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Dono de padaria e padeiro são indiciados por homicídio culposo após intoxicação por torta de frango em BH

27/08/2025 às 13h33
Na época, padaria foi interditada após Vigilância Sanitária identificar irregularidades (Google Maps/Reprodução)

A Polícia Civil de Minas Gerais concluiu a investigação sobre a morte de Cleusa Maria de Jesus, de 78 anos, e a intoxicação grave do casal João Vitor Carrilho Reis, de 24, e Fernanda Isabella de Morais Nogueira, de 23, após a ingestão de uma torta contaminada comprada na Padaria Natália, no bairro Serrano, na região da Pampulha, em Belo Horizonte, em abril deste ano. Segundo a apuração, uma sequência de “negligências graves” por parte do dono do estabelecimento e do padeiro levou à contaminação do alimento por toxina botulínica.

As investigações identificaram diversas irregularidades e “condições insalubres” na padaria, como:

  • armazenamento inadequado de alimentos, com carnes cruas misturadas a produtos prontos;
  • alimentos destampados e expostos;
  • condições de higiene precárias e estufas mal higienizadas;
  • falta de alvarás e licenças para funcionamento;
  • modelo de contratação irregular de funcionários.

O casal comprou a torta na padaria e foram até a casa de Creuza Maria. Os três consumiram o alimento. João e Fernanda notaram um sabor e odor estranho na torta e voltaram até a padaria para fazer a devolução do produto. “No outro dia, por volta das 5 horas da manhã, o casal começou a passar mal e foram até um hospital”, explicou a delegada Eliane Seda, Titular da Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor.

Cleuza Maria também passou mal e sofreu uma parada cardiorrespiratória em casa. Ela foi reanimada pelo filho e levada para um hospital. “Os três seguiram internados, porém a a senhora estava em coma e não teve melhora no quadro de saúde”, disse a delegada. A idosa morreu cerca de um mês após ser hospitalizada. Já o casal ficou com sequelas na visão, coordenação motora e força muscular.

O proprietário da padaria e o padeiro foram indiciados por “homicídio culposo”, “lesão corporal culposa” e por violação do artigo 7º da Lei 8.137, que trata de produto impróprio para consumo. A padaria, que já havia sido interditada, encerrou suas atividades no local em agosto de 2025, segundo atualização da Prefeitura de Belo Horizonte.

Amanda Serrano

Com experiência nas principais redações de Minas, como Jornal Estado de Minas e TV Band Minas, além de atuação como assessora política, Amanda Serrano é, atualmente, repórter do Portal BHAZ. Em 2024, fez parte da equipe vencedora do Prêmio CDL/BH de Jornalismo.
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