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Irmão de Lô Borges diz que cantor deixou quatro discos inéditos: ‘Tem coisas geniais’

04/11/2025 às 12h45 - Atualizado em 06/11/2025 às 14h24
Lô Borges ao lado do irmão Yé Borges (Instagram/Reprodução)

Em meio à comoção pela morte de Lô Borges, o irmão dele, Yé Borges, revelou um pequeno alento aos fãs: o cantor deixou quatro discos inéditos prontos. A afirmação foi feita durante o velório do artista nesta terça-feira (4), no Palácio das Artes, no Centro de Belo Horizonte.

Em entrevista à imprensa, Yé contou que o material reúne composições que evidenciam a genialidade e a sensibilidade do artista mineiro. “Um cara cheio de planos, de sonhos, ele compunha compulsivamente… Ele falava comigo: ‘Minha vida é compor, eu tenho que compor'”, disse.

Os discos não tem data de lançamento, mas Yé garantiu que eles serão compartilhados com o público. “Eles vão ser lançados, tem que ser lançados, porque essa obra não pode ficar engavetada, tem que compartilhar, porque tem coisas geniais que ele fez. Então, vamos ter que ver com a produção e o produtor dele”.

Yé aproveitou o momento para falar de forma saudosa sobre o irmão e lamentou a perda para o cenário musical. “O Brasil perdeu um dos seus maiores compositores. Agora eu perdi um irmão com quem vivi minha infância, nós vivemos juntos, dividimos velocipedes, jogamos futebol junto, viajamos junto. A família perdeu um cara querido, que estava sempre de bom humor. E para a música foi uma perda muito grande, porque o Lô era um gênio. Eu não tenho modéstia nenhuma, ele era meu irmão, mas era genial”, declarou.

O corpo do cantor Lô Borges, um dos fundadores do Clube da Esquina, está sendo velado no hall de entrada do Palácio das Artes. A cerimônia aberta ao público vai até 15h. O artista morreu em Belo Horizonte na noite desse domingo (2), aos 73 anos, em decorrência de falência múltipla de órgãos.

Discografia

Nascido no dia 10 de janeiro de 1952, em Belo Horizonte, Lô fundou o Clube da Esquina ao lado do cantor e compositor Milton Nascimento e do irmão Márcio Borges. O movimento, que ganhou destaque na música popular entre as décadas de 1970 e 1980, foi batizado em referência ao disco homônimo de 1972. Entre as referências estavam o rock, o jazz, a bossa nova, a música psicodélica e as tradições mineiras. 

Em 2024, o álbum ficou entre os dez melhores discos de todos os tempos, em lista criada pela revista norte-americana Paste Magazine. E, em 2022, foi eleito o melhor da história da música brasileira pelo podcast Discoteca Básica.

O Clube da Esquina surgiu entre as ruas Paraisópolis e Divinópolis, no bairro Santa Tereza, na região Leste de BH. O local ficava a poucos passos da casa da família Borges. O movimento musical contou com nomes como Toninho Horta, Beto Guedes, Fernando Brant, Wagner Tiso, Tavinho Moura e Ronaldo Bastos, e ficou eternizado por sua inovação e influência. Em 1978, o grupo lançou o segundo disco ‘Clube da Esquina 2’.

Lô foi um dos responsáveis por composições que, além de marcarem a Música Popular Brasileira (MPB), atravessaram gerações com melodias sofisticadas e letras poéticas, como ‘O Trem Azul’, ‘Um Girassol da Cor do Seu Cabelo’, ‘Tudo o Que Você Podia Ser’ e ‘Nada Será Como Antes’.

Ao longo de 53 anos de carreira, Lô gravou mais de 20 discos. O primeiro álbum solo, Lô Borges (1972), conhecido como o “disco do tênis”, é considerado um dos mais importantes da música brasileira. Com 15 faixas, todas assinadas pelo artista, algumas em parceria com Márcio Borges, Tavinho Moura e Ronaldo Bastos, o álbum contou com a participação de grandes nomes como Toninho Horta, Beto Guedes e Zé Geraldo.

Antes da intoxicação, Borges seguia fazendo shows por Minas Gerais e pelo Brasil. No dia 25 de outubro, o músico apresentaria a turnê ‘Esquina & Canções’ ao lado de Beto Guedes em Brasília.

Amanda Serrano

Com experiência nas principais redações de Minas, como Jornal Estado de Minas e TV Band Minas, além de atuação como assessora política, Amanda Serrano é, atualmente, repórter do Portal BHAZ. Em 2024, fez parte da equipe vencedora do Prêmio CDL/BH de Jornalismo.
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