Servidores da segurança pública de Minas Gerais voltaram a protestar, na manhã desta terça-feira (8), no Centro de Belo Horizonte, em defesa da recomposição salarial e por melhores condições de trabalho. A manifestação começou na Praça Sete e seguiu até a Praça da Assembleia, no bairro Santo Agostinho, região Centro-Sul da capital.
No ato, policiais civis, militares, bombeiros, agentes penitenciários e servidores administrativos cobraram o envio da recomposição inflacionária da categoria para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Eles também denunciaram a falta de efetivo e a ausência de investimentos na estrutura da segurança pública.
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“Estamos pedindo algo que é constitucional. A recomposição não é aumento, é correção inflacionária. Já são 10 anos de defasagem, mais de 44%, e nos últimos três anos acumulamos uma perda de 10,9%. Outras categorias já tiveram suas recomposições enviadas para a ALMG, mas a da segurança pública segue esquecida”, afirma ao BHAZ Aline Risi, presidente da Associação dos Escrivães da Polícia Civil de Minas Gerais (AESPOL-MG).
A presidente disse ainda que, apesar de desvalorizar a categoria, Zema usa o trabalho dos profissionais da segurança para se promover nas redes sociais. “É um governador ‘TikTok’. Faz propaganda o tempo todo com o trabalho da polícia, mas ele não nos reconhece. Crimes que antes não aconteciam aqui em Minas, voltaram a acontecer”, disse Risi, citando o sequestro do empresário em Santa Luzia e o ataque em Guaxupé, nesta terça-feira (8).
Confira o protesto dos servidores da segurança pública:
‘Estado mais violento’
Segundo ela, o estado vem ficando mais violento, mas não por causa da polícia, e, sim, porque o governador não investe nas forças de segurança. Risi relembra que em 2019, após negociações com os servidores, Zema chegou a encaminhar um projeto de recomposição à ALMG, mas ele próprio vetou o texto depois. Desde então, a defasagem só cresceu.
“Não há investimento direto do Estado. A segurança está sendo sucateada, enquanto o governo finge que entrega estrutura. E tudo isso com vistas a 2026, à tentativa de se lançar a algum cargo maior ou eleger seu vice [Matheus Simões], que segue na mesma linha de desvalorização”, desabafou ela.
Além da pauta salarial, os manifestantes também denunciaram a falta de efetivo e a ausência de investimentos estruturais no setor. “No interior, delegacias reformadas não são obra do governo. As viaturas entregues não são compradas com verba estadual, são fruto de emendas parlamentares. Ele [Zema] não investe na segurança pública”, concluiu ela.
A reportagem solicitou um posicionamento o Governo de Minas Gerais e aguarda retorno.
O que diz o Governo?
Em nota enviada ao BHAZ, o Governo de Minas disse que “reconhece a importância de todos os servidores, incluindo o valoroso trabalho exercido pelos profissionais das Forças da Segurança”. O executivo mencionou que em março de 2025, foi anunciado o pagamento do auxílio-alimentação para as Forças de Segurança, incorporando um acréscimo, até o fim do ano, de até 34% ao salário dos servidores da base.
Ainda conforme o Governo do Estado, ao longo dos últimos seis anos, foram concedidos outros reajustes e abonos.
“Cabe lembrar que apesar dos inúmeros avanços já alcançados, Minas Gerais ainda vive uma situação financeira delicada vinda de más administrações anteriores. A atual gestão mantém os canais de diálogo abertos com os representantes das categorias e busca compreender e atender suas demandas, dentro do que a lei permite e das possibilidades fiscais e estruturais do Estado”, completa o texto.











