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Obra rara de Guignard, exibida uma única vez em 1943, será leiloada em BH

12/08/2026 às 14h04
As obras que serão leiloadas ficarão em exposição do dia 19 a 25 de agosto. (Divulgação/Alberto da Veiga Guignard)

Uma obra de Alberto da Veiga Guignard que foi exibida ao público uma única vez, em 1943, está entre os destaques do Grande Leilão Coleção Errante, que será realizado no dia 25 de agosto, às 20h, em formato virtual. O leilão reúne 60 obras produzidas entre 1925 e 1998, de artistas como Guignard, Tarsila do Amaral, Anita Malfatti e Djanira. Antes do leilão, as peças poderão ser visitadas pelo público entre 19 e 25 de agosto, na Rugendas Galeria de Arte, no Belvedere Mall, em Belo Horizonte.

Entre os destaques está “Retrato de Vera Anunziata” (1943), de Guignard. A pintura foi uma das três obras escolhidas pelo artista para o Salão Nacional de Belas Artes daquele ano. Desde então, permaneceu fora do circuito expositivo e agora volta a ser apresentada em um ano que marca os 130 anos de nascimento do artista.

Um ano depois da produção do retrato, em 1944, Guignard mudou-se para Belo Horizonte a convite do então prefeito Juscelino Kubitschek. Na capital mineira, fundou a Escola de Belas Artes e passou a exercer papel decisivo na formação de uma nova geração de artistas mineiros.

Retratos de Guignard, Anita Malfatti e Djanira

O núcleo de retratos do leilão também reúne “Retrato de Lupe Deane” (1944), de Guignard. A obra foi apresentada na retrospectiva do artista realizada pelo Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, em 1974, e posteriormente na exposição “O Olhar Modernista de JK”, em 2006.

A pintura também pode ser observada em relação a outro trabalho incluído no leilão: um retrato da mesma personagem, produzido em 1941 por seu marido, o pintor Percy Deane.

Outro trabalho com histórico de exposição é “Retrato de Dora” (1934), de Anita Malfatti, apresentado no II Salão Paulista de Belas Artes, em 1935. Pesquisas recentes conduzidas pelo Cecor/UFMG identificaram a existência de um nu oculto sob a pintura atualmente visível.

Já “Retrato do Motta” (1959), de Djanira, foi reproduzido em publicação oficial do Ministério da Educação e Cultura e apresentado na retrospectiva da artista realizada no Museu Nacional de Belas Artes. No verso da tela, uma dedicatória ao poeta José Shaw da Motta e Silva, último marido de Djanira, acrescenta uma dimensão biográfica à obra.

60 obras de diferentes períodos

Além dos retratos, a seleção inclui obras de Tarsila do Amaral, algumas reproduzidas em seu catálogo raisonné, um óleo realizado em Nova York por Milton Dacosta, em 1945, e trabalhos de Anatol Wladyslaw, Ivan Serpa, Maria Leontina, Emeric Marcier, Enrico Bianco, Glauco Rodrigues, Regina Vater, Miguel Rio Branco e Aldemir Martins, entre outros artistas.

As 60 obras abrangem produções realizadas ao longo de mais de sete décadas, permitindo acompanhar diferentes momentos da produção artística brasileira entre 1925 e 1998.

Coleção Errante

A Coleção Errante foi formada ao longo de dez anos pelo empresário e colecionador mineiro Vinicius Veloso. O projeto foi concebido a partir da circulação das obras por exposições e empréstimos a diferentes públicos e instituições.

A decisão de colocar parte do acervo em leilão ocorre em uma nova etapa do projeto, com maior direcionamento para a produção contemporânea e a manutenção de obras consideradas estruturantes para essa narrativa.

“Depois de dez anos formando esse acervo, chegou o momento de permitir que parte dessas obras siga novos caminhos. Quero concentrar meu trabalho na produção contemporânea, mantendo na coleção apenas obras fundamentais para essa narrativa, sem perder de vista a história que cada uma delas carrega”, afirma Vinicius Veloso.

A trajetória das obras é um dos eixos da seleção. Além da autoria e do período de produção, o conjunto reúne trabalhos que participaram de salões, retrospectivas, bienais e exposições museológicas, além de peças reproduzidas em livros, catálogos raisonné e publicações especializadas.

Durante o período de visitação, o público também poderá conhecer informações sobre procedência, histórico expositivo e documentação associada a cada trabalho.

Então, se liga!

Grande Leilão Coleção Errante

Exposição: 19 a 25 de agosto de 2026
Horários: segunda a sexta, das 11h às 19h; sábado e domingo, das 10h às 15h
Local: Rugendas Galeria de Arte – Belvedere Mall (Espaço Térreo)
Endereço: Av. Luiz Paulo Franco, 1011, lojas 70 e 79 – Belvedere – Belo Horizonte (MG)

Leilão virtual: 25 de agosto de 2026
Horário: 20h
Formato: transmissão ao vivo pela Plataforma Leilões BR

Lavínia Fernandes

Jornalista formada pela PUC Minas. Publicou um artigo sobre alfabetização midiática pela Intercom. Foi estagiária de assessoria de comunicação na ALMG. Repórter no BHAZ desde novembro de 2024.
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