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É fake: Hospital de BH desmente áudio sobre casos de internações por metanol

03/10/2025 às 15h28 - Atualizado em 03/10/2025 às 18h17
Sistema de hospital de BH é hackeado e pacientes ficam sem acesso a serviços
(Reprodução/Divulgação)

Está circulando um áudio em grupos de WhatsApp alertando sobre supostos casos de intoxicação por bebida alcoólica adulterada com metanol em Belo Horizonte. A mensagem afirma que 11 jovens teriam sido internados e que um deles teria morrido, citando o Hospital Orizonti, no bairro Mangabeiras, região Centro-Sul da capital, como o local onde as vítimas teriam dado entrada.

O Hospital Orizonti esclareceu, em nota ao BHAZ, que até esta quinta-feira (3), não há registro de atendimento a pacientes com diagnóstico de intoxicação por metanol na unidade. O hospital afirmou ainda que repudia a disseminação de informações falsas e reforçou o compromisso com a verdade e a segurança dos pacientes, destacando que a equipe permanece vigilante e em acompanhamento dos alertas da Secretaria Municipal de Saúde.

A Prefeitura de Belo Horizonte também desmentiu os boatos. Em nota, o município informou que o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS) não recebeu nenhuma notificação sobre casos ou óbitos relacionados à ingestão de metanol na capital.

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) reforçou que não há registro de casos suspeitos no estado. O órgão destacou que, após os episódios confirmados em São Paulo, enviou orientações às regionais de saúde para reforçar a importância da notificação imediata de qualquer suspeita.

Casos suspeitos

Até a tarde de quinta-feira (2), o Brasil havia registrado 48 casos suspeitos de intoxicação por metanol. Outros 11 casos já haviam sido confirmados por meio de detecção laboratorial pelo Centro de Informações Estratégicas e Resposta de Vigilância em Saúde (Cievs), segundo a Sala de Situação instalada pelo governo federal. 

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, chegou a confirmar 12º caso em Brasília, mas o ministério, depois, recuou e informou que o caso do rapper Hungria ainda é contabilizado como suspeito.

Apenas uma morte decorrente desse tipo de intoxicação foi confirmada pelo Ministério da Saúde no estado de São Paulo. Mais sete óbitos seguem em investigação, sendo dois em Pernambuco e os outros cinco também em São Paulo.

Sintomas e o que fazer

A intoxicação por metanol é uma emergência médica gravíssima que pode levar à morte. Fique atento aos principais sintomas:

  • Visão turva ou perda de visão, podendo chegar à cegueira;
  • Mal-estar generalizado, como náuseas, vômitos, dores abdominais e sudorese.

Ao identificar qualquer um desses sinais, a orientação é buscar imediatamente um serviço de emergência médica. É possível também buscar orientação pelo Disque-Intoxicação da Anvisa, no telefone 0800 722 6001.

Confira na íntegra as notas:

Hospital Orizonti:

O Hospital Orizonti esclarece que, até o momento (03/10), não há registro de atendimento a pacientes com diagnóstico de intoxicação por metanol em nossa unidade. Repudiamos veementemente a disseminação de informações falsas e reforçamos nosso compromisso com a verdade e a segurança de nossos pacientes. Nossa equipe permanece vigilante, preparada e em contínuo acompanhamento dos alertas emitidos pela Secretaria Municipal de Saúde.

Secretária Municipal de Sáude:

A Prefeitura de Belo Horizonte esclarece que o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS) do município não recebeu nenhuma notificação sobre casos ou óbitos decorrentes de intoxicação por metanol.

Secretaria Estadual de Saúde:

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) informa que, até o momento, não há registro de casos suspeitos de intoxicação por metanol no estado. Diante da ocorrência de casos em São Paulo, a SES-MG enviou orientações às regionais de saúde para reforçar a importância da notificação imediata de qualquer suspeita.

Nos últimos cinco anos (2020 a 2025), Minas Gerais registrou cinco casos de intoxicação por metanol, mas sem relação com a utilização de bebidas adulteradas com a substância.  

A SES-MG esclarece que a fiscalização da produção de bebidas, com exceção daquelas à base de soja, é de competência de órgãos ligados à agricultura, como o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), e não da Vigilância Sanitária.

Nos estabelecimentos comerciais, a responsabilidade é da Vigilância Sanitária. A atuação nesse âmbito é realizada em conjunto com os órgãos da Agricultura, em casos de produtores suspeitos ou confirmados de terem liberado lotes para comercialização. Da mesma forma, qualquer recolhimento de produto pode ocorrer somente mediante determinação legal, como notificação, interdição cautelar ou medida similar expedida por esses órgãos.

Lavínia Fernandes

Jornalista formada pela PUC Minas. Publicou um artigo sobre alfabetização midiática pela Intercom. Foi estagiária de assessoria de comunicação na ALMG. Repórter no BHAZ desde novembro de 2024.
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