TikTok
Youtube
X (Twitter)
Instagram
Facebook
Whatsapp

Segurança é denunciado por ‘atitude suspeita’ e PM atira no rosto dele; família cobra respostas

28/11/2022 às 16h34 - Atualizado em 29/11/2022 às 13h30
segurança tiro pm
A família de Kleber Renato Carmo Costa, que atuava como segurança quando foi alvejado, pede respostas a respeito da abordagem (Arquivo pessoal)

Um bacharel em direito de 31 anos está internado em estado grave no Hospital Risoleta Neves, em Belo Horizonte, após ter sido atingido por um policial militar com um tiro no rosto na madrugada desta segunda-feira (28). A família de Kleber Renato Carmo Costa, que atuava como segurança quando foi alvejado, pede respostas sobre a abordagem da corporação que o deixou ferido.

Segundo consta no boletim de ocorrência, a polícia foi acionada para averiguar a presença de “um indivíduo moreno, trajando moletom preto, calça jeans, armado e ameaçando pessoas” na porta de um bar localizado na rua José Benevides da Silveira, em Venda Nova.

Chegando no local, os policiais encontraram Kleber acompanhado de outro homem e logo iniciaram a abordagem. Segundo a PM, ele não teria obedecido a ordem de colocar as mãos na cabeça. “Embora o sargento tenha enfatizado mais de uma vez para ele colocar a mão na cabeça, o suspeito não obedeceu e levou a mão na altura da cintura, do lado direito, onde estava a arma”, diz o registro.

O policial militar que atuava na ocorrência então disparou contra Kleber, que foi atingido no rosto. Ele foi encaminhado ao hospital com a bala alojada no cérebro e foi transferido para o CTI (Centro de Terapia Intensiva) em estado grave.

‘Meu próprio colega de trabalho praticamente matou meu filho’

Em conversa com o BHAZ, o pai de Kleber, policial militar há mais de 40 anos, argumenta que a conduta do agente responsável por atirar no filho foi equivocada. Segundo ele, o filho fazia um “bico” como segurança no bar em questão e possuía porte de armas, por ser colecionador.

“Alguém viu ele com a arma na cintura e chamou a polícia, que já chegou atirando. Ele tava com a mão na cintura. Eles [a PM] fizeram uma ocorrência totalmente corporativista colocando a culpa no meu filho que estava trabalhando”, alega o PM aposentado, que preferiu não se identificar.

“Eu tô sem chão, meu próprio colega de trabalho praticamente matou meu filho. Atoa. Ele não tava fazendo nada. Meu filho não esboçou nenhuma reação, tem três testemunhas oculares”, acrescentou, com indignação.

O que diz a Polícia Militar?

Em contato com a reportagem, a Polícia Civil informou que investiga o caso. A perícia compareceu ao local e, segundo a corporação, a ocorrência encontra-se em andamento. Ao BHAZ, a Polícia Militar reforçou a versão de que Kleber teria dificultado a abordagem.

“O abordado desobedeceu ordem legal emanada para abordagem e levou a mão na cintura, onde estava a arma, tendo os policiais verbalizado e determinado que levantasse os braços e se rendesse, contudo, o indivíduo não acatou e o militar, diante da iminente agressão letal, se defendeu com arma de fogo, tendo o único disparo atingido o suspeito”, disse, em nota (leia abaixo).

Ainda segundo a corporação, os policiais apreenderam a pistola que estava sendo utilizada por Kleber, além de três carregadores com 48 munições. “Foram arrecadados também em poder de Kleber, duas carteiras de registro profissional pertencentes à Policia Penal, contudo Kleber não era policial”, disse a PM.

Nota da Polícia Militar

A Polícia Militar, por intermédio do 49⁰ Batalhão, esclarece que os militares foram empenhados pelo Centro de Operações do 190, para averiguar denúncia de indivíduo armado, que estava exibindo o armamento para as pessoas.

De imediato, os militares deslocaram por conhecer o local por inúmeras denúncias de tráfico e uso de drogas, brigas generalizadas, dentre outros crimes.

Ao avistar o suspeito com as características idênticas às repassadas pelo denunciante, a guarnição iniciou abordagem, dando ordem de parada e visualizando a arma na cintura do indivíduo, posteriormente identificado como Kleber Renato Carmo Costa.

O abordado desobedeceu ordem legal emanada para abordagem e levou a mão na cintura, onde estava a arma, tendo os policiais verbalizado e determinado que levantasse os braços e se rendesse, contudo, o indivíduo não acatou e o militar, diante da iminente agressão letal, se defendeu com arma de fogo, tendo o único disparo atingido o suspeito, que foi socorrido de imediato.

Foi arrecadada a arma de fogo em posse do suspeito, uma pistola. 40, três carregadores com 48 munições, sendo arrecada ainda, uma réplica de pistola na posse do outro abordado que estava junto a Kleber.

Foram arrecadados também em poder de Kleber, duas carteiras de registro profissional pertencentes à Policia Penal, contudo Kleber não era policial. As providências de polícia Judiciária foram adotadas, estando as armas da corporação utilizadas na ocorrência acauteladas para perícia técnica.

A Corregedoria segue acompanhando o caso.

Editado por: Roberth R Costa

Larissa Reis

Graduada em jornalismo pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e repórter do BHAZ desde 2021. Vencedora do 13° Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão, idealizado pelo Instituto Vladimir Herzog. Também participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.
InstagramLinkedIn

Larissa Reis

Email: [email protected]

Graduada em jornalismo pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e repórter do BHAZ desde 2021. Vencedora do 13° Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão, idealizado pelo Instituto Vladimir Herzog. Também participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.
InstagramLinkedIn

Mais lidas do dia

Leia mais

Acompanhe com o BHAZ