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Novo relógio digital mantém tradição e vira referência na região hospitalar de BH

08/01/2026 às 16h13 - Atualizado em 08/01/2026 às 16h15
(Asafe Alcântara/BHAZ)

Há pelo menos seis meses algo mudou na cena da área hospitalar em Belo Horizonte. Quem frequenta a região, agora tem uma nova forma de se guiar no tempo. É que um relógio digital com termômetro foi instalado no alto do edifício Cecília Coutinho, na avenida Brasil, 886, no bairro Santa Efigênia.

Conhecido há décadas como o “Prédio do Relógio”, o edifício de 30 anos de história passou recentemente por um processo de retrofit — uma revitalização arquitetônica que trouxe a novidade tecnológica, bem ao lado do relógio analógico que ainda funciona e permanece na estrutura original.

Ao BHAZ, Adriano Drummond, atual administrador do condomínio, disse que, desde que foi o prédio foi inaugurado, virou uma referência para quem frequenta a região.

“Por se tratar de um prédio que seria erguido no miolo da região hospitalar, onde existem inúmeros hospitais, laboratórios e clínicas, a preocupação foi exatamente de fornecer esse dado, porque todo mundo tem horário marcado para exames e consultas, horário de visitas nos hospitais. A ideia era de exercer essa função de informar aos usuários da região e o novo projeto manteve essa tradição, mas com um novo formato”.

O projeto de modernização buscou preservar essa identidade. “A gente não quis tirar essa característica principal dele, de descaracterizar, já que ele está inserido em uma área onde as pessoas continuam precisando estar sempre atentas aos horários”, explicou o Adriano.

Um detalhe curioso revelado por Élcio dos Reis, zelador do edifício há quase 10 anos, é que o relógio analógico original, que acompanha o prédio desde a construção, continua funcionando perfeitamente. O zelador é o responsável por entrar na estrutura e realizar a manutenção de ambos os sistemas. “A gente entra dentro dele, dá manutenção, funciona corretamente. Dos dois”, contou.

Dois relógios foram instalados, um de cada lado do prédio. E ele é possível ser visto a longa distância, 24 horas por dia, em vários bairros da cidade. Élcio disse que o relógio pode ser visto da Praça da Liberdade assim como da Praça Floriano Peixoto, localizações contrárias. Ele conta que é comum ser identificado por seu local de trabalho. “As vezes a gente vai no comércio e perguntam: ‘você trabalha naquele condomínio do relógio novo?'”.

Segundo o Adriano, apesar da modernização, o projeto seguiu critérios rigorosos. Por se tratar de uma reforma de fachadas em um edifício emblemático, a obra foi executada sob aprovação da Diretoria de Patrimônio Cultural.

“Como o prédio está sendo alvo de um retrofit e os relógios analógicos que já eram referência para muitos na região serão revestidos, o projeto contemplou a relocação dos relógios no formato digital de forma a continuar exercendo sua função informativa, porém de forma ainda mais nítida”, concluiu.

Saudade do relógio do Itaú no JK

O belo-horizontino tem uma ligação afetiva com relógios nos altos do prédios. Em novembro de 2019 foi o fim de uma era na capital mineira: o emblemático “Relógio do Itaú” foi completamente retirado do edifício JK, na região Centro-Sul da capital. O letreiro luminoso, que estava desde 1984 no alto do prédio, saiu de cena após uma batalha judicial entre o banco responsável por ele e o condomínio, que não aceitava a retirada do símbolo.

Na época, um acordo entre as partes firmado pelo juiz Bruno Teixeira Lino, determinou que o banco Itaú pagasse cerca de R$ 468.9 mil ao Edifício JK. A extração se deu ao Código de Posturas da PBH (Prefeitura de Belo Horizonte), que considera o letreiro “uma publicidade irregular”. Com a irregularidade notificada pela PBH, o Itaú Unibanco optou por não manter o relógio no edifício. Outro motivo para a retirada, segundo a instituição, é porque a empresa decidiu rever a estratégia de posição da marca.

Asafe Alcântara

Coordenador de mídias digitais e repórter, no BHAZ, desde setembro de 2021. Atualmente concilia como repórter na Record TV Minas. Jornalista graduado pelo UNI-BH, com experiência em redações de veículos de comunicação, como RedeTV! BH, TV Band Minas, TV Alterosa, TV Anhanguera (afiliada Globo GO), TV Justiça e CNN Brasil.
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