Lagoa da Pampulha terá passeio de barco gratuito a partir de dezembro

05/10/2025 às 13h35 - Atualizado em 05/10/2025 às 14h50
(Divulgação/PBH)

A Lagoa da Pampulha será reaberta para passeios turísticos de navegação a partir de dezembro deste ano. A informação foi divulgada pelo prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União), neste domingo (5), durante evento de assinatura de Termo de Cooperação com a Federação Mineira de Vela (FMVela) e ação de reconhecimento da navegabilidade no espelho d’água do cartão postal da capital mineira.

Os passeios integram as comemorações dos 128 anos da capital. O projeto-piloto de navegabilidade da Lagoa da Pampulha terá duração de três meses e será realizado em catamarãs com capacidade para 30 passageiros sentados, oferecendo ampla visibilidade para a contemplação da paisagem.

Conforme a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), as embarcações irão ocorrer de quinta-feira a domingo, com três saídas diárias entre 8h e 17h. Os ingressos serão gratuitos e disponibilizados em site próprio. O local de embarque (píer) ainda será definido. “A gente fez um trabalho durante todo o ano. Quem me acompanha sabe que, desde o aniversário de 82 anos da Lagoa da Pampulha, falávamos que ela seria navegável com todos os laudos possíveis. Tudo isso para anunciarmos hoje que nossa Lagoa é oficialmente navegável. Em dezembro nossa embarcação estará aqui para celebrar, junto de todos, o aniversário de BH”, disse o prefeito.

Os passeios terão duração mínima de 1h (incluindo embarque, desembarque e navegação), percorrendo um circuito para contemplação de todos os monumentos do Conjunto Moderno da Pampulha e sua paisagem cultural. A embarcação contará com banheiro e água disponíveis, além de sistema de som.

“Será um período de teste e, durante isso, a PBH vai arcar com todos os custos, como locação de barcos e marinheiros. Estamos aprendendo muitas coisas durante esse processo, inclusive como alugar embarcações, nos trâmites legais. Mas, estamos com tudo preparado”, explicou.

Após o período de teste os ingressos serão cobrados. Damião garantiu que belo-horizontinos pagaram uma taxa menor, assim como ocorre em outras capitais do Brasil, onde moradores da cidade têm descontos. “Nós vamos adotar a mesma forma nas grandes cidades que têm o turismo como potencial. No Rio de Janeiro, por exemplo, os cariocas pagam uma taxa e quem não mora lá paga outra. O belo-horizontino será privilegiado nas taxas que serão pagas para poder navegar e ajudar a dar manutenção na Lagoa”, disse.

Recuperação da qualidade da água

A navegação e a realização de eventos náuticos na Pampulha é garantida devido a recuperação da qualidade da água, que ocorre desde 2016.Atualmente, a Lagoa da Pampulha apresenta trechos com Índice de Qualidade da Água variando entre bom e ótimo, conforme dados de monitoramento da PBH em setembro.

O resultado também é confirmado pelo acompanhamento realizado pela Copasa na represa. Esses indicadores asseguram as condições necessárias para a realização das atividades previstas pela administração municipal na lagoa.

“Era a Pampulha do ‘não’, que sofria e levava pancada devido ao esgoto despejado nela, um problema que não é dela. O mau cheiro que muitos atribuem à lagoa, na verdade, vem do esgoto que deságua na cabeceira do Aeroporto da Pampulha. As pessoas que passam por ali e colocam a culpa na água da lagoa estão equivocadas, já que a origem do problema é o esgoto. A parceria que queremos com a Copasa e com o Governo do Estado é para que eles cumpram a parte deles e impeçam que o dejeto chegue até a Pampulha. Não precisa se preocupar em colocar barco na Lagoa ou recaptar orla, afirmou Damião.

O Governo de Minas anunciou, no dia 23 de setembro, que a Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte, terá passeios turísticos de barco entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026. O projeto prevê a entrada em operação de um barco com capacidade para 80 passageiros, com três saídas diárias, já entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, dependendo do processo de licenciamento.

Conforme a secretária de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, Bárbara Botega, o contrato já está em vias de ser assinado e os recursos foram garantidos pela Copasa.“A gente veio trabalhando em conjunto com a Copasa um projeto turístico aqui na região da Pampulha. Já está tudo feito, com recurso destinado para a gente poder valorizar o patrimônio. Já temos conversas avançadas com a prefeitura [de Belo Horizonte], inclusive, para que esse licenciamento saia o mais breve possível”, explicou.

No mesmo dia, a PBH informou, em nota, que a medida já vinha sendo articulada pelo Executivo municipal há alguns meses.

“Quem toma pancada ou não com a Lagoa é a Prefeitura de BH. Respeitem a Lagoa e as pessoas que estão envolvidas nesse processo. A Pampulha será navegável porque a PBH está fazendo isso. Quem limpa a lagoa é a Prefeitura. A Copasa precisa fazer o trabalho dela, e agradecemos por estar fazendo. O importante é não deixar o esgoto cair nela e acabar com esse mau cheiro”, afirmou Damião durante a coletiva deste domingo (5).

Servidores passam por capacitação

Servidores da PBH foram capacitados pela Capitania Fluvial de Minas Gerais, órgão da Marinha do Brasil, e estão aptos a atuar na retomada da navegação. Até o momento, 17 servidores da Guarda Municipal e da Diretoria de Manutenção de Bacias (DMAB/SMOBI) concluíram o Curso de Formação para Marinheiros Fluviais Auxiliares.

As equipes técnicas também trabalham na elaboração de pareceres e estudos que vão subsidiar a execução do projeto, incluindo a definição das modalidades de embarcações permitidas, além de critérios de segurança e demais requisitos necessários.

Treino

Neste domingo (5), atletas da FM Vela fizeram um “treino” de reconhecimento do espelho d’água da Lagoa da Pampulha, com atletas em dois barcos. O reconhecimento terá trajeto da rampa interna do Iate Tênis Clube, no sentido da Casa do Baile, até a Praça de Iemanjá, onde devem retornar seguindo a margem próxima do Museu de Arte da Pampulha.

A PBH e a Capitania dos Portos Fluviais de Minas Gerais ainda devem firmar um convênio para reforçar a fiscalização do tráfego de embarcações e das atividades náuticas na Lagoa da Pampulha. Além disso, o executivo municipal iniciou tratativas com a PBH Ativos e parceiros externos para desenvolver a modelagem de negócios voltada à concessão dos serviços turísticos da região. Após o período inicial de testes, que será definido por licitação específica, a gestão das atividades, incluindo o passeio de barco e outros serviços, deverá ser transferida à iniciativa privada por meio de um processo de licitação próprio.

Histórico

Em julho de 2024, durante a gestão de Fuad Noman (1947-2025), a prefeitura declarou que o ponto turístico apresentava “qualidade suficiente para a prática de esportes náuticos e navegação”.

Na época, entretanto, a administração pública afirmou que, mesmo com indicadores nos limites compatíveis, a lagoa continuaria sujeita a variações em sua qualidade, pois se trata de um lago urbano, que sempre será afetado por fontes poluidoras.

Tornar o espaço também já tinha sido promessa de Noman, em 2023. Seu antecessor, Alexandre Kalil, era mais cético. Em 2018, o político disse ser “mentira” a possibilidade de velejar na lagoa a curto ou médio prazo. Já o ex-prefeito Márcio Lacerda anunciou, em 2016, a intenção de despoluir o espelho d’água a ponto de conseguir praticar esportes no local.

Ana Magalhães

Jornalista pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Foi estagiária do Jornal Estado de Minas e do programa Agenda da Rede Minas de Televisão. Repórter do BHAZ desde agosto de 2024.
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