Um homem, de 43 anos, foi condenado a oito anos, 10 meses e 10 dias de prisão por tentativa de feminicídio e ameaça contra a ex-companheira, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A decisão foi obtida pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) nessa quinta-feira (25). Pablo Henrique Oliveira Rodrigues respondia ao processo em liberdade e, com a condenação, a Justiça expediu um mandado de prisão contra ele.
O crime ocorreu em 12 de fevereiro de 2025. Segundo a denúncia do MPMG, o casal manteve um relacionamento por nove anos e estava na casa onde morava quando o homem exigiu que a vítima lhe entregasse R$ 10 mil.
Diante da recusa inicial, o acusado foi até a cozinha, pegou uma faca e passou a ameaçar a mulher. Com medo, ela concordou em entregar o dinheiro.
Nesse momento, uma vizinha de um apartamento próximo percebeu a ameaça e gritou ao ver o homem com a faca. Assustado, ele guardou a arma para que a testemunha não a visse. Aproveitando a distração do agressor e temendo ser morta, a vítima pulou da janela do apartamento, localizado no segundo andar do prédio, para escapar. A queda provocou diversas fraturas.
‘Vivi por muitos anos com medo’
“Só eu e meu menino sabemos o inferno que nós vivíamos”, descreve Jhenipher Sabriny de Oliveira sobre os anos que viveu ao lado de Pablo Henrique Oliveira Rodrigues. A mulher precisou pular do segundo andar de um prédio para se salvar dos ataques do companheiro.
Em conversa com o BHAZ, Jhenipher revelou que já era vítima de violência doméstica há anos, mas que nunca tinha procurado a polícia. Os dois estavam juntos há nove anos e casados há oito. Ela relata que no início do relacionamento, Pablo não demonstrava comportamento violento.
“Com o tempo ele foi evoluindo essas agressões. Começa com um xingo, com um tom mais alto e isso vai evoluindo a ponto de chegar às vias de fato. Eu já tomei soco, tapa na cara, empurrão”, lembra.
A versão é confirmada pelo filho de Jhenipher, um adolescente de 15 anos, que narra as agressões: “Esse homem era explosivo, ele xingava todo mundo, xingava os funcionários, xingava minha mãe e eu dentro do ambiente do trabalho e dentro de casa. Se a polícia for no apartamento vai ver marca de soco na porta do banheiro, na geladeira, na porta do quarto”.
O jovem ainda afirma que a rotina da família era marcada por conflitos e que ele chegou a ser expulso de casa pelo padrasto. O garoto também era alvo de violências físicas e emocionais por parte de Pablo. “Eu apanhava, tomava soco, chute na cara e chute no estômago. Ele também já me proibiu de comer dentro de casa, de mexer no armário”.
Segundo o rapaz, o homem tinha o costume de carregar uma machadinha dentro do carro e usava o objeto para ameaçar tanto o menino, quanto a mulher. “Eu não dava as costas para ele, porque eu tinha medo de ele meter uma faca nas minhas costas, porque ele era imprevisível. Tinha dias que ele parecia estar normal e do nada ele xingava a gente”.
Violência psicológica
Ainda conforme Jhenipher, ela viveu num ciclo de violências psicológicas enquanto esteve com o ex-companheiro. “A gente no início acredita que vai mudar, que vai resolver, que vai melhorar, mas chega um momento em que ele consegue criar uma camada que ele trabalha com o seu medo. Eu vivi por muitos anos com medo”, diz.
“Ele não aceitava a minha ausência. Se eu saísse da presença dele, ele me ligava 40 vezes num só dia. Ele me mandava mensagem: ‘Onde você tá?’ e xingava palavrão”.
Ela afirma que pensou em se separar do marido, mas que desistia da ideia por causa das ameaças constantes.
“Não podia nem falar desse assunto lá em casa, porque se não o pau quebrava. Além de ter todo o jogo psicológico, a agressão física, a verbal, ele ainda não deixa de você respirar, então assim, você não consegue se ver livre da pessoa”, finaliza.










