O médico investigado por supostamente propagar fake news sobre o câncer de mama já foi condenado por humilhar e ameaçar o porteiro do condomínio onde ele mora no bairro Carmo, na região Centro-Sul de BH.
A sentença foi decretada pelo juiz Guilherme Lima Nogueira da Silva em fevereiro deste ano. No despacho, o magistrado obriga o médico Lucas Silva Ferreira Mattos a pagar R$ 8 mil em danos morais ao funcionário do prédio.
A vítima acionou a justiça em janeiro de 2023 alegando que a confusão começou em um desentendimento causado por uma toalha, que caiu no jardim do condomínio. Na ação, o homem contou que o médico foi até a portaria e teria usado tom agressivo e intimidador para dizer que ele seria obrigado a recolher os objetos que caíssem do apartamento.
A vítima relatou que o acusado teria usado expressões como “seu pobre fodido”, “seu bosta”, “seu merda”, “você não é ninguém”, “você é um baba ovo de síndico”.
“Como se vê, as provas confirmam que o autor foi ofendido injustamente pelo requerido. Além disso, vale ressaltar que o autor estava em seu local de trabalho, em posição de subordinação, o que reforça a gravidade da postura adotada pelo requerido, principalmente motivado por um fato ínfimo que é o dano a uma toalha. Portanto, entendo que há prova nos autos de que o requerido humilhou o autor, expondo-o a situação vexatória em seu local de trabalho, de maneira excessiva e grosseira, apta a configurar o dano moral. Entretanto, não encontra respaldo nos autos a afirmação do requerido de que o autor teria provocado a discussão. A prova de vídeo demonstra que o demandado que se exaltou em frente ao autor e não o contrário. Além disso, a testemunha confirmou que o requerente se manteve calmo e sem responder de modo hostil”, alegou o juiz.
Outros processos
Lucas Silva Ferreira Mattos também responde outras ações judicias. Dentre elas, ao menos três são de pacientes que denunciam quebra de acordo por parte do médico. As mulheres relataram à Justiça que fecharam pacotes para consultas presenciais e virtuais com o especialistas, mas ele não teria realizado os atendimentos contratados. Os valores relatados nas ações variam de R$ 8 mil a quase R$ 12 mil.
As ações foram movidas entre junho e setembro deste ano. Em uma delas, o médico chegou a fechar um acordo para devolver os valores pagos pela cliente. Em outro processo, a paciente relatou que recebeu mensagens do médico afirmando que devolveria o dinheiro e que ele não fez o atendimento por estar passando por problemas pessoais.
O BHAZ procurou o advogado que acompanha o médico nos casos e aguarda posicionamento.
Fake News
O médico Lucas Silva Ferreira Mattos entrou na mira do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (CRM-SP) após responder uma seguidora em rede social afirmando que a mamografia aumenta os riscos de incidência do câncer de mama.
“Ficar fazendo mamografia? Uma mamografia gera uma radiação para a mama equivalente a 20 raios-X. Isso aumenta a incidência de câncer de mama, por excesso de mamografia”, disse o homem, que em mais de 1 milhão de seguidores no Instagram.
O Instituto Nacional do Câncer (Inca) disse que “se posiciona terminantemente contra as desinformações divulgadas em rede social acerca de câncer de mama” e que classifica os conteúdos como fake news.
“O câncer de mama é uma doença real e comprovada cientificamente, sendo um dos tipos de câncer mais comuns entre mulheres no Brasil e no mundo. Diagnósticos e tratamentos precoces são fundamentais para reduzir a mortalidade pela doença, assim como são de suma importância os exames de rastreamento, como a mamografia, e campanhas de conscientização como o Outubro Rosa”, destacou o órgão.
“A desinformação sobre a inexistência do câncer de mama não tem respaldo científico e prejudica a saúde pública, colocando vidas em risco ao desencorajar exames preventivos e tratamentos essenciais”, completa.
Além de ser registrado em São Paulo, o médico também é credenciado pelo Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRM-MG).







