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‘Lugar da mulher é onde ela quiser’: Damião assina PL que garante auxílio para mulheres na construção civil de BH

06/03/2026 às 13h45
O projeto foi assinado na futura sede da Casa da Mulher Brasileira. (Lavínia Fernandes/BHAZ)

O prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União), assinou nesta sexta-feira (6) um projeto de lei que garante auxílio financeiro e formação profissional para mulheres que desejam atuar na construção civil na capital mineira. A iniciativa oficializa e amplia o programa Mulheres na Obra, que passa a oferecer bolsa para transporte e alimentação, além de estágio remunerado e capacitação profissional.

A cerimônia de assinatura do PL ocorreu na futura sede da Casa da Mulher Brasileira, espaço que reunirá serviços de acolhimento e atendimento para mulheres vítimas de violência. Segundo a PBH, o objetivo é transformar em política permanente uma iniciativa iniciada na gestão anterior e ampliar as oportunidades de inserção feminina no setor.

Durante o evento, o prefeito destacou que o projeto representa o reconhecimento do direito das mulheres de ocuparem qualquer espaço no mercado de trabalho. “O lugar da mulher é onde ela quiser. É o reconhecimento que ela tem o direito de estar ali trabalhando e nós temos que fazê-la participar disso”, afirmou.

Como funciona o programa

O programa é voltado para mulheres maiores de 18 anos residentes em Belo Horizonte, com prioridade para aquelas em situação de vulnerabilidade econômica ou vítimas de violência doméstica. A proposta busca reduzir a desigualdade de gênero na construção civil, um dos setores que mais geram empregos na cidade.

Em 2025, a área respondeu por 34% do saldo positivo de vagas com carteira assinada em Belo Horizonte, enquanto a participação feminina em funções operacionais permanece abaixo de 3%.

As participantes passarão por um ciclo de formação que inclui cursos de quatro meses, com carga horária de 160 horas, em áreas como pintura, alvenaria, elétrica e hidráulica. Durante a capacitação, as alunas receberão auxílio para transporte e alimentação, além de material didático.

Após a etapa teórica, as mulheres serão encaminhadas para estágio remunerado em obras públicas da cidade. A expectativa é que, ao final do processo, elas possam ser inseridas definitivamente no mercado de trabalho por meio de parcerias com sindicatos e empresas privadas.

Segundo o prefeito, a proposta também pretende mudar a narrativa histórica da construção civil. Durante o discurso, ele afirmou que a intenção é que, no futuro, trabalhadoras possam reconhecer sua participação nas obras da cidade e dizer às próximas gerações que ajudaram a construí-las.

A prefeitura informou que o projeto de lei será enviado à Câmara Municipal para oficializar a iniciativa e garantir a continuidade da política pública nas próximas gestões.

Lavínia Fernandes

Jornalista formada pela PUC Minas. Publicou um artigo sobre alfabetização midiática pela Intercom. Foi estagiária de assessoria de comunicação na ALMG. Repórter no BHAZ desde novembro de 2024.
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