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Polícia prende suspeitos de fabricar e distribuir anabolizantes em Minas e outros quatro estados

12/08/2026 às 11h42
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, nesta quarta-feira (12), a Operação Narciso, que desarticulou uma organização criminosa suspeita de fabricar, distribuir e comercializar anabolizantes, substâncias controladas e termogênicos adulterados em diferentes regiões do país. Em Minas Gerais, as ações ocorreram em Uberlândia.
45 mandados de prisão e 50 de busca a apreensão foram cumpridos (Fotos: PCDF)

Uma organização criminosa suspeita de fabricar, distribuir e comercializar anabolizantes, substâncias controladas e termogênicos adulterados em Minas e outros quatro estados usava a cidade de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, como um dos pontos de escoamento dos produtos. Endereços de parte do patrimônio dos investigados também foram alvo da Operação Narciso, deflagrada nesta quarta-feira (12) pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).

Ao todo, foram expedidos 45 mandados de prisão contra integrantes apontados como líderes, articuladores logísticos e intermediários financeiros do esquema. Também foram autorizadas buscas contra 50 pessoas físicas e jurídicas. As medidas contra a organização criminosa que produzia anabolizantes e outros produtos foram cumpridas no Distrito Federal, Goiás, Paraíba, Paraná, Acre e Minas Gerais.

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Segundo a investigação, o grupo mantinha uma estrutura clandestina de fabricação de substâncias hormonais, diuréticos e estimulantes em residências e depósitos improvisados. Os produtos eram produzidos sem controle de esterilidade, pureza ou segurança sanitária. Para tentar dar aparência de legitimidade às mercadorias, os suspeitos utilizavam rótulos em idiomas estrangeiros, bandeiras de outros países e nomes que simulavam marcas de laboratórios internacionais.

Como funcionava o esquema de fabricação e distribuição de anabolizantes

De acordo com a polícia, a organização contava com a participação de profissionais de diferentes áreas. Designers criavam a identidade visual das marcas clandestinas, enquanto nutricionistas e treinadores recomendavam o consumo das substâncias. Médicos veterinários seriam responsáveis pela emissão de receitas falsas utilizadas para a compra de medicamentos controlados em estabelecimentos agropecuários.

Uma gráfica também fazia parte da estrutura e produzia rótulos e embalagens sob encomenda. De acordo com os investigadores, os responsáveis apagavam os arquivos utilizados na impressão para dificultar a identificação da origem do material.

A investigação também apontou um complexo sistema de lavagem de dinheiro. Os integrantes utilizavam contas de terceiros, empresas de fachada, chaves Pix de parentes e contas de passagem para movimentar os valores. Parte dos recursos ainda passava por casas de apostas virtuais e plataformas de jogos, numa tentativa de dificultar o rastreamento financeiro.

Esquema de fabricação e distribuição de anabolizantes funcionava em seis estados

No Distrito Federal, estavam concentradas bases de fabricação e armazenamento, além de academias ligadas à divulgação dos produtos e a gráfica usada na confecção das embalagens.

Em Goiás, os investigadores identificaram depósitos para recebimento de insumos na divisa com o Distrito Federal, uma farmácia de manipulação supostamente envolvida no esquema e movimentações financeiras relacionadas à organização.

Na Paraíba, em João Pessoa, foi localizado um laboratório filial instalado em uma mansão alugada. Um dos líderes também mantinha uma residência de alto padrão à beira-mar e contava com apoio de familiares e de uma parceira local para receber insumos importados.

Já no Paraná, a investigação se concentrou em Foz do Iguaçu, apontada como a base de uma fornecedora localizada na região de fronteira. Ela e o marido seriam responsáveis por coordenar o fornecimento das substâncias para outros estados.

No Acre, Rio Branco também aparece entre as cidades utilizadas para o escoamento dos produtos. Em Minas Gerais, a investigação conduzida pela Polícia Civil do DF mostrou que a cidade de Uberlândia foi identificada como ponto de distribuição dos anabolizantes e outros produtos e também como local onde havia patrimônio relacionado aos investigados.

Mais de R$ 32 milhões bloqueados

A Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 32 milhões em contas bancárias e instituições financeiras ligadas aos investigados e às empresas relacionadas ao grupo.

Também foi determinado o sequestro de 11 veículos de luxo, incluindo carros de alto padrão, caminhonetes, um SUV e uma motocicleta de alta cilindrada. A decisão ainda permite a apreensão de outros bens de valor relevante encontrados durante o cumprimento das buscas.

As medidas incluem ainda a suspensão das atividades e o lacramento de 13 estabelecimentos comerciais e laboratórios de manipulação apontados como integrantes da estrutura criminosa. A Justiça autorizou a quebra dos sigilos bancário e telemático dos investigados e determinou a exclusão ou bloqueio de 22 perfis em redes sociais usados para divulgar os produtos e atrair clientes.

Fábio Galdino

Fábio Galdino é jornalista, apresentador de TV e, agora, repórter do Portal BHAZ. Natural de Santa Luzia, na Grande BH, é formado pela Universidade Federal de Ouro Preto e, nos últimos anos, dedicou à cobertura jornalística em diferentes emissoras de televisão, com passagens por afiliadas à Rede Globo, SBT e Band. Em 10 anos, participei de grandes coberturas, como eleições municipais e estaduais, a tragédia do rompimento de uma barragem, em Mariana, e a pandemia de Covid-19.

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