O corpo de Claudineia Francisca Lima, morta por complicações decorrentes de uma cirurgia plástica feita numa clínica de Belo Horizonte, será enterrado nesta segunda-feira (17). O velório está previsto para ocorrer a partir das 8h, em uma funerária de Contagem, na Grande BH, e o enterro no Cemitério do Bonfim, região Nordeste de da capital.
A mulher, então com 46 anos, deu entrada na clínica do médico Marcelo Regianni ,na quinta-feira (13), para fazer uma cirurgia de hérnia epigástrica e uma abdominoplastia, mas, segundo a família, ela teve a traqueia perfurada durante o procedimento.
Após a cirurgia, conforme relatam familiares, os profissionais da clínica informaram que o procedimento havia sido um sucesso. No entanto, ainda no mesmo dia, a mulher começou a apresentar muito inchaço no rosto. Preocupada, a família acionou a médica plantonista, que diagnosticou um quadro de anafilaxia e administrou antialérgico e adrenalina na paciente.
De acordo com o marido da vítima, ele sugeriu que a esposa fosse transferida para um hospital, mas a médica começou a chorar e disse que não sabia como realizar a transferência. O médico responsável pela cirurgia voltou para a clínica e garantiu que Claudineia estava bem, mas o quadro dela se agravou.
Claudineia, então, foi transferida para o Hospital Med Sênior, onde outro médico constatou a perfuração na traqueia. Em seguida, ela foi transferida para o Hospital Alberto Cavalcanti e foi submetida a uma cirurgia de emergência, mas não resistiu e morreu.
Procurado, o cirurgião Marcelo Regianni, responsável pela clínica onde Claudineia foi atendida, defendeu que o local possui autorização para a realização segura de procedimentos médicos e atribuiu o agravamento do quadro da paciente à demora no tratamento efetivo ocasionado por sucessivas transferências entre hospitais após a cirurgia plástica.
“A equipe médica não identificou nenhuma intercorrência durante o procedimento, que foi concluído e a paciente foi encaminhada ao quarto para observação e recuperação, conforme protocolo pós-operatório padrão”, apontou em nota enviada ao BHAZ. Leia o posicionamento na íntegra ao fim da matéria.
A Polícia Civil de Minas Gerais afirma que investiga as causas e circunstâncias da morte de Claudineia. A entidade disse ainda que, até o momento, não houve conduzidos.
Nota do médico Marcelo Reggiani
A cirurgia plástica foi realizada na quinta-feira, 13 de fevereiro, em um hospital-dia localizado no Condomínio Lifecenter, em Belo Horizonte. O local possui autorização para a realização segura de diversos procedimentos médicos.
As intervenções foram feitas sob anestesia geral, que exige intubação. Essa escolha foi necessária visto que a anestesia peridural não foi completamente eficaz, conforme identificado pela anestesista. Ou seja, não houve perfuração da traqueia da paciente pelo cirurgião plástico. A intubação foi realizada pela anestesista como um procedimento padrão para a cirurgia.
A equipe médica não identificou nenhuma intercorrência durante o procedimento, que foi concluído e a paciente foi encaminhada ao quarto para observação e recuperação, conforme protocolo pós-operatório padrão.
Duas horas após a internação no quarto, a equipe observou inchaço na face da paciente, compatível com um quadro de anafilaxia (reação alérgica), e todas as medidas necessárias foram tomadas. Diante da evolução do quadro, mesmo com suporte médico devido, o cirurgião estando presencialmente com a paciente recomendou a internação emergencial em um hospital com maior estrutura.
O cirurgião atribui o agravamento do caso à demora no tratamento efetivo, ocasionado por sucessivas transferências entre hospitais após a cirurgia plástica e que estão listadas a seguir. Durante todo o período após a cirurgia, ele manteve contato próximo com a família, prestando apoio de forma ética e empática.
Esclarecimentos principais
- O cirurgião perfurou a traqueia da paciente?
Não. A intubação foi realizada pela anestesista, como procedimento padrão para a cirurgia.
- O cirurgião realizou a plástica em uma clínica?
Não. A cirurgia foi realizada em um hospital-dia localizado no Condomínio Lifecenter, em Belo Horizonte.
- O cirurgião tinha conhecimento da lesão na traqueia?
Não. Durante a cirurgia plástica, não houve qualquer intercorrência que indicasse essa complicação.
- Por que o cirurgião recomendou a transferência da paciente para um serviço de emergência?
Devido à gravidade do quadro de anafilaxia e à falta de resposta ao tratamento.
- Quando o cirurgião tomou conhecimento da gravidade do caso?
A gravidade do caso foi confirmada após a realização da tomografia, indicada por outro serviço de saúde, quando o diagnóstico inicial de anafilaxia foi descartado. Neste momento, o cirurgião plástico e sua equipe tiveram conhecimento sobre a perfuração.
Linha do tempo das transferências da paciente
Após a recomendação de transferência pelo cirurgião, a paciente deu entrada no Pronto Atendimento do Hospital Lifecenter, localizado no mesmo complexo do hospital-dia. Durante o atendimento, a equipe de plantão também suspeitou de anafilaxia e conduziu o tratamento com base nesse diagnóstico. No entanto, como a operadora de saúde da paciente não era aceita pelo hospital, a família optou por transferi-la para o Pronto Atendimento do Hospital MedSênior, na Pampulha. Como não havia risco imediato à vida, as equipes do Hospital Lifecenter e do cirurgião apoiaram a transferência.
No MedSênior, a equipe de emergência ampliou a investigação diagnóstica, pois o quadro continuava evoluindo mesmo com o tratamento para anafilaxia. Após a realização de uma tomografia, foi identificada lesão na traqueia e recomendada a internação para cirurgia torácica. No entanto, devido ao período de carência do plano de saúde da paciente e à ausência de risco iminente à vida naquele momento, a recomendação foi transferi-la para um hospital público (SUS).
Nesse ponto, a operadora já havia acionado uma ambulância para a transferência. Inicialmente, a família recusou a remoção, mas, após nova avaliação da necessidade, aceitou. Entretanto, foi necessário acionar outra ambulância, o que resultou em um atraso de aproximadamente duas horas na transferência para o Hospital Alberto Cavalcanti, localizado no Padre Eustáquio, isso na sexta-feira (14/02). No sábado (15/02), a paciente passou por um procedimento pela cirurgia torácica mais invasiva, sofreu duas paradas cardíacas e, infelizmente, faleceu.
A anestesista mencionou ao cirurgião algumas hipóteses para a perfuração da traqueia, que são descritas na literatura médica como riscos inerentes à manipulação da via aérea para intubação. Entre elas, estão possíveis lesões causadas pela guia utilizada para a intubação ou ruptura provocada pelo próprio tubo.
Em observação ao sigilo médico e à LGPD o cirurgião não cita o nome da paciente e de seus familiares e nem maiores detalhes sobre o procedimento. No entanto, coloca-se à disposição para o esclarecimento dos fatos.







