Coletivos de ativistas e agentes culturais de Belo Horizonte se organizam para ocupar a Câmara Municipal na tarde desta sexta-feira (3), quando o projeto de lei da Tarifa Zero será votado pelos parlamentares. Pelas redes sociais, o coletivo Minha BH e o Movimento Tarifa Zero convocam a população para o movimento, batizado de “Busãopalooza” (em referência ao festival de música Loollapalooza).
“O povo de BH vai estar presente em peso, junto com artistas, blocos de carnaval e influenciadores da cidade, acompanhando de perto os votos de cada um dos vereadores”, diz a postagem no Instagram.
Em conversa com o BHAZ, o ativista do Minha BH e professor da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), Roberto Andrés, diz que a expectativa é de que cerca de mil pessoas compareçam ao ato. “Tem uma grande mobilização feita pelos movimentos. Vai ter diversos ônibus saindo de vários bairros populares pela cidade. Movimentos de estudantes, blocos de carnaval e outros grupos variados vão lotar a Câmara”, afirma.
Além dos coletivos, artistas como Djonga, Fernanda Takai, Clara Tannure, e outros nomes da cena cultural local devem marcar presença no evento. A concentração está marcada para às 14h.
Para Iza Lourença, uma das autoras do projeto, a mobilização popular é uma expressão da democracia: “Belo Horizonte tem construído uma movimentação popular importantíssima em prol de um direito que é andar com transporte público com dignidade. A gente espera ver uma das maiores mobilizações que a Câmara já viu em torno de um projeto”.
“Eu percebo que as pessoas querem ver as casas legislativas votando matérias que de fato possam melhorar suas vidas. E hoje se a gente vai ter essa votação na Câmara Municipal é devido à tanta mobilização popular, a tantas pessoas que se mobilizaram para conversar com seus vereadores, para conversar com as demais pessoas da sociedade, esclarecendo sobre o projeto. É muito bonito ver quando o povo se envolve com a polícia política, porque, infelizmente, existe uma percepção de que os políticos são muito distantes do povo”, completa.
Tarifa Zero será votada nesta sexta
Belo Horizonte pode se tornar a primeira capital brasileira a oferecer transporte público gratuito. O Projeto de Lei (PL) 60/2025, que garante o passe livre a todos os usuários, será votado em primeiro turno na Câmara Municipal (CMBH) nesta sexta-feira (3). A proposta mobilizou a sociedade civil e divide opiniões sobre os impactos econômicos, estruturais e sociais. Para alguns, a medida representa uma forma de transformar a lógica da mobilidade urbana – uma das principais queixas dos belo-horizontinos – e promover justiça social. Para outros, levantou dúvidas sobre a viabilidade financeira e a legalidade do projeto.
A votação, aberta ao público, está prevista para começar às 14h30, no Plenário Aminthas de Barros. Para que o PL seja aprovado, é necessário que 28 dos 41 vereadores votem a favor em dois turnos. Se aprovado, o projeto seguirá para sanção ou veto do prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União).
Tarifa Zero em BH
Com 10 páginas e 22 autores, o Projeto de Lei da Tarifa Zero (60/2025) começou a tramitar na Câmara de Vereadores de Belo Horizonte no início da nova legislatura, em março de 2025. A justificativa é de que o modelo de financiamento atual dos ônibus em BH sofre, há anos, por sua ineficiência. “O ciclo vicioso da tarifa não é novidade: quanto mais se aumenta a tarifa do ônibus, menos passageiros podem pagá-la, reforçando a necessidade de aumentos tarifários para fechar as contas, o que reduz ainda mais o número de passageiros no transporte público da cidade”, registra o PL.
Atualmente em BH, o transporte público por ônibus é sustentado pela tarifa paga pelo usuário (26,6%), pelo vale-transporte (31,8%) e pelo subsídio repassado pela Prefeitura às empresas (40,8%). Só em 2025, a expectativa é de que devam ser transferidos dos cofres públicos cerca de R$744 milhões às concessionárias.
De acordo com o texto, se aprovada, a Tarifa Zero, além de beneficiar as empresas, “uma vez que não haverá custo algum no caso de terem menos de 9 funcionários”, trará ganhos também para cidadãos e Prefeitura. “É esperado aumento do direito à cidade, inclusive com o potencial de existirem mais recursos disponíveis para gastos na economia local, uma vez que as famílias não terão de reservar orçamento para andar de ônibus”, prevê o projeto.
Saiba mais sobre o conteúdo do Projeto de Lei (PL), as justificativas e formas de financiamento que fundamentam a proposta na matéria especial do BHAZ ‘Tarifa Zero em BH: quem paga a conta?‘ .












