Escadaria da Sapucaí ganha corações em homenagem a vítimas da Covid

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Corações estão espalhados por toda a escadaria da rua Sapucaí (Reprodução/SESI Cultura MG/Instagram)

A escadaria da Sapucaí, que conecta a rua à Estação Central do metrô, está de cara nova! O local foi todo pintado para receber a ação “Corações para a Cidade”. De acordo com o Sesi Cultura MG, é uma intervenção artística em homenagem aos afetados pela Covid-19, feita em parceria com a CBTU-BH (Companhia Brasileira de Trens Urbanos de Belo Horizonte).

“Os corações, que representam nosso afeto e esperança, foram pintados pela equipe do SESI Cultura BH e do Museu de Artes e Ofícios. Além de prestarmos nossa homenagem, ainda pudemos restaurar um espaço de nossa cidade e deixá-lo mais bonito para todos transitam pelo local”, diz postagem feita pelo Sesi Cultura MG, que ainda planeja inserir mensagens de carinho enviadas por trabalhadores.

Ao BHAZ, o artista Alexandre Rato conta que a ideia de pintar os corações foi inspirada em outras ações ao redor do mundo. “Foram inspirados em intervenções que aconteceram em Londres e outras cidades do mundo. O coração é para simbolizar as vidas perdidas pela Covid-19, os afetados pela pandemia. Fui escolhido por já realizar trabalhos desse tipo, que dialogam com essa mensagem de beleza e delicadeza”.

O artista conta que “a paleta de tons é de branco que simboliza calma, paz, silêncio, respeito e o vermelho é sobre a vida”. “Temos tons de rosa e complementares também, como verde e cinza, tons neutros”, complementa.

Alexandre Rato enaltece, ainda, a importância da arte durante a pandemia. “É um momento que você obrigatoriamente tem que fazer uma reclusão social. Não pode encontrar, encostar. É um trabalho de autoconhecimento, de aceitação. A arte, por si só, já é um trabalho que envolve concentração, meditação, consciência no movimento do próprio corpo. Ajuda bastante a passar por essa fase”, completa.

Processo de construção da arte

O artista também postou todo o processo de construção da arte, que durou do dia 20 ao 24 deste mês. “Minha intenção é atravessar sua mente racional e te fazer descer pro coração. Conecto e integro seu id, ego, superego à sua supra consciência. Desta forma lhe ajudo a atravessar as aparências de visões ruidosas e te encaminho sutilmente ao poder da beleza. É impossível resistir, ser indiferente. Mais cedo ou mais tarde minha arte penetra sua armadura energética e toca no chakra do seu”, disse o artista em uma das publicações.

‘Conexão pela arte’

“Nós nos reunimos nesse lugar para viver um momento mágico. Minha experiência me ensinou que as portas do coração somente se abrem para o amor. Entornei meu coração em vocês, e despercebidos os corações de vocês permitiram minha entrada. Houve um encontro e uma conexão pela arte. Neste encontro, aquilo que as palavras são incapazes de expressar, foi comunicado”, escreve Alexandre um outra postagem.

“Somente quando alguém ouve com o coração, e não com a cabeça, é que o ouvir acontece. Você pode me perguntar, ‘o coração também ouve?’ e eu lhe direi que sempre que o ouvir acontece, é sempre através do coração. A mente racional é limitada, a cabeça nunca ouviu qualquer coisa. A cabeça é uma pedra surda. E isso também é verdadeiro quanto ao falar. Apenas quando as palavras vêm do coração, elas são cheias de significado. Somente quando as palavras vêm do coração, elas permanecem no labirinto infinito da memória na consciência”, continua o artista.

No fim do texto, ele agradece às pessoas que o ajudaram nesse momento de transformação da escadaria. “Obrigado a todos os amigos que me fizeram rir e me senti tão leve nestes dias de trabalhos intensos!”, completa.

Edição: Thiago Ricci
Vitor Fernandes
Vitor Fernandesvitor.fernandes@bhaz.com.br

Editor e repórter do BHAZ desde fevereiro de 2017. Jornalista graduado pela PUC Minas, com experiência em redações de veículos de comunicação. Trabalhou na gestão de redes do interior da Rede Minas e na parte esportiva do Portal UOL. Com reportagens vencedoras nos prêmios CDL (2018, 2019 e 2020), Sindibel (2019), Sebrae (2021) e Claudio Weber Abramo de Jornalismo de Dados (2021).

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