Covid: Variante delta representa 60% dos casos em BH e é a que mais cresce em Minas, mostra estudo

variante delta
A evolução da delta tem sido monitorada semanalmente pelo Observatório de Vigilância Genômica de Minas Gerais (FOTO ILUSTRATIVA: Banco de imagens/Pixabay)

A variante delta é a que mais cresce em Minas Gerais e hoje representa 50% dos casos positivos de Covid-19 no estado, segundo levantamento feito pelo Observatório de Vigilância Genômica de Minas Gerais. Em Belo Horizonte, sua prevalência já chega a 60%, enquanto em Juiz de Fora, cidade próxima da divisa com o estado do Rio de Janeiro, 80% dos casos confirmados são da delta. 

A evolução da variante – que tem o maior poder de propagação e maior tendência a gerar casos graves da Covid-19 – foi divulgada em boletim semanal do grupo. Segundo o professor Renato Santana de Aguiar, um dos coordenadores do observatório, o cenário mudou rapidamente e se tornou ainda mais preocupante.

“Por isso, tivemos a ideia de realizar um monitoramento mais atualizado, que acompanhasse a evolução e o deslocamento da Covid-19 pelo estado, e criamos o comunicado semanal em parceria com a Secretaria Estadual de Saúde, com a Prefeitura de Belo Horizonte e com a Funed (Fundação Ezequiel Dias)”, conta.

O professor explica que toda semana, 200 amostras positivas para a Covid-19 são enviadas para a Funed, que faz a primeira triagem do material. Ele segue para o Laboratório de Biologia Integrativa do ICB (Instituto de Ciências Biológicas) e para o Nupad (Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico) da Faculdade de Medicina, onde é analisado.

“Testamos as amostras por meio de uma metodologia de genotipagem que desenvolvemos aqui no ICB e que possibilita identificar as variantes em quatro horas. Quando aparecem novas variantes, fazemos o sequenciamento genético completo do material. Nosso objetivo é monitorar as variantes atuais e identificar as novas”, explica Santana.

Planejamento e prevenção

Renato Santana acrescenta que a divulgação de comunicados semanais tem o intuito de oferecer instrumentos para que prefeituras e secretarias de saúde se preparem para combater as novas variantes de ocorrência mais prováveis em suas regiões.

“É um projeto muito importante porque já é possível prever que algumas variantes vão provocar desfechos clínicos mais graves e serão mais transmissíveis. Com o monitoramento, as agências de saúde conseguem definir quais regiões são mais críticas e devem receber maior suporte hospitalar. Além disso, conhecer as variantes predominantes em cada região é essencial para o planejamento dos esquemas vacinais locais”, argumenta o professor.

O Observatório de Vigilância Genômica de Minas Gerais foi criado em março deste ano e é financiado pelo Programa Laboratórios de Campanha e pela Rede Corona-ômica, ambos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações do Governo Federal, e pela Funed. 

Com UFMG

Edição: Giovanna Fávero
Larissa Reis
Larissa Reislarissa.reis@bhaz.com.br

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

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