Após reunião com Kalil, empresas e trabalhadores vão negociar a suspensão da greve de ônibus em BH

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A conciliação que visa a suspensão da greve de motoristas foi marcada após reunião realizada hoje na PBH (Amanda Dias/BHAZ)

Em entrevista coletiva realizada hoje (19), o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, disse que as empresas e os trabalhadores de transporte público da capital mineira vão se reunir na próxima segunda-feira (22) para negociar a suspensão da greve de motoristas. A conciliação entre a Setra-BH (Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte) e o STTR-BH (Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Belo Horizonte) foi marcada após reunião realizada nesta manhã, na PBH (Prefeitura de Belo Horizonte).

“O Setra quer negociar com os trabalhadores, não é assunto da prefeitura, mas o assunto da prefeitura é a população ficar sem o transporte público. Essa é a nossa grande preocupação, é isso que nós focamos. O assunto é grave, não é com grito que resolve, não é com microfone, é com trabalho. Nós temos que trabalhar pra cidade e foi isso que nós fizemos”, disse Kalil.

Também presente na coletiva, Raul Lycurgo, o presidente do Setra, disse estar aberto a negociar com os trabalhadores. “Hoje o que a gente tem é uma mediação do Ministério Público do Trabalho e a gente tem um outro processo que a gente solicita que o TRT (Tribunal Regional do Trabalho) faça essa mediação o mais rápido possível e aprecie essa mediação em caráter liminar para que a gente ache uma solução e o serviço não seja afetado”, disse.

Nova mesa na PBH

Durante a coletiva, Alexandre Kalil também anunciou a criação de uma nova mesa na PBH (Prefeitura de Belo Horizonte), com o objetivo de discutir as demandas e reivindicações do transporte público da capital. Integram a mesa o presidente da BHTrans (Empresa de Transportes e Trânsito de BH), Diogo Prosdocimi, o vice-prefeito Fuad Noman (PSD), o procurador-geral do município, Castellar Guimarães Filho, o secretário de Obras e Infraestrutura, Josué Valadão e o presidente do SetraBH, Raul Lycurgo.

“Nós estamos discutindo uma modelagem nova que pese menos no bolso do contribuinte. Porque toda carga de transporte é jogado no colo de quem paga a passagem. Quando você tá entrando no ônibus de graça, ou por Lei Federal, ou porque a BHTrans autorizou, alguém tá pagando essa conta. E hoje quem paga é o usuário do transporte público”, disse.

Sobre reajustes na tarifa dos ônibus, no entanto, o prefeito disse que não é uma prioridade no momento. “No momento em que a população tá com a faca no pescoço, nós não podemos discutir reajuste ou discutir contrato. Nós temos que acabar com a greve! Colocar a população e a cidade numa situação de conforto”, disse.

Reivindicações

Em conversa com o BHAZ na tarde de ontem (18), o presidente do STTR-BH (Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Belo Horizonte), Paulo César Silva, defendeu que os motoristas trabalharam durante toda a pandemia de Covid-19, se expondo a riscos (veja aqui).

“Passamos por todas as mazelas, em ônibus cheios sem higienização, cumprimos nosso papel e não recebemos nenhum reajuste”, defende. Ele acredita que os trabalhadores estão mobilizados e que a adesão à greve deve ser de 80% a 90% da categoria. Paulo César ainda pede desculpas à população de BH, usuária dos ônibus, mas afirma que “não tinha outro caminho”.

Os motoristas de ônibus pedem um reajuste de 9% nos salários, além do reajuste do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor). Confira as outras reivindicações feitas pelo Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Belo Horizonte:

  • Ticket de alimentação de R$ 800,00;
  • Pagamento do ticket no atestado;
  • Remoção do banco de horas;
  • Abono salarial 2019/2020;
  • Retirada da limitação do passe livre;
  • Manutenção do passe livre para o afastado;
  • Melhoria no plano de saúde.
Edição: Roberth Costa
Larissa Reislarissa.reis@bhaz.com.br

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e repórter do BHAZ desde 2021. Vencedora do 13° Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão, idealizado pelo Instituto Vladimir Herzog.

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