Policiais civis, militares, bombeiros e agentes penitenciários se reuniram nesta sexta-feira (28), no Centro de Belo Horizonte, para protestar contra o governo de Minas Gerais. A manifestação, que contou com a presença de mais de 2 mil servidores, denunciou a falta de diálogo do governador Romeu Zema com a categoria e reivindicou direitos como a recomposição salarial e o pagamento de auxílio-alimentação.
O ato teve início na Praça Sete e seguiu até o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG). Ao BHAZ, Marcelo Horta, presidente do Sindicato dos Escrivães da Polícia Civil de Minas Gerais (SINDEP/MG), afirma que a mobilização é um reflexo do descontentamento dos profissionais da segurança com o governo estadual. “Zema não dialoga com os policiais e ainda faz meme mandando os servidores comerem banana com casca, enquanto gasta milhões com o buffet do palácio, com camarão, lagosta e comidas caras.”, criticou.
Veja também
Entre as principais demandas da categoria estão a recomposição inflacionária, que, segundo Horta, já ultrapassa 44% nos últimos 10 anos, e a revogação do decreto que retirou das forças de segurança o direito ao auxílio-alimentação.
Veja o protesto das forças de segurança no Centro de BH:
Paralisação dentro da legalidade
Horta revela que a categoria suspenderá parte dos serviços que não são suas obrigações e cumprirá apenas o que está determinado por lei a partir de agora. Ele também alerta que a situação pode se agravar caso o governo continue “ignorando a insatisfação dos policiais de Minas Gerais”.
De acordo com o presidente, a paralisação será realizada dentro da legalidade, com os policiais cumprindo apenas suas atribuições e limites estruturais. “A orientação é que os policiais trabalhem na esteira legalidade cumprindo a lei, não fazendo nada além de suas capacidades físicas e de estrutura. Atender bem a população mas dentro do seu limite humano”, explica.
Circulou entre as forças de segurança um conjunto de diretrizes para a atuação durante a mobilização. Um documento elaborado em estrita legalidade orienta as delegacias de polícia a registrarem apenas 30% do total de boletins feitos normalmente. Outras orientações incluem:
- Não utilizar recursos particulares durante as atividades;
- Não usar viaturas em más condições de uso ou sem revisões;
- Denunciar unidades em condições precárias e insalubres;
- Não atuar em situações em que o número de agentes for insuficiente para garantir a segurança da equipe.
Novas manifestações
Horta destaca ainda que a duração do movimento vai depender do poder público e pode piorar caso o governo não abra negociação. “Zema não tem compromisso com o povo mineiro. Ataca o serviço público e deixa a população à míngua. Continuaremos denunciando essa irresponsabilidade do governador”, diz.
O protesto foi encerrado por volta das 12h30, mas Horta garante que novas manifestações estão sendo planejadas. “Nenhum policial está suportando o descaso desse governo com a segurança pública. Hoje foi só a primeira mobilização. Continuaremos mobilizando e tenho certeza que a adesão da tropa será cada vez maior”, reforçou o presidente do SINDEP/MG.
A reportagem entrou em contato com o Governo de Minas Gerais. Se a reposta for enviada, a matéria será atualizada.











