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Justiça por Alice: grupo planeja protesto por justiça na Savassi, em BH

18/11/2025 às 15h11
(Reprodução/Redes sociais)

Familiares, amigos e apoiadores da comunidade LGBTQIAPN+ se organizam para ir às ruas em protesto e pedir justiça na resolução do caso de Alice Martins Alves, um mês após a agressão sofrida pela vítima. A mulher trans, de 33 anos, foi morta após ser espancada por dois homens na Savassi, região Centro-Sul de Belo Horizonte.

O ato está marcado para o próximo domingo, dia 23 de novembro, e deve sair da avenida do Contorno, nº 5.680, na esquina com a rua Sergipe. A concentração ocorre às 14h.

Nas redes sociais, Gabrielle Martins, irmã de Alice, convocou o público para a manifestação. “Iremos às ruas, um mês após as brutais agressões sofridas por Alice, para cobrar por justiça, pela prisão dos responsáveis e pela responsabilização do estabelecimento. Essa luta não começa e não termina aqui. Exigimos respostas mais eficazes da justiça, do governo, e mais políticas em prol da segurança pública e da comunidade LGBTQIAPN+”, escreveu em publicação.

Ao BHAZ, Gabrielle relata que o protesto é uma resposta da comunidade LGBT, que busca por celeridade nas investigações e a responsabilização dos culpados. “Para mim toca num ponto muito mais sensível porque eu sou lésbica e todos nós da comunidade estamos muito tristes”, comenta.

A escolha do local da concentração também é simbólica: “Ela foi morta ali naquela esquina. Então vai ser ali”, diz.

“Eu acho que as pessoas tem que viver em sociedade, pensar que todo mundo é humano. Uma sexualidade de qualquer pessoa não pode interferir no respeito que temos pelo outro. A gente é muito atrasado em políticas públicas, em leis e isso acaba estimulando o ódio que as pessoas tem. Então eu espero por justiça”, destaca.

Suspeitos estão em liberdade

Os suspeitos de agredir e matar Alice Martins Alves já foram identificados pela Polícia Civil de Minas Gerais e estão em liberdade. Eles são funcionários de uma pastelaria da Savassi, na região Centro-Sul de Belo Horizonte.

Os detalhes do caso foram divulgados pela Polícia Civil na última sexta-feira (14). A PC informou que não vai revelar se fez pedido de prisão dos suspeitos para não atrapalhar a investigação. De acordo com o inquérito, por ora, não há suspeita de terceiros envolvidos no caso.

Segundo testemunhas, Alice foi perseguida pelos dois funcionários ao sair do bar. Quando alcançada, ela teria sido intimidada a pagar a conta.

Os relatos apontam que a mulher chegou a dizer que havia quitado tudo, mas a fala foi feita diante seu estado de embriaguez. Ela não estava completamente lúcida, conforme informações levantadas pelos investigadores.

Logo em seguida, a mulher teria sido agredida violentamente. A sessão de espancamento só terminou com a chegada de um motoboy, que ajudou a socorrê-la. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi chamado por testemunhas.

“Ainda investigamos se eles desferiram essas agressões de forma mais abrupta contra ela por ser uma mulher trans, de uma forma que eles não fariam se ela fosse uma mulher cisgênero”, disse Iara França, delegada responsável pelo caso.

Conforme apurado pelo BHAZ, Alice frequentava os bares da região com frequência. Funcionários da pastelaria contaram que, quando embriagada, ela já se esqueceu da conta e saiu sem pagar outras vezes, mas voltava para quitar o débito.

Mesmo sendo uma pessoa querida e conhecida pelos frequentadores da área boêmia, segundo o delegado, Alice já tinha relatado que sentia preconceito de algumas pessoas dos bares da região.

“Ela era uma pessoa muito tranquila, mais tímida, com família acolhedora e muito presente na vida dela. Ela foi até incentivada pela família a sair para se distrair”, contou a delegada.

Isabella Guasti

Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e repórter do BHAZ desde 2021. Participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022 e também de reportagem premiada pelo Sebrae Minas em 2023. Vencedora do prêmio CDL/BH de jornalismo 2024.
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