Entidades do comércio se posicionam contra restrições em BH, após secretário acenar possibilidade

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Secretário indicou que restrições podem ser adotadas na capital (Amanda Dias/BHAZ)

Diferentes entidades do comércio divulgaram ontem (24) um manifesto contra a restrição de atividades do setor. Os responsáveis se reuniram para discutir o assunto, após insinuações do secretário de Saúde de BH, Jackson Machado, de que medidas restritivas poderiam ser tomadas novamente.

A reunião aconteceu ontem (24), com 17 entidades do comércio, na sede da CDL/BH (Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte). A reivindicação é de que a PBH (Prefeitura de Belo Horizonte) encontre formas de conter a nova onda do coronavírus, sem prejudicar a atividade dos comércios, bares e restaurantes.

Para o presidente da CDL/BH, Marcelo de Souza e Silva, uma nova restrição ao comércio pode levar ao colapso do setor. “Somos a cidade onde o comércio ficou mais tempo fechado ao longo de 2020 e 2021. O setor não suportará um novo fechamento ou redução do horário das atividades”, avalia.

Uma das cobranças é que o prefeito Alexandre Kalil priorize cumprir a promessa de ampliar os leitos da Covid-19, como havia dito que faria. “Precisamos de um melhor planejamento da Prefeitura de Belo Horizonte para combater a ômicron e a influenza no sentido de preservar a saúde das pessoas e garantir que os setores de comércio e serviços não sejam fechados novamente”, reivindica Marcelo.

‘Não queremos fechar nada’

A fala do secretário municipal da Saúde, que motivou o manifesto, aconteceu em coletiva na última sexta-feira (21). “Não queremos fechar nada. É a última coisa que queremos. Mas se continuar assim, o comitê vai ter que sugerir [restrições]”, disse.

Jackson Machado também afirmou que eventos podem voltar a ser cancelados, até que a pressão no sistema de saúde diminua. “Se até quarta-feira (26) continuar como está pode ser que medidas restritivas sejam adotadas. Não está descartado cancelar jogos e eventos do Carnaval”, detalhou.

“A última coisa que passa pela minha cabeça e dos membros do Comitê e prefeito é colocar a cidade sob qualquer medida restritiva. Mas venho pedir mais uma vez que a população nos ajude, evitando aglomeração, usando máscaras”, acrescentou o secretário.

Manifesto na íntegra:

Nós, entidades representativas dos setores de comércio e serviços de Belo Horizonte, vimos através do presente demonstrar nossa profunda preocupação com as declarações do Secretário Municipal de Saúde, Jackson Machado, que, em entrevista coletiva na tarde da última sexta-feira, 21, cogitou a hipótese de fechar os estabelecimentos comerciais novamente.

No nosso entendimento, é absolutamente inadmissível sequer imaginar tal possibilidade. Em entrevistas anteriores, o próprio secretário já havia descartado a hipótese. Por outro lado, em entrevista concedida ao portal Uol no dia 14 de janeiro deste ano, 10 dias atrás, o prefeito Alexandre Kalil garantiu que a Prefeitura estava preparada para aumentar o número de leitos para tratamento de Covid 19 na quantidade que fosse necessária.

Na entrevista, segundo palavras do próprio prefeito, a Prefeitura estava preparada para aumentar de “100 para 1000 leitos de UTI” se fosse preciso. Entendemos que é mais do que urgente a Prefeitura realizar a ampliação do número de leitos. Independentemente da questão do comércio, a abertura de leitos é importante para atender às demandas da população. Vale ressaltar que BH já teve disponíveis, em abril de 2021, 2.227 leitos de enfermaria e 1.157 leitos de UTI para tratamento da COVID e, hoje, este número é 62% menor nas enfermarias e 78% menor nas UTI’s.

Por outro lado, o substancial aumento no número de casos de Covid provocados pela variante Ômicron já era previsto desde meados de dezembro, ou seja, há mais de um mês. Todos sabem que Belo Horizonte foi uma das cidades com a maior quarentena do mundo. Na mesma entrevista, o prefeito admite que “o comércio foi sacrificado, bar, restaurante, trabalhador”.

Entendemos que enxergar num possível novo fechamento do comércio a única maneira de enfrentar o aumento da Covid 19 é sacrificar novamente o setor que mais emprega a população da nossa capital, colocando em risco a vida de estabelecimentos e o emprego de milhares de pessoas. Lembramos que já ficou comprovado no auge da pandemia, nos meses de março e abril de 2021, que o índice de isolamento social não aumentou com o fechamento do comércio. Os boletins epidemiológicos divulgados pela própria prefeitura comprovam esta realidade.

Na semana passada, a PBH divulgou que mais de 80% dos casos de internação na capital mineira são de pessoas que não se vacinaram. É mais um fato que comprova claramente que não é o comércio aberto que está provocando o aumento do número de casos, até mesmo porque, após a reabertura do comércio em abril de 2021, os índices só reduziram até o início deste ano.

Diante desta situação, reivindicamos que a Prefeitura seja criativa e competente para encontrar outras alternativas para conter o avanço da doença sem mais uma vez sacrificar o principal setor da economia da cidade. Desde que começou a pandemia, o comércio de Belo Horizonte compreendeu a gravidade da situação e sempre foi muito colaborativo e engajado na preservação da saúde das pessoas.

Realizamos e continuamos a realizar inúmeras campanhas de conscientização junto aos estabelecimentos para que possam garantir o máximo de segurança para a saúde dos trabalhadores e clientes.

O comércio já deu e continuará dando a sua cota de contribuição para que vidas sejam salvas. Reiteramos aqui a nossa absoluta disposição em colaborar para qualquer iniciativa que tenha como objetivo conter o avanço da doença. Mas não podemos mais uma vez admitir o fechamento ou qualquer tipo de restrição no funcionamento dos estabelecimentos de comércio e serviços em nossa cidade.

Neste sentido, solicitamos uma reunião com o senhor Prefeito Alexandre Kalil, com o objetivo de discutirmos formas de conter o avanço da doença sem, contudo, penalizar novamente milhares de empresas e empregos em nossa cidade.

Belo Horizonte, 24 de Janeiro de 2022.

ABIHMG – Associação Brasileira da Indústria de Hotéis
ABRASEL – Associação Brasileira de Bares e Restaurantes
ACMINAS – Associação Comercial do Estado de Minas Gerais
AMEM – Associação Mineira das Empresas de Moda
Associação de Comerciantes do Hipercentro
ASSOVEMG – Associação dos Revendedores de Veículos no Estado de Minas Gerais
CDL/BH – Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte
CMI-SECOVI/MG – Câmara do Mercado Imobiliário
FECEMG – Federação dos Clubes do Estado de Minas Gerais
Galeria do Ouvidor
MINASPETRO – Sindicato do Comércio Varejista de Derivados
SENAGIC/MG – Sindicato dos Estabelecimentos de Natação, Ginástica, Recreação e
Cultura Física de Minas Gerais
SINCATEVA BH – Sindicato do Comércio Atacadista de Tecidos, Vestuário e Armarinhos
de Belo Horizonte
SINCOEMG – Sindicato dos Lotéricos de Minas Gerais
SINCOPEÇAS BH – Sindicato do Comércio Varejista de Automóveis e Acessórios de Belo
Horizonte
SINDBELEZA MG – Sindicato dos Barbeiros e Cabeleireiros e Institutos de Beleza e
Similares
SINDLOC-MG – Sindicato das Empresas Locadoras de Automóveis do Estado de Minas
Gerais

Edição: Vitor Fernandes
Guilherme Gurgelguilherme.gurgel@bhaz.com.br

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Escreve com foco nas editorias de Cidades e Variedades no BHAZ.

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