O 3º sargento da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, suspeito de matar a esposa e capitã da corporação, Michelle Leão Azevedo, já tinha sido acusado de agredir e descumprir uma medida protetiva contra uma ex-companheira. A informação foi confirmada pela PMMG durante coletiva de imprensa nesta terça-feira (21).
Segundo a Polícia Militar, Eduardo tem um boletim de ocorrência registrado contra ele por violência doméstica em 2014. Dois anos depois, em 2016, ele voltou a ter uma passagem policial por descumprir uma medida protetiva. Além disso, ainda conforme a PMMG, o suspeito já havia sido preso em 2023 por embriaguez ao volante. O suspeito ingressou na corporação em 2015.
Eduardo foi preso por feminicídio nessa segunda-feira (20), após deixar a levar a esposa Michelle Leão para o Hospital Odilon Behrens. A capitã da Polícia Militar chegou à unidade de saúde com lesões traumáticas por todo o corpo, incluindo traumatismo craniano, hematomas, ferimentos nos membros, marcas compatíveis com chicotadas e um extenso ferimento na cabeça.
De acordo com a equipe médica, a Michelle chegou ao hospital por volta das 21h35 já em parada cardiorrespiratória e sem sinais vitais. A médica responsável pelo atendimento informou que o quadro era compatível com uma morte ocorrida entre quatro e seis horas antes da chegada à unidade. Diante da gravidade das lesões e das circunstâncias do caso, a Polícia Militar foi imediatamente acionada.
Ainda no hospital, os militares que acompanhavam o companheiro da vítima flagraram o homem descartando uma pequena caixa metálica em uma lixeira do banheiro. No recipiente, foram encontrados comprimidos com características semelhantes ao ecstasy, material apreendido para investigação.
Casal fez uso de álcool e drogas ilícitas
Em depoimento, suspeito do crime afirmou que o casal havia consumido bebidas alcoólicas e ecstasy durante uma confraternização realizada na residência do casal, na noite de domingo (19). Segundo a versão apresentada por ele, os dois também praticaram atos de violência física consensuais durante uma relação sexual.
O policial alegou ainda que, horas depois, Michelle teria caído da escada da casa, sofrido um corte na cabeça e recusado atendimento médico. Ainda segundo o sargento, o casal teria adormecido. Ao acordar à noite, ele diz que percebeu que ela não respondia aos estímulos, decidindo, então, levá-la ao hospital.
Durante a perícia realizada no apartamento do casal, foi apreendido um cabo de madeira quebrado que, segundo avaliação preliminar, pode ter sido utilizado para agredir a vítima. Também chamou a atenção dos investigadores o fato de as roupas de cama estarem lavadas e ainda molhadas dentro da máquina de lavar. O celular do suspeito e a substância encontrada no hospital também foram recolhidos para perícia.
Eduardo Abner recebeu voz de prisão e foi encaminhado ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). O caso será investigado pela Polícia Civil.
Em nota, a defesa do sargento da PM disse que “é imprescindível que se aguarde a conclusão das investigações e dos laudos periciais, evitando-se qualquer julgamento precipitado. O caso ainda está em fase inicial de apuração, e todas as circunstâncias serão devidamente esclarecidas pelas autoridades competentes”.










