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Corregedoria da PCMG apura conduta de delegada casada com suspeito de matar gari em BH

12/08/2025 às 10h56 - Atualizado em 12/08/2025 às 12h04
morte gari bh
Renê da Silva Nogueira Junior é casado com a delegada Ana Paula Balbino (Reprodução/redes sociais)

A Polícia Civil de Minas Gerais investiga se a arma usada para matar o gari Laudemir de Souza Fernandes, em Belo Horizonte, pertence à delegada casada com o empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, suspeito do crime. O homem de 47 anos foi preso nessa segunda-feira (11), horas após assassinato ocorrido no bairro Vista Alegre, na região Oeste da capital mineira.

Em nota, a instituição informou que a Corregedoria-Geral instaurou um procedimento disciplinar e inquérito policial para apurar, “com rigor e transparência, todos os elementos relacionados à eventual conduta de uma delegada que possui vínculo pessoal com o suspeito detido”.

Após a prisão de Renê, policiais estiveram na casa do casal e apreenderam as duas armas da delegada Ana Paula Lamego Balbino, sendo uma de uso pessoal e outra profissional. Fontes ligadas à investigação explicam que o revólver particular tem o mesmo calibre da munição usada no crime.

Ana Paula entregou as armas espontaneamente. A reportagem tenta contato com a defesa do investigado.

Posição do sindicato dos delegados

O Sindicato dos Delegados de Polícia Civil de Minas Gerais (SINDEPOMINAS) veio a público manifestar seu profundo pesar pelo falecimento do gari e se solidarizar-se com os entes queridos. A entidade também divulgou uma nota de repúdio (leia na íntegra no final da matéria) sobre o caso. Segundo o SINDEPOMINAS, é fundamental que se respeite o princípio da individualidade do crime.

“Um assassinato da forma que ocorreu é um ato individual, cujas consequências legais e morais devem recair exclusivamente sobre seu autor. A Delegada de Polícia, enquanto servidora pública e cidadã, não pode ter a sua vida privada exposta, responsabilizada, julgada ou ter sua honra maculada por atos de terceiros, em virtude de seu vínculo matrimonial”.

Para o SINDEPOMINAS, associar a Delegada ao crime é “uma grave injustiça que, além de prejudicar sua imagem profissional e pessoal, insinua uma parcialidade que não condiz com a conduta da Polícia Civil”.

Entenda o caso

O gari Laudemir de Souza Fernandes, de 44 anos, foi morto a tiros durante o trabalho, nessa segunda-feira (11), no bairro Vista Alegre, região Oeste de Belo Horizonte, após uma discussão de trânsito.

Segundo a Polícia Militar, o empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, 47, dirigia um SUV e hesitou em passar ao lado de um caminhão de coleta parado na rua Jequitibá. Irritado, passou a xingar e ameaçar a motorista.

Testemunhas contaram que os garis desceram para acalmar a situação, mas Renê saiu do carro já armado, perguntou se estavam “duvidando” dele e atirou, atingindo o abdômen de Laudemir.

Horas depois, Renê foi preso em uma academia na avenida Raja Gabaglia, no bairro Estoril, na região oeste da cidade.

Leia a nota na íntegra:

“O Sindicato dos Delegados de Polícia Civil de Minas Gerais – SINDEPOMINAS vem a público manifestar seu profundo pesar pelo trágico falecimento do gari, pai de família, e solidarizar-se com seus entes queridos neste momento de dor. Acreditamos e lutamos diariamente por uma sociedade justa e segura, e reafirmamos nosso compromisso com a elucidação deste e de todos os crimes, garantindo que a verdade e a justiça prevaleçam.

Diante da intensa cobertura midiática e da comoção social gerada pelo caso, o Sindepominas considera imperativo se pronunciar sobre a forma como a imprensa tem abordado a questão, em especial, fazendo a conexão indevida entre o suposto autor do crime e a figura de uma Delegada de Polícia, sua esposa. É fundamental que se respeite o princípio da individualidade do crime. Um assassinato da forma que ocorreu é um ato individual, cujas consequências legais e morais devem recair exclusivamente sobre seu autor. A Delegada de Polícia, enquanto servidora pública e cidadã, não pode ter a sua vida privada exposta, responsabilizada, julgada ou ter sua honra maculada por atos de terceiros, em virtude de seu vínculo matrimonial.

Portanto, associar a Delegada ao crime é uma grave injustiça que, além de prejudicar sua imagem profissional e pessoal, insinua uma parcialidade que não condiz com a conduta da Polícia Civil e do Sindepominas. Nossa instituição é pautada pela legalidade, ética e imparcialidade. Assim, o Sindicato dos Delegados de Polícia repudia veementemente esta associação midiática entre o suspeito do crime e sua esposa, que não teve qualquer ligação com os fatos. Reiteramos nosso total apoio à Delegada de Polícia e confiamos na integridade de nossos policiais para conduzir a investigação de forma técnica e transparente. Exigimos da imprensa uma cobertura responsável, que se atenha aos fatos e respeite a intimidade, a dignidade e a honra da Delegada de Polícia em questão, separando a vida privada da atuação profissional. O foco deve ser a busca pela justiça para a vítima, e não o sensacionalismo.

Belo Horizonte, 12 de agosto de 2025. 10 horas.

Dra. Maria de Lurdes Camilli,

Presidente do Sindepominas

Pablo Nascimento

Jornalista formado pela PUC Minas e pós-graduado em produção digital pelo Uni-BH. Focado na cobertura de cidades, passou por redações de TVs e portal de notícias. Como repórter, conquistou prêmios com reconhecimento estadual e nacional, em diferentes plataformas. Preza por unir precisão da informação à produção de conteúdo multiplataforma.
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