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Criaturas hiper-realistas chegam a BH após atrair um milhão de visitantes em outras capitais

12/10/2016 às 15h44 - Atualizado em 18/10/2016 às 16h26
Divulgação/CCBB-BH

Repulsa e compaixão, estranhamento e afeto, inquietação e serenidade. A mistura de sentimentos é um relato comum aos quase um milhão e meio de visitantes que contemplaram no Brasil as obras da série ComCiência, da artista australiana Patricia Piccinini. Ao longo deste ano, a exposição já passou por Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo.

E é chegada a vez de Belo Horizonte receber as criaturas hiper-realistas. O CCBB (Centro Cultural do Banco do Brasil) inaugura, nesta quinta-feira (12), a exposição.

Criando um universo com criaturas estranhas que parecem estar vivas, a artista plástica Patricia Piccianni, à primeira vista, provoca repulsa no público. “The Big Mother”, por exemplo, representa uma figura agigantada, assemelhada a uma macaca, que amamenta a figura de um bebê humano. A pele enrugada, os pelos do corpo e o olhar surpreendentemente sereno, provoca, incomoda e estimula a reflexão. As obras ficam expostas até janeiro de 2017.

'The Big Mother', de Patricia Piccinni (Divulgação)
‘The Big Mother’, de Patricia Piccinni (Divulgação)

Da mesma forma incomoda a escultura “The Comforter”. Enquanto uma criança com o corpo coberto de pelos negros afaga, em seu colo, uma criatura indecifrável — uma massa branca disforme com pés de bebê —, o público é acometido, simultaneamente, por sentimentos como repugnância e compaixão.

Afinal, como não notar o afeto diante da obra “The Long Awaited”? Nessa peça, uma criatura que parece ter sido retirada do mar abissal — fruto de uma mutação genética entre um primata e um peixe — descansa no colo criança figurada em hiper-realismo. Mais uma vez, a serenidade e ternura invocadas pelo momento são confrontadas com a figura repugnante — porém amável — da criatura.

Esse confronto de sentimentos, bem com a descoberta de afetos por criaturas que nos são estranhas é, para o gerente de programação do CCBB-BH, Francisco Gomes, o principal impacto provocado pelas obras.

“Nossas emoções e nossos afetos são mais livres e libertários do que nossa razão. A gente pode depositar afetividade e amor em situações que a gente não imaginaria, por objetos e criaturas que, em um primeiro momento, a gente não despertaria esse sentimento” avalia, em entrevista à TV Globo Minas.

'The Conforter', de Patricia Piccinni (Reprodução)
‘The Comforter’, de Patricia Piccinni (Reprodução)

ComCiência

A primeira exposição individual de Patricia Piccinini no Brasil — que fez sua estreia em São Paulo — tem o objetivo de trazer a discussão sobre mutações genéticas para o território da arte. Ela se utiliza do realismo como linguagem, apresentando ao espectador um universo de criaturas desconhecidas, porém palpáveis e surpreendentemente afetuosas.

ComCiência, um neologismo que carrega sentido duplo, conectando os termos consciente e ciência, propõe ao público um percurso narrativo entre esculturas, desenhos, fotografias e vídeos.

Na próxima quinta-feira (13), às 19h30, também no CCBB-BH, a autora das obras, Piccinni, e o curador da exposição, Marcello Dantas, farão uma palestra na qual discutirão questões relacionadas à arte e à ciência no mundo contemporâneo. A entrada é gratuita, mas é necessária a retirada de senha uma hora antes do início.

Já a exposição ComCiência fica na programação do CCBB-BH entre 12 de outubro e 9 de janeiro de 2017. A entrada é franca.

Serviço 

Local: Centro Cultural do Banco do Brasil (praça da Liberdade, 450, Funcionários).

Horário: de 4° a 2°, das 9h às 20h.

Informações: (31) 3431-9400

Guilherme Scarpellini

Guilherme Scarpellini é redator de política e cidades no Portal BHAZ.

Guilherme Scarpellini

Guilherme Scarpellini é redator de política e cidades no Portal BHAZ.

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