A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) divulgou, na tarde dessa terça-feira (20), um alerta que tem como objetivo reforçar a prevenção contra a febre maculosa. Nas última semanas, um menino de 10 anos morreu vítima da doença transmitida pela picada do carrapato-estrela, infectado pela bactéria Rickettsia rickettssii. Ele teria sido infectado ao participar de uma excursão no Parque Ecológico da Pampulha. Somente este ano foram 10 casos confirmados em Minas e quatro mortes.
Segundo a referência técnica do Programa da Febre Maculosa Brasileira da SES-MG, Bruna Dias Tourinho, alguns cuidados são importantes para prevenção da doença que é considerada grave e, se não tratada logo no início do aparecimento dos sintomas, pode levar à morte. “É importante que a população esteja atenta para a vistoria frequente do corpo quando exposta a ambientes favoráveis à infestação ou presença de carrapatos, como áreas rurais, matas, cachoeiras, pasto sujo, áreas com presença de animais domésticos ou silvestres, parques, beira de rios e lagoas”, explica.

A doença apresenta casos em áreas rurais e urbanas e se manifesta de forma aguda por meio de sintomas como febre, dor de cabeça, dores no corpo, mal estar, náuseas e vômitos. Em alguns casos, podem surgir manchas avermelhadas na pele, principalmente na palma das mãos e planta dos pés. Bruna complementa que “os cuidados devem ser redobrados também quanto ao contato com animais que participam do ciclo de transmissão da doença como roedores, cães, cavalos, capivaras e bois”, completa.
Diagnóstico e tratamento
Segundo a referência técnica, os sintomas iniciais da febre maculosa ocorrem entre o 2º e o 14º dia após a picada do carrapato e podem ser facilmente confundidos com os de outras doenças. Por isso é fundamental que, diante dos primeiros sintomas, o paciente procure imediatamente o serviço de saúde e relate ao profissional médico que esteve em áreas propícias para a presença de carrapatos.
A partir da suspeita de FMB, o tratamento deve ser iniciado imediatamente, sem esperar a confirmação laboratorial do caso. “Se não tratados, pacientes com FMB podem evoluir para estágios de confusão, torpor, alterações psicomotoras e outras manifestações graves (edema, manifestações hemorrágicas, icterícia), que requerem cuidados hospitalares intensivos e podem levar o paciente ao óbito em cerca de 80% dos casos, finalizou a referência técnica em Febre Maculosa Brasileira, Bruna Dias Tourinho”.
Exames de diagnóstico da FMB
A conduta laboratorial para o diagnóstico da Febre Maculosa Brasileira é definida de acordo com o tipo de amostra e o prazo entre o início dos sintomas e a coleta. A Imunofluorescência Indireta é realizada quando a coleta da amostra é realizada a partir do 7º dia após o início dos sintomas, período em que os anticorpos específicos que agem contra o agente que provoca a doença podem ser detectados.
Amostras coletas antes desse prazo, quando necessário, são encaminhadas para a Reação em Cadeia de Polimerase (em inglês Polymerase Chain Reaction – PCR), método que pesquisa diretamente o material genético da bactéria.

Casos de FMB
Casos de Febre Maculosa Brasileira (FMB) são registrados em Minas desde a década de 1930. De 2008 a 2016 foram registrados 111 casos e 46 óbitos por causa da doença nas principais macrorregiões do Estado. As que apresentaram maior frequência de casos foram Centro (26%), Sudeste (22,9%), Leste (15,6%) e Oeste (12,5%). Os municípios com maior número de registros da doença foram Divinópolis (8,3%), Juiz de Fora (7,2%), e Diamantina (4,2%). Em 2016, até o momento, foram 10 casos confirmados e 4 óbitos.
Segundo o Ministério da Saúde, além de Minas Gerais também há registros da doença nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Espirito Santo, Santa Catarina e mais recentemente nos estados do Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás, Ceará e Mato Grosso do Sul.
Principais cuidados que devem ser tomados para se evitar a febre maculosa:
Ao frequentar áreas propícias para a presença de carrapatos (áreas rurais, matas, cachoeiras, pasto sujo, áreas com presença de animais domésticos ou silvestres, parques, beira de rios e lagoas), devem ser tomados os seguintes cuidados:
– Utilizar repelentes à base da substância Icaridina, que são eficazes na prevenção de picadas por carrapatos;
– Utilizar vestimentas longas e de cor clara, que permitem a fácil visualização dos carrapatos, além de calçados fechados e de cano longo são bastante importantes;
– Evitar sentar ou deitar em gramados nas atividades de lazer, como caminhadas, piqueniques ou pescarias;
– Examinar o corpo com frequência, tendo em vista que quanto mais rápido os carrapatos forem retirados, menor a chance de infecção;
– Se verificada a presença de carrapatos, retirá-los com leves torções e evitando o esmagamento de seu corpo com as unhas (já que pode haver contato com a bactéria presente no animal dessa maneira);
– Manter pastos, lotes e áreas públicas sempre limpas, para evitar a proliferação de carrapatos;
– Utilizar carrapaticidas periodicamente em cães, cavalos e bois, conforme recomendações do profissional médico veterinário.
Com SES-MG












