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Separados por 30 anos, casal se reencontra e vive história de amor em BH

12/06/2026 às 13h46
Separados por 30 anos, casal se reencontra e vive história de amor em MG
Charles e Marliene foram o primeiro namoro de ambos (Arquivo pessoal)

Imagina um casal de primeiros namorados, que se conheceram ainda na adolescência, se reencontrar após 33 anos separados, justamente no Dia dos Namorados? Esta é a história de Marliene Maria Costa, de 49 anos, e Charles de Jesus Silva, de 51, marcada por desencontros, tentativas frustradas e um sentimento que atravessou décadas sem desaparecer.

Os dois se conheceram em 1988, na pequena cidade de Divisa Alegre, entre Minas Gerais e Bahia. Se viram a primeira vez na escola, mas foram se conhecer de verdade na “barraginha”, uma barragem minúscula e até meio lamacenta que a juventude da cidade se reunia. Foi ali, em meio a brincadeiras e banhos escondidos dos pais, que surgiu o primeiro amor. “Ele me achava a menina mais bonita da lama”, relembra Marliene, rindo da situação.

O namoro era típico de um namoro do interior no final dos anos 80: olhares trocados, pega-pega e encontros em parques itinerantes que passavam por ali. Juras de amor ao som de Elton John e Bon Jovi, sob a luz dos primeiros postes que começavam a iluminar a vila, que na época ainda era distrito de outra cidade próxima, Águas Vermelhas.

O relacionamento durou cerca de um ano, mas a vida tratou de interromper a história cedo demais, e Charles teve que se mudar para Belo Horizonte a trabalho, sem nenhum aviso. Marliene ficou desolada, mas estava determinada a reencontrá-lo. Com 14 anos e sem informação alguma do paradeiro do então namorado, ela veio sozinha para a capital.

Ela achava que o encontraria facilmente, como na cidade pequena, mas esbarrou na realidade. “Eu imaginava que eu ia chegar aqui e perguntar para alguém na rua onde é que ele morava… Aí eu me deparei com essa selva de pedra”, contou ela sobre seus primeiros momentos em BH.

Desencontros

Após o desencanto, a vida seguiu, mas o destino ainda colocaria os dois frente a frente outras vezes, sempre no momento errado. Em ambos os reencontros, havia um obstáculo em comum: ele já estava em outro relacionamento. Quando questionado, ele se justificou: “Eu não poderia chegar para a mãe dos meus filhos, dizer que encontrei o grande amor da minha vida e dar tchau. Eu tenho quatro filhos”, diz.

A primeira foi em uma quinta-feira qualquer, três anos depois do término. Charles relata que vendia picolé próximo ao antigo Cine Royal, quando viu Marliene do outro lado. Como em cena de novela, ele desviou dos carros com uma caixa de picolé, alcançando a mocinha. Eles marcaram um encontro para domingo, no Parque Municipal, onde passaram a tarde inteira juntos, e só no final que ele contou que já era noivo, e o sonho parecia ter acabado aí.

Em outra, em 2002, a situação se repetiu: ambos seguiram em frente. Charles já havia se separado do primeiro casamento, tinha quatro filhos e estava começando o segundo. Na época, ele trabalhava como perueiro. Durante uma viagem ele viu Marliene dentro de um ônibus, no meio da avenida Antônio Carlos.

Ele anotou o seu número de telefone e fez o primo, que trabalhava com ele como cobrador, descer do carro e atravessar a avenida para entregar o número para ela. Novamente se encontraram, e chegaram a se ver, mas não passaram disso. “Ele queria ser amigo, mas eu nunca quis só isso” disse Marliene, explicando o afastamento.

Reencontro

O tempo passou e a vida seguiu. Ambos tiveram seus relacionamentos, Marliene teve um filho e voltou para o interior, mas a memória permaneceu. Em 2018, durante uma busca despretensiosa no Facebook, Charles encontrou o perfil de Marliene. “Na hora que eu achei ela, o coração…. tuf, tuf, tuf, disparou”, lembra. Apesar da emoção, a conversa seguiu sem intenção românticas. Conversavam, vez ou outra, mas não passava disso.

Foi só anos depois, já em 2022, que os dois finalmente se reencontraram. Apesar do contato esporádico, eles só tiveram coragem de se reencontrar com a ajuda da irmã de Charles, que fez a ponte entre os dois. Por acaso, o encontro aconteceu justamente no Dia dos Namorados de 2022. “Eu me senti aquela adolescente de 13 anos quando ele chegava na porta da minha casa e gritava: ‘ô, Ma! Eu estou aqui!’”, diz Marliene.

Naquela noite, depois de mais de 30 anos, eles viveram a primeira vez como casal adulto. E, apesar de um breve afastamento depois disso, não se separaram mais. Hoje estão juntos há quatro anos, e os dois definem a relação com uma palavra: soma. Eles revelam que o principal componente do relacionamento é o companheirismo. “Tive relacionamentos ruins, e amor nenhum vinga desse jeito. É soma… se subtrair, uma hora acaba”, afirma Charles.

Em 2025, o casal voltou ao lugar onde tudo começou. A antiga barraginha já não tem mais água, nem barro, mas o vento continua o mesmo. Para Marliene, a sensação foi de reviver uma cena de novela. “Foi como se fosse aquela cena da Tieta, quando ela volta nas dunas… regressar é reunir” disse ela, cantando “Coração do Agreste“, de Fafá de Belém.

Agora, o plano é simples e cheio de significado: voltar para Divisa Alegre, construir um lar que seja só dos dois, e envelhecer juntos no mesmo lugar onde, um dia, tudo começou. Para Marliene, não há mais espaço para dúvidas: “Não tem negócio de morte separando. É para sempre. Até na próxima encarnação”.

Raul Costa

Graduando em Jornalismo pela UFMG e estagiário no BHAZ. Gosto jornalismo cultural, cultura pop e tudo que envolve contar boas histórias.

Raul Costa

Email: [email protected]

Estagiário do BHAZ

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