O corpo do cantor e compositor Lô Borges está sendo sepultado na tarde desta terça-feira (4) Cemitério Parque da Colina, no bairro Nova Cintra, na região Nordeste de Belo Horizonte. O artista, ícone da música mineira e fundador do Clube da Esquina, ao lado de Milton Nascimento e outros músicos, morreu nesse domingo (2) em decorrência de falência múltipla de órgãos.
Na manhã desta terça (4), amigos, familiares, fãs e artistas se reuniram no foyer do Grande Teatro do Palácio das Artes, no Centro de BH, para se despedir do cantor mineiro. Entre as personalidades que compareçam no velório estão Samuel Rosa, Wilson Sideral, Zeca Baleiro, Rogério Flausino, Mauricio Tizumba, além de autoridades, como o prefeito de BH, Álvaro Damião (União Brasil), e, representando o governo do estado, a secretaria da Secretaria de Cultura e Turismo (Secult-MG), Bárbara Botega
As homenagens ao músico começaram nessa segunda-feira (3). Artistas, fãs e amigos estiveram na esquina das ruas Paraisópolis e Divinópolis, marco de fundação do Clube da Esquina, no bairro Santa Tereza, região Leste de BH, para deixarem flores, acederem velas e cantar músicas de Lô Borges.
Veja momento da saída do caixão do Palácio das Artes:
Milton Nascimento não sabe de morte
Amigo e parceiro de Clube da Esquina, Milton Nascimento ainda não foi informado da morte de Lô Borges. Durante o velório, realizado nesta terça-feira (4), o filho de Milton, Augusto Kesrouani Nascimento, confirmou que a notícia será comunicada ao cantor com acompanhamento médico. Artistas, familiares, amigos, autoridades e fãs se reúnem no foyer do Grande Teatro do Palácio das Artes, no Centro de Belo Horizonte, para se despedir de Lô Borges.
“Por uma instrução médica, a gente vai contar no próximo sábado, que é quando meu pai tem uma consulta de rotina. Eu e o médico tivemos essa conversa, é uma precaução. Porque é uma coisa que vai certamente abalar ele profundamente. O Lô era como se fosse o irmão caçula dele”, disse Augusto.
Milton Nascimento foi diagnosticado com demência por corpos de Lewy, conforme noticiado em outubro passado. O artista tem perdas das funções cognitivas, segundo Augusto.
‘Amor pleno’
Em entrevista, o filho de Milton Nascimento comentou a experiência de testemunhar de perto a amizade entre Bituca e Lô Borges. Ele enfatiza a beleza dos laços construídos pelos músicos ao longo das décadas.
“Eles se falavam sempre de forma muito carinhosa, sempre muito em carinho comigo, me acolheu muito. Ele tinha um respeito com o meu pai, assim, um carinho e uma fidelidade que poucos amigos tiveram com o meu pai ao longo da vida. Ele foi um amigo fiel ao longo de todas as décadas. Eles não tiveram altos e baixos nessa amizade. Eles sempre tiveram um amor pleno”, comenta.
“A impressão que eu tinha do Lô com o meu pai era de que o mesmo emnino que meu pai abriu as portas quando tinha 17, 18 anos, aquela mesma pureza daquele amor ele teve até o último dia. Às vezes ele mandava mensagem do nada, falava que tava com saudades”.
Ainda de acordo com Augusto, Milton foi acolhido desde cedo por toda a família Borges e recebia constantes atualizações dos boletins de saúde do amigo por meio dos parentes dele.
“Eu acho que essa essa gratidão, esse amor, esse carinho, acho que essa capacidade de não se perder ao longo do tempo diz muito sobre Lô. Os dois tinham uma característica engraçada na amizade deles que é como se eles juntos voltassem a ser dois garotos”.
Discografia
Nascido no dia 10 de janeiro de 1952, em BH, Lô fundou o Clube da Esquina ao lado do cantor e compositor Milton Nascimento e do irmão Márcio Borges. O movimento, que ganhou destaque na música popular entre as décadas de 1970 e 1980, foi batizado em referência ao disco homônimo de 1972. Entre as referências estavam o rock, o jazz, a bossa nova, a música psicodélica e as tradições mineiras.
Em 2024, o álbum ficou entre os dez melhores discos de todos os tempos, em lista criada pela revista norte-americana Paste Magazine. E, em 2022, foi eleito o melhor da história da música brasileira pelo podcast Discoteca Básica.
O Clube da Esquina surgiu entre as ruas Paraisópolis e Divinópolis, no bairro Santa Tereza, na região Leste de BH. O local ficava a poucos passos da casa da família Borges. O movimento musical contou com nomes como Toninho Horta, Beto Guedes, Fernando Brant, Wagner Tiso, Tavinho Moura e Ronaldo Bastos, e ficou eternizado por sua inovação e influência. Em 1978, o grupo lançou o segundo disco ‘Clube da Esquina 2’.
Lô foi um dos responsáveis por composições que, além de marcarem a Música Popular Brasileira (MPB), atravessaram gerações com melodias sofisticadas e letras poéticas, como ‘O Trem Azul’, ‘Um Girassol da Cor do Seu Cabelo’, ‘Tudo o Que Você Podia Ser’ e ‘Nada Será Como Antes’.
Ao longo de 53 anos de carreira, Lô gravou mais de 20 discos. O primeiro álbum solo, Lô Borges (1972), conhecido como o “disco do tênis”, é considerado um dos mais importantes da música brasileira. Com 15 faixas, todas assinadas pelo artista, algumas em parceria com Márcio Borges, Tavinho Moura e Ronaldo Bastos, o álbum contou com a participação de grandes nomes como Toninho Horta, Beto Guedes e Zé Geraldo.
Antes da intoxicação, Borges seguia fazendo shows por Minas Gerais e pelo Brasil. No dia 25 de outubro, o músico apresentaria a turnê ‘Esquina & Canções’ ao lado de Beto Guedes em Brasília.












