Manifestantes se concentram na porta da Câmara Municipal de Belo Horizonte, no bairro Santa Efigênia, na região Leste da capital, em protesto contra o título de cidadão honorário de BH que será concedido na tarde desta terça-feira (02) ao senador e pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL). Integrantes de torcidas organizadas e representantes de partidos de oposição ao político exibem faixas, cartazes e usam até um carro de som no protesto. Um boneco gigante do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar por tentativa de golpe de estado, também é usado na manifestação.
Mais cedo, Flávio Bolsonaro visitou o Hospital da Baleia e o Mercado Central. Desde a manhã, faixas espalhadas pelas principais vias de BH também criticam a presença do senador na cidade. “Banco Master saúda Flávio Bolsonaro em BH. Ass: Daniel Vorcaro”, dizia uma delas.
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Conforme a Resolução nº 1778, de 3 de abril de 1992, podem ganhar título de cidadão honorário pessoas não nascidas em Belo Horizonte, “que tenham prestado relevantes serviços à Cidade ou praticado gestos beneméritos, de abnegação, sacrifício ou heroísmo no Município”, diz o texto. A proposta de tornar Flávio Bolsonaro cidadão honorário de BH foi apresentada pelo vereador Vile Santos (PL).
A consagração de Flávio Bolsonaro em BH ocorre em meio a um cenário de crise no clã dos Bolsonaro. Em 13 de maio, o Intercept Brasil revelou que o senador do Rio de Janeiro negociou diretamente com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, o repasse de R$ 134 milhões para financiar o filme Dark Horse, uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Documentos e mensagens obtidos pelo Intercept mostram que, entre fevereiro e maio de 2025, já haviam sido pagos aproximadamente 10,6 milhões de dólares, cerca R$ 61 milhões, em seis operações financeiras. A investigação evidencia que Flávio Bolsonaro utilizava o WhatsApp para cobrar pessoalmente Vorcaro sobre atrasos nos repasses, além de coordenar a liberação dos valores.
As últimas conversas entre ambos, reveladas pela reportagem, datam do início de novembro do ano passado, um período crítico para o Banco Master e Vorcaro. Pouco mais de uma semana depois dessa troca de mensagens, o Banco Central decretou a liquidação do Master e a Polícia Federal (PF) prendeu o banqueiro em um dos desdobramentos da operação sobre fraudes financeiras.
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