O presidente do Sindicato dos Policiais Penais de Minas Gerais (Sindppen), Jean Otoni, afirmou ao BHAZ que a Secretária de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp) não fornece “condições dignas” aos agentes. A declaração foi feita após o policial penal Euler Pereira Rocha, de 42 anos, ser assassinado durante uma escolta, dentro do Hospital Luxemburgo, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, na madrugada deste domingo (3).
“Faltam estruturas básicas: os policiais não têm sequer um espaço para guardar seus pertences ou tomar banho. Os policiais penais permanecem por mais de 12 horas seguidas em hospitais, muitas vezes em condições extremamente difíceis”. Segundo ele, agentes de outras corporações possuem benefícios que os policiais não têm, como o chamado “quarto de hora”, em que a cada duas horas é feito um rodízio na escolta.
“Já denunciamos a falta de cautela fixa para os policiais penais. Em muitas situações, eles precisam trocar de armamento no próprio corredor do hospital. O sindicato tem acompanhado de perto toda essa situação e está tomando todas as medidas cabíveis”, destacou Otoni.
O Sindppen-MG publicou uma nota de pesar nas redes sociais. O comunicado informa que Euler era servidor desde 2009. “Sindppen-MG externa solidariedade e pesar aos familiares, amigos e colegas de farda neste momento de profunda dor. Que Deus conforte, traga paz e força para atravessar esse momento de tanta tristeza”.
“A memória de Euler permanecerá viva entre aqueles que, como ele, dedicam suas vidas à segurança e à justiça”, lamentou o sindicato.
O que diz a Sejusp?
Em nota enviada à reportagem, a Sejusp informou que instaurou um procedimento interno para apurar “administrativamente” o homicídio do policial penal.
De acordo com a secretaria, o suspeito havia sido admitido na Penitenciária José Martinho Drumond, em Ribeirão das Neves, no dia 14 de julho, e possui passagens pelo sistema prisional desde 2018, respondendo a diversos inquéritos por crimes como tráfico de drogas, furto, posse ilegal de arma de fogo e homicídio.
O que aconteceu?
Um detento, de 24 anos, matou um policial penal a tiros na madrugada deste domingo (3), dentro do Hospital Luxemburgo, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. De acordo com o boletim de ocorrência, o presidiário é considerado de alta periculosidade com grande número de registros policiais e processos judiciais em andamentos.
O detento estava internado na unidade de saúde para tratamento médico desde o dia 27 de julho. Na madrugada de domingo (3), o autor teria se aproveitado de um momento de descuido do agente penitenciário responsável pela escolta dele e entrado em luta corporal com o policial. Durante a briga, o preso conseguiu pegar uma arma do agente e o matou com dois tiros.
‘Perdeu, perdeu’
Uma funcionária do hospital relatou à Polícia Militar que estava em um corredor próximo quando ouviu gritos de “perdeu, perdeu”. Ela disse que tentou abrir a porta do quarto, mas que alguém a impediu pelo lado de dentro, dizendo para “aguardar”.
Em seguida, o autor vestiu a farda do policial e roubou a bolsa dele. O detento saiu do quarto se passando pelo agente e informou à funcionária que “estava tudo tranquilo”. A testemunha, no entanto, contou que viu respingos de sangue no chão e o preso lavando as mãos ensanguentadas na pia.
Estranhando a situação, uma equipe do hospital entrou no quarto e encontrou o policial caído ao chão. Eles deram início às manobras de reanimação, mas o agente não resistiu aos ferimentos e morreu.
Fuga
Enquanto isso, o detento solicitou ajuda a uma mulher para chamar um carro de aplicativo. Ele disse que estava com a mãe passando mal e que não tinha telefone. Achando se tratar de um policial penal, a mulher atendeu ao pedido do autor.
Durante a fuga do detento em um carro de aplicativo, a Polícia Militar foi informada sobre o ocorrido. Os policiais deram início à perseguição e conseguiram localizar o veículo e o autor. Como o suspeito estava com um corte na testa, ele foi encaminhado para o Hospital João XXIII.










