos alunos, e a chamada pra lá de mineira já soma mais de 200 mil curtidas nas redes sociais. Ao BHAZ, a professora de Educação Física responsável pela dinâmica conta que tem inserido esse tipo de atividade no dia a dia dos alunos de 6 a 7 anos desde o retorno ao presencial.

“Tava muito frio aquele dia e a aula era um horário antes do recreio. A comida na escola que eu trabalho é maravilhosa, o cheirinho invade a sala, sabe? Eles começaram a falar e, como o primeiro falou de comida, os outros todos foram seguindo aquela linha. Tem até um vídeo fofíssimo que eu perdi deles tentando falar ‘ora-pro-nóbis'”, explica a professora.

@fernandagtaveira

Esse vídeo vai salvar seu dia ❤️

♬ som original – Fernanda G. Taveira

Alunos se empolgam com a atividade

Fernanda conta que a alfabetização da turma aconteceu de forma gradual e eles logo se empolgaram com a ideia de participar mais ativamente das aulas. A ideia de fazer uma chamada diferente do convencional surgiu do TikTok, onde vários outros professores já compartilharam atividades similares.

“No começo do ano, como eles ainda eram bem novinhos, eu que falava a palavra, depois dizia: ‘essa palavra começa com a letra tal’ e escrevia no quadro. A medida que o tempo foi passando, eu falava a palavra e eles mesmos me diziam com qual letra ela começava. Depois foi dificultando até a gente chegar nesse ponto de eu chamar o nome, pedir uma palavra e eles darem conta de responder”, explicou ela.

Apesar de já estar acostumada com o ambiente das redes sociais, já que também trabalha com elas, a professora conta que tem se surpreendido com a repercussão do vídeo. Para ela, é importante que as pessoas saibam que uma educação pública e de qualidade é possível.

“Eu trabalho em escola pública e às vezes eu sinto que a gente precisa ficar reforçando muito que a educação pública não é uma educação ruim, que tem gente ali realmente tentando fazer alguma coisa de bom naquele ambiente”, reforça a professora.

Edição: Roberth Costa
Larissa Reislarissa.reis@bhaz.com.br

Graduada em jornalismo pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e repórter do BHAZ desde 2021. Vencedora do 13° Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão, idealizado pelo Instituto Vladimir Herzog.

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