A professora Shirley Lourenço, de 64 anos, afirma que foi agredida pela mãe de uma aluna na tarde da última sexta-feira (23), na Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Mangueiras, no bairro Mangueiras, na região do Barreiro, em BH. Segundo a educadora, a mulher deu um tapa em seu rosto e a segurou pelo braço, tentando derrubá-la. O caso ocorreu durante uma atividade recreativa com as crianças e provocou um protesto com outras professoras da unidade escolar nesta segunda-feira (26).
Em entrevista ao BHAZ, Shirley conta que os alunos participavam de um ensaio para uma peça teatral que será apresentada pela turma. Durante a atividade, a filha da mulher se levantou e começou a chorar, enquanto a mãe chamava a criança do lado de fora da grade da escola.
Veja também
A professora diz que tentou acalmar a situação e orientar a menina a se despedir da mãe antes de sair. Pouco depois, uma funcionária da escola a avisou que a mulher estava nervosa e queria conversar com ela, alegando que a educadora teria sacudido a criança e a obrigado a se sentar.
“Quando eu cheguei, ela tava de fora do portão, ela saiu do portão de entrada da escola e me deu um tapa no rosto, que arranhou o meu rosto. Ela tem unhas enormes, me pegou pelo braço e queria me jogar no chão. Ela não fez mais, porque o porteiro e a secretária conseguiram segurá-la. Depois, ela ainda sacudiu a diretora da escola. Ela machucou, também, o meu braço e agarrou o braço do porteiro também”, relata Shirley.
‘Foi uma coisa tão banal’, diz professora agredida em escola de BH
Após a agressão, Shirley foi até a sala da direção para relatar o que havia acontecido, acompanhada de testemunhas. Em seguida, procurou a polícia, registrou um boletim de ocorrência e foi encaminhada para exame de corpo de delito.
A educadora afirma que precisou tomar um medicamento para se acalmar e também recebeu uma dose de vacina antitetânica após o episódio. “Foi uma coisa tão banal, tão banal que eu não consigo entender até agora”, desabafa.
Além das marcas físicas, Shirley destaca o impacto emocional da violência. Com anos de dedicação à educação infantil, ela afirma que a situação reforçou a sensação de insegurança enfrentada pelos profissionais da unidade.
“Estamos muito vulneráveis, sempre reclamamos de não termos Guarda Municipal como porteiros na escola. Você não tem noção o tanto que dói! Tantos anos de dedicação. E ser agredida desse jeito”, afirma.
Professora agredida recebe apoio de colegas em protesto
Apesar do episódio, Shirley diz que encontrou acolhimento entre os colegas de trabalho e as famílias dos alunos. Segundo ela, a mobilização das pessoas da comunidade escolar na porta da unidade foi importante para que não se sentisse sozinha após a agressão. Um protesto foi realizado na manhã desta segunda-feira (26). Os profissionais se vestiram de preto e deram um abraço simbólico.
Veja vídeo que mostra o protesto em apoio a professora agredida em uma Emei de BH:
“Divinamente encantada pelos colegas que fizeram um ato hoje, que quando eu assisti, eu disse: ‘que bom! Eu não estou sozinha’”, conta. A professora resume o apoio recebido em uma frase que, segundo ela, representa o sentimento após os últimos dias: “Nunca me senti tão abraçada pelas colegas e pelas famílias”.
Durante o protesto, os profissionais pediram por mais segurança na escola e cobraram a presenta da Guarda Civil Municipal (GCM) na portaria da unidade onde o caso aconteceu.
O que dizem a Prefeitura de BH e a Polícia Civil
O BHAZ procurou a Prefeitura de Belo Horizonte para saber quais providências foram adotadas após a agressão e questionou a administração municipal sobre o pedido de profissionais da GCM nas escolas. Até a publicação desta reportagem, não houve retorno.
A Polícia Civil também foi procurada para informar se o caso está sendo investigado e quais medidas foram tomadas, mas ainda não respondeu.









