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Quilombo Manzo ocupa terreno aos pés da Serra do Curral em Belo Horizonte

28/05/2024 às 12h35 - Atualizado em 28/05/2024 às 12h58
quilombo ocupa serra do curral bh
Quilombo ocupou terreno aos pés da Serra do Curral, no bairro Fazendinha, em BH (Reprodução/@kilombomanzo/Instagram)

O quilombo Manzo Ngunzo Kaiango ocupou uma área aos pés da Serra do Curral, no bairro Fazendinha, em BH. A ocupação ocorreu na última sexta-feira (24) no espaço que a comunidade nomeou como Território Kewa Matamba.

Por meio do Instagram, o quilombo anunciou a ocupação, que teve apoio do MLB (Movimento de Luta nos Bairros) e da articulação Teia dos Povos de Minas Gerais. “Reafirmamos aqui nossa conexão sagrada com esse território, que cuida e nos dá condição de nos mantermos fortes”, disse a comunidade.

“Sem a terra, o território, as águas e as plantas, o kilombo e o terreiro não têm como existir. Retomamos hoje esse espaço que sempre foi nosso!”, declarou. Segundo o quilombo, a comunidade continuará a missão dada por Pai Benedito na década de 1970.

De acordo com a tradição, Pai Benedito teria orientado a Mãe Efigênia, bisneta de pessoas escravizadas, “para que construísse um lugar de acolhimento onde quem chegasse pudesse ter água, comida e cama para dormir”.

“A história de Mãe Efigênia nos mostra a continuidade histórica da resistência kilombola frente à mineração e às opressões sofridas”, acrescentaram.

A comunidade relembrou do movimento que impediu as atividades de mineração na Serra do Curral, em 2022. “Em nossa retomada, seremos guardiões dessa grandiosa Serra, que protege e nutre toda a cidade”.

“Na Retomada vamos continuar realizando nossos rituais, colhendo nossas ervas, plantando nossas roças de quilombo e construindo nossa Edukação das Ngoma. Vamos sustentar nossas autonomias e garantir nossos modos de vida no território”, concluiu o quilombo.

O que diz o proprietário do terreno

Em nota, o Hospital da Baleia informou que o terreno “é de propriedade da Fundação Benjamin Guimarães, instituidora do Hospital da Baleia”. A instituição disse que “tomou conhecimento das reivindicações do movimento quilombola” e, desde então, “encontra-se aberto para dialogar com os representantes do movimento”.

Segundo o hospital, o terreno é, também, “patrimônio tombado e área de preservação ambiental”.

Andreza Miranda

Graduada em Jornalismo pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e repórter do BHAZ desde 2020. Participou de duas reportagens premiadas pela CDL/BH (2021 e 2022); de reportagem do projeto MonitorA, vencedor do Prêmio Cláudio Weber Abramo (2021); e de duas reportagens premiadas pelo Sebrae Minas (2021 e 2023).

Andreza Miranda

Email: [email protected]

Graduada em Jornalismo pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e repórter do BHAZ desde 2020. Participou de duas reportagens premiadas pela CDL/BH (2021 e 2022); de reportagem do projeto MonitorA, vencedor do Prêmio Cláudio Weber Abramo (2021); e de duas reportagens premiadas pelo Sebrae Minas (2021 e 2023).

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