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Polarização em sala de aula: ‘o desafio é transformar intensidade em diálogo’

16/07/2026 às 11h26
sala de aula

A poucos meses das eleições de 2026, escolas discutem como lidar com a polarização que atravessa a sociedade e chega às salas de aula, aos corredores e às relações entre alunos, famílias e professores. Nesse contexto, não fica de fora da escola: acompanha estudantes e famílias, e leva colégios a debater diálogo, respeito e formação de valores diante de opiniões cada vez mais divergentes, alimentadas também pelas redes sociais.

Eldo Pena Couto, diretor-geral da Rede de Colégios Santa Maria Minas, considera que o ambiente escolar reflete o que eles absorvem em outros espaços sociais e também é um fenômeno que impacta professores e demais funcionários. “A polarização que vivemos hoje na sociedade acaba se refletindo, naturalmente, em todos os ambientes escolares. A escola não está isolada da realidade social; ela é parte dela”, afirma.

Os estudantes, diz ele, estão em formação e levam para o dia a dia escolar referências e opiniões que vêm de casa. “Quando observamos manifestações de polarização entre os alunos, elas, em grande parte, refletem posicionamentos e atitudes presentes no ambiente familiar”.

Para o diretor, uma identidade institucional com missão, visão, princípios e valores reduz esse risco e orienta relações, decisões e práticas do cotidiano, com foco em diálogo, respeito e formação dos estudantes.

Intensificação nos últimos anos

Pena Couto afirma que a polarização cresceu nos últimos anos, acompanhando mudanças da sociedade. Ele aponta as redes sociais como um fator revelante: famílias e estudantes chegam hoje “mais expostos a um grande volume de informações e opiniões”, o que se reflete na convivência escolar. Ao mesmo tempo, segundo ele, as famílias estão mais participativas na formação dos filhos.

“O desafio, para todos, é transformar essa intensidade em diálogo”, diz o diretor, que soma a esse desafio o papel da escola: “promover o diálogo, o pensamento crítico e o respeito às diferenças”.

Sobre episódios em que a polarização compromete a aprendizagem, o diretor destaca um trabalho contínuo, não pontual: “Mais do que reagir a situações específicas, a escola precisa desenvolver esse trabalho de forma permanente e preventiva”, afirma o educador. Quando a divergência passa a intolerância, segundo ele, a escola media conflitos, reafirma princípios e valores e transforma o episódio em aprendizagem.

Algoritmos, redes sociais e inteligência artificial

O diretor-geral da Rede de Colégios Santa Maria Minas associa os algoritmos das redes sociais à formação de bolhas de opinião, o que, para ele, exige da escola um papel de encontro entre ideias diferentes. Nesse sentido, diz que orienta o uso das redes sociais, com limites no cotidiano escolar, e promove debates, assembleias e rodas de conversa.

Sobre inteligência artificial, ele evita rotular a ferramenta: “A inteligência artificial, por si só, não é um risco nem uma solução. Ela é uma ferramenta poderosa. Tudo depende da forma como é utilizada”, afirma Pena Couto.

Usada com critério, amplia horizontes; usada só para confirmar crenças, reforça bolhas. Cabe à escola, segundo o diretor, formar estudantes que analisem informações, questionem respostas prontas e verifiquem fontes, em vez de aceitar sem exame os conteúdos produzidos por essas ferramentas — leitura que a Rede associa à encíclica Magnifica Humanitas, do papa Leão XIV, e à ideia de que a inteligência artificial precisa ser desarmada.

O limite entre diálogo e partidarismo

Sobre o limite entre promover o diálogo e parecer tomar partido em temas como política e religião, Pena Couto aponta para a missão da instituição: “Promover o diálogo não significa defender partidos ou correntes ideológicas, mas criar um ambiente em que diferentes ideias possam ser debatidas com respeito, sempre orientadas pela missão, visão, princípios e valores da instituição”, acrescenta.

Na relação entre respeito à diversidade de opiniões e defesa de direitos humanos e democracia, o diretor cita coerência institucional: a escola segue sua missão, visão, princípios e valores, sem ajustar o discurso ao que o interlocutor espera ouvir.

Com o contexto eleitoral de 2026, o diretor trata a política como dimensão da formação cidadã, não como partidarismo: ensinar política, para ele, é levar o estudante a compreender o funcionamento das instituições democráticas, direitos e deveres, e a participação na vida pública. A proposta da Rede Santa Maria Minas incentiva diálogo, análise crítica, respeito à pluralidade de ideias e construção de argumentos, “sempre em um ambiente de escuta e convivência respeitosa”.

Pedro Rocha Franco

Pedro Rocha Franco é jornalista desde 2007 e bacharel em ciências sociais. Foi repórter do jornal Estado de Minas, editor do portal O Tempo e head do departamento de jornalismo digital da Itatiaia. Hoje é gerente executivo do BHAZ. Além disso, colaborou com UOL e Repórter Brasil.

Pedro Rocha Franco

Email: [email protected]

Pedro Rocha Franco é jornalista desde 2007 e bacharel em ciências sociais. Foi repórter do jornal Estado de Minas, editor do portal O Tempo e head do departamento de jornalismo digital da Itatiaia. Hoje é gerente executivo do BHAZ. Além disso, colaborou com UOL e Repórter Brasil.

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