TikTok
Youtube
X (Twitter)
Instagram
Facebook
Whatsapp

Em apenas três dias, BH registra quatro casos de violência contra mulher

22/07/2026 às 15h34
Stifanie Silva e Michelle Leão
Stifanie Silva e a capitã da PM Michelle Leão foram mortas nesta semana (Reprodução redes sociais)

Nos últimos três dias, foram registrados quatro casos de violência contra mulher, dois feminicídios consumados e dois tentados, em Belo Horizonte. As ocorrências, registradas entre segunda-feira (20) e esta quarta-feira (22), envolvem a morte da capitã da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) Michelle Leão Azevedo, de 41 anos, o assassinato de Stifanie Firmino Silva, de 35, uma mulher de 31 anos que sobreviveu após ser arremessada da sacada de um imóvel pelo companheiro e uma idosa de 64 anos agredida pelo marido no bairro Serra. Os casos ocorrem em meio ao aumento dos registros de violência contra a mulher na capital.

Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) mostram que Belo Horizonte registrou 10.137 casos de violência contra a mulher entre janeiro e junho de 2026. No mesmo período de 2025, foram contabilizadas 9.418 ocorrências, o que representa um aumento de 7,63% em um ano.

No recorte dos feminicídios, a capital registrou 21 casos no primeiro semestre de 2026. Desse total, 15 foram classificados como tentativas de feminicídio e seis como feminicídios consumados.

Os números reforçam o cenário grave de violência contra mulheres na cidade, que voltou a chamar atenção nesta semana após quatro ocorrências registradas em um intervalo de apenas três dias.

Capitã da PM foi deixada morta em hospital pelo companheiro

A capitã da Polícia Militar de Minas Gerais Michelle Leão Azevedo, de 41 anos, foi deixada morta no Hospital Odilon Behrens, em Belo Horizonte, na noite de segunda-feira (20). O principal suspeito é o companheiro dela, o também policial militar Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, preso em flagrante e que permanece em uma unidade da PM.

Segundo o boletim de ocorrência, a oficial apresentava diversas lesões traumáticas pelo corpo, incluindo traumatismo craniano, hematomas, ferimentos nos membros, marcas compatíveis com chicotadas e um extenso ferimento na cabeça. Em depoimento, o sargento afirmou que o casal havia consumido bebidas alcoólicas e ecstasy durante uma confraternização e alegou que Michelle caiu da escada da residência antes de morrer. A Polícia Civil, no entanto, informou ter indícios suficientes para o flagrante por feminicídio.

Durante a perícia, foi apreendido um cabo de madeira quebrado que pode ter sido utilizado nas agressões. Investigadores também encontraram roupas de cama lavadas e ainda molhadas na máquina, além de recolherem o celular do suspeito e uma substância semelhante ao ecstasy. A prisão foi convertida em preventiva pela Justiça, que também decretou sigilo no processo.

O caso ganhou novos desdobramentos com relatos de familiares e vizinhos. O tio da capitã, Márlon Leão, pediu que os participantes da confraternização realizada antes da morte prestem depoimento e “falem a verdade” sobre o que aconteceu. A Polícia Militar também confirmou que Eduardo possuía registros anteriores por violência doméstica e descumprimento de medida protetiva contra uma ex-companheira. Familiares da vítima também relataram um histórico de relacionamento abusivo, enquanto vizinhos afirmaram ter presenciado discussões frequentes entre o casal.

Mulher foi encontrada morta em apartamento no bairro Camargos

Stifanie Firmino Silva, de 35 anos, foi encontrada morta na segunda-feira (20), dentro do apartamento onde morava, no bairro Camargos, na região Oeste de Belo Horizonte. Imagens de segurança registraram o momento em que André Junior Silva de Carvalho, de 24 anos, deixou o imóvel com malas e mancando. Ele se entregou à polícia, foi preso e confessou o crime.

A Polícia Civil investiga a possibilidade de que o suspeito tenha saqueado o apartamento da vítima. Após prestar depoimento no Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), André foi levado para reconhecer pertences que teriam sido furtados do imóvel.

As investigações também apuram as circunstâncias da morte. Amigas e vizinhos relataram terem percebido mudanças no comportamento de Stifanie antes de ela ser encontrada sem vida. A estranheza com mensagens enviadas do celular da vítima e o silêncio no apartamento levaram pessoas próximas a acionarem a polícia, que encontrou o corpo no imóvel.

Mulher sobrevive após ser arremessada de sacada no Jonas Veiga

Uma mulher de 31 anos foi socorrida após ser arremessada da sacada de um imóvel pelo companheiro na manhã de terça-feira (21), no bairro Jonas Veiga, na região Leste de Belo Horizonte. Segundo a Polícia Militar, a vítima caiu do terceiro para o segundo andar da residência e sobreviveu.

Os militares encontraram a mulher parcialmente despida, com o sutiã rasgado e intenso sangramento na cabeça. O homem, de 30 anos, foi preso em flagrante por feminicídio tentado, dano qualificado e desacato.

De acordo com a PM, uma amiga da vítima contou que ela ligou durante a madrugada pedindo socorro. Ao chegar ao imóvel, a testemunha afirmou ter encontrado o suspeito agredindo a mulher com garrafas de bebida alcoólica, além de socos e chutes, antes de ela ser arremessada da sacada. A amiga também disse que tentou intervir, mas acabou sendo agredida.

A vítima foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhada ao Hospital João XXIII, onde permanece internada em observação. Devido ao estado de saúde, a versão da mulher ainda não havia sido registrada pela polícia.

Idosa é agredida pelo marido no bairro Serra

Uma mulher de 64 anos foi agredida pelo marido, de 65 anos, na manhã desta quarta-feira (22), no bairro Serra, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. Segundo a Polícia Militar, o suspeito fugiu antes da chegada dos militares e, até o momento, não foi localizado.

A vítima relatou que foi agredida com socos e chutes no rosto, enforcada e teve a cabeça batida contra a parede e o chão. Ela apresentava hematomas na face, no pescoço e na orelha, além de dores na clavícula esquerda, sem fratura aparente.

Ainda conforme o relato, o companheiro possui diagnóstico de esquizofrenia, mas se recusa a realizar tratamento e utilizar medicação. A mulher também informou que ele já teria agredido os filhos em outras ocasiões e que vinha sofrendo ameaças recorrentes, temendo pela própria integridade física.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e encaminhou a vítima ao Hospital Ipsemg. A ocorrência foi registrada e encaminhada à Polícia Civil para investigação. Até o momento, o suspeito permanece foragido.

Lavínia Fernandes

Jornalista formada pela PUC Minas. Publicou um artigo sobre alfabetização midiática pela Intercom. Foi estagiária de assessoria de comunicação na ALMG. Repórter no BHAZ desde novembro de 2024.
LinkedIn

Mais lidas do dia

Leia mais

Acompanhe com o BHAZ